Charmosa neutralidade: a história do Salão de Genebra

1977 Porsche 928

 

1972 Lotus Esprit
1980 Audi Quattro

O Porsche 928 de motor V8, o Lotus Esprit ainda conceitual e o Audi
Quattro de 1980: esportivos que impressionaram em Genebra

 

Lamborghini Jalpa, evolução do Silhouette; o VW Scirocco de segunda geração e o cupê Maserati Biturbo, que levava seu compacto V6 de 2,0 litros a 182 cv, apareciam em 1981. No ano seguinte, quando o salão mudava para o Palexpo, o suntuoso Bentley Mulsanne com turbo no V8 de 6,75 litros tinha a potência divulgada apenas como “suficiente”, dentro do hábito da Rolls-Royce, então proprietária da marca.

O aerodinâmico Audi 100 em 1983, o picante Peugeot 205 GTI um ano depois, o compacto Lancia Y10 (projeto da marca Autobianchi, também do grupo Fiat) e o luxuoso cupê Volvo 780 ES, ambos em 1985, e o original 480 ES da mesma marca sueca, em 1986, davam o tempero de várias edições do evento na década, concluída em grande estilo em 1989 com um novo Mercedes SL. O belíssimo conversível, que ficaria 12 anos em produção, despejava 394 cv nas rodas com o V12 de 6,0 litros da versão de topo.

O compacto Renault Clio era apresentado no evento em 1990, o esportivo francês Alpine A610 um ano depois, o luxuoso Safrane da mesma Renault em 1992 e os médios Citroën Xantia e Ford Mondeo no salão seguinte. Ainda em 1993 viam-se o Coupe Studie, cupê conceitual da Mercedes com quatro faróis ovais (solução adotada depois no Classe E), e o DB7 da Aston Martin. O Audi A8, com carroceria de alumínio, era atração em 1994. No ano seguinte apareciam os Alfas GTV (cupê) e Spider (conversível) e o fantástico Ferrari F50, com muita fibra de carbono e um V12 de 4,7 litros e 520 cv.

 

1990 Renault Clio

 

1986 Volvo 480 ES
1993 Mercedes Coupe

O Renault Clio estreava em 1990, 
o Volvo 480 ES rompia as tradições da
marca e o
 Mercedes Coupe Studie antecipou os faróis do Classe E

 

A Jaguar esbanjava classe com o cupê e o conversível XK, em 1996, e o Mercedes Classe A causava reviravolta no ano seguinte — um monovolume tão compacto de uma marca tão tradicional — ao lado do arredondado Audi A6. Em 1998 a BMW mostrava a geração E46 de seu carro mais vendido, o Série 3. Também estavam lá o Ford Focus em pré-lançamento, a segunda geração do Clio e o Rolls-Royce Silver Seraph, primeiro novo carro da marca em 18 anos.

 

O conceito Bentley Hunaudieres, com
motor de 16 cilindros em “W”, 8,0 litros e 630 cv,
homenageava as vitórias da marca em Le Mans

 

Um inglês e um italiano dividiam a cena em 1999: de um lado, o conceito Bentley Hunaudieres, um supercarro com motor de 16 cilindros em “W”, 8,0 litros e 630 cv para homenagear o passado de vitórias da marca em Le Mans; de outro, o Ferrari 360 Modena, sucessor do F355, com carroceria de alumínio e motor V8 de 400 cv.

Havia também o Honda S2000, um roadster com “nervoso” motor de 2,0 litros e 240 cv derivado de um conceito de 1995; e o projeto EB 218 da Bugatti, um volumoso quatro-portas com o mesmo motor W18 de 6,3 litros e 555 cv do já conhecido EB 118. Um ano depois a Opel revelava o Speedster, esportivo de baixo peso e motor de 2,2 litros; a Alfa Romeo associava a bela perua SportWagon à linha 156 e a Peugeot exibia o conceito esportivo 607 Feline, com teto em forma de bolha e portas que corriam para frente quando abertas.

 

1995 Ferrari F50

 

1997 Mercedes Classe A
1998 Rolls-Royce Silver Seraph

O arisco Ferrari F50 com motor de 520 cv, de 1995; a apresentação 
do
Mercedes Classe A, em 1997; e o Rolls Silver Seraph do ano seguinte

 

Lancia Thesis e o Renault Vel Satis propunham diferentes visões de estilo para um carro de luxo em 2001, quando também chegavam o Fiat Stilo e o Peugeot 307. Na mesma edição a Bugatti anunciava que em 2003 colocaria nas ruas o supercarro EB 16/4 Veyron, com motor W16, quatro turbos e 1.001 cv para superar 400 km/h — na verdade levaria dois anos a mais.

 

 

A Ferrari lançava em 2002 o 575 Maranello, evolução do 550 em que o V12 passava para 5,75 litros e 515 cv; a Peugeot mostrava os cupês esporte RC Espada e RC Ouro, apenas conceituais; e a Mercedes trazia de volta a marca Maybach com um grande sedã de 550 cv no motor V12 com dois turbos. Na edição seguinte faziam sua estreia os supercarros Lamborghini Gallardo, desenhado já sob o comando da Audi, com motor V10 de 5,0 litros e 500 cv; Porsche Carrera GT, com 612 cv no V10 de 5,7 litros e muita fibra de carbono; e Pagani Zonda em versão conversível.

A Audi apresentava um novo A3 e sugeria um “grande TT” com o conceito Nuvolari, com 600 cv em um V10 com dois turbos. No salão de 2004 a Mercedes esbanjava classe com o CLS, de perfil esportivo e 476 cv na versão mais potente, a 55 AMG; também lançava nova geração do roadster SLK. No mesmo evento a Audi tinha um novo A6, a BMW antecipava o M5 de motor V10 como conceito e a suíça Rinspeed mostrava o Splash, carro anfíbio para uso no asfalto ou sobre a água a até 80 km/h — um sistema o mantinha 60 cm acima da superfície.

 

2003 Porsche Carrera GT

 

2004 Rinspeed Splash
2006 Ferrari 599 GTB
 
O Porsche Carrera GT nasceu como conceito; o Rinspeed Splash ficava
a 60 cm da água; o 599 GTB foi um dos vários Ferraris lançados no evento

 

Nos últimos anos, mais lançamentos registraram a importância de Genebra no rol dos maiores salões, como Citroën C6Alfa Romeo Brera e novo Passat em 2005; Ferrari 599 GTB Fiorano e Peugeot 207 em 2006; Maserati GranTurismo em 2007; novo Ford Fiesta em 2008; a versão Coupe do Mercedes Classe E em 2009; Audi A1 e um novo Porsche Cayenne em 2010; Ferrari Four e Lamborghini Aventador em 2011; Ferrari F12 Berlinetta e novo Mercedes Classe A em 2012; e Rolls-Royce Wraith, McLaren P1 e La Ferrari em 2013.

Mais de um século depois da pioneira exposição suíça de 1905, o charme e a neutralidade desse grande evento continuam a atrair fabricantes de toda a Europa e mesmo de fora dela.

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