Idea Adventure: para os desafios da selva de pedra (1)

 

Minivan da Fiat, com recursos para andar fora do asfalto,
começa na grande cidade sua avaliação de 30 dias conosco

Texto e fotos: Roberto Agresti

 

Atualização inicial: 28/9/12

Uma minivan de espírito aventureiro — a Fiat Idea Adventure — é o vigésimo quinto carro avaliado pelo Best Cars em Um Mês ao Volante. A escolha se deu por fatores como o ineditismo do modelo nesse tipo de análise e a liderança de vendas da minivan da Fiat em sua categoria: de janeiro a agosto foram emplacadas 17,3 mil unidades, segundo a Fenabrave, contra 13,8 mil da dupla Citroën C3 Picasso/Aircross, 10,9 mil da Chevrolet Meriva e 9,6 mil da Nissan Livina.

E uma das versões mais populares dessa líder é a Adventure, cujo pacote de preparação para eventual uso fora do asfalto — ou para enfrentar a má qualidade dele — vai bem além de pneus maiores de uso misto, em medida 205/70 R 15: a Fiat reviu todo o chassi do modelo, com altura de rodagem 35 mm maior (deixando o vão livre com 185 mm), bitolas mais largas e novos eixo traseiro, molas, amortecedores e estabilizadores.

Claro que para muitos consumidores o que mais interessa é o visual “pronto para tudo”, com frente diferenciada, quatro faróis auxiliares (dois de neblina e dois de longo alcance), molduras plásticas nas laterais e nos arcos de para-lamas, o estepe exposto na traseira e e um elemento de teto que fica entre bagageiro e aerofólio. O estepe, aliás, é tradicional ponto de discussão: há quem goste da aparência de utilitário esporte e quem o condene, tanto pelos possíveis danos ao carro de trás (ao estacionar, por exemplo) quando pela dificuldade que ele impõe ao acesso ao compartimento de bagagem.

 

“Entendo perfeitamente o sucesso dos carros mais altos, que provocam um ‘subir na vida’ literal e nos fazem olhar o mundo de cima, o que é muito bom no trânsito paulistano”, diz Inês

 

O interior da Idea mostra aparência algo datada, com um painel semelhante ao usado desde 2004 na linha Palio. Acima do novo rádio adotado para 2012, a Adventure traz um conjunto de instrumentos com bússola e clinômetros, que indicam a inclinação do carro nos sentidos longitudinal e transversal. Se o revestimento interno em couro de dois tons busca um aspecto de requinte, o acabamento mostra plásticos rígidos e montagem abaixo do aceitável para um carro de seu preço.

E que preço? O sugerido pela Fiat é de R$ 51.040 para a versão com câmbio manual (existe o automatizado Dualogic por mais R$ 1.940), que vem de série com freios com sistema antitravamento (ABS), bolsas infláveis frontais, ar-condicionado, direção assistida, computador de bordo com duas medições, configuração de funções, rodas de alumínio, rádio/toca-CDs com MP3, alerta de limite de velocidade, três apoios de cabeça traseiros, para-brisa degradê, volante e banco do motorista com regulagem de altura, comando a distância para abertura e fechamento das portas e vidros, banco traseiro bipartido e controle elétrico dos vidros dianteiros (com função um-toque), travas e retrovisores.

 

 
Estepe na traseira (incômodo para acesso ao porta-malas), apliques de plástico preto
e quatro faróis auxiliares são parte da caracterização visual da versão Adventure

 

O carro avaliado traz a maioria dos opcionais: bolsas infláveis laterais nos bancos dianteiros, sistema Locker de bloqueio de diferencial, bancos e volante revestidos em couro bicolor, sensores de estacionamento traseiros, rádio com interface Bluetooth para telefone celular e entrada USB, controle elétrico dos vidros traseiros e o Kit High Tech (retrovisor interno fotocrômico, faróis e limpador de para-brisa automáticos), além de pintura metálica. O preço total, de R$ 59.691, deixava de fora o teto solar Skydome, com parte dianteira móvel e traseira fixa.

A Adventure é hoje a única Idea com o motor mais potente da linha, o E-Torq de 1,75 litro (arredondado pela Fiat para 1,8 na denominação) e 16 válvulas, que fornece potência de 130 cv com gasolina e 132 cv com álcool. As outras versões usam o Fire 1,4 de oito válvulas (Attractive) ou o E-Torq 1,6 16V (Essence), já que a opção Sporting deixou de ser produzida.

Sensação de carro maior

Para a semana de estreia do Fiat conosco, uma profunda conhecedora da marca foi chamada: Inês Agresti, que os tem em seu currículo de motorista desde o começo dos anos 80, tendo sido dona de um Spazio, três Elbas, dois Unos e dois Palios.

De certa forma saudosa dos longos anos que passou com os carros de Betim, MG — que segundo ela sempre a atenderam muito bem —, Inês festeja seus primeiros dias com a Idea: “Adorei o carro, é minha medida! Entendo perfeitamente o sucesso dos carros mais altos, que provocam um ‘subir na vida’ literal e nos fazem olhar o mundo de cima, o que é muito bom no trânsito paulistano. Isso faz parecer que o carro também cresce no tamanho, não dá a sensação de estar numa pequena cabine. Aliás é bem interessante essa percepção diferente: mesmo sabendo que as dimensões interna e externa são similares às do meu Citroën C3, as sensações de espaço e de segurança são maiores”.

A colaboradora exaltou a disposição dos 132 cv do motor da Idea: “É um carro que responde bem ao comando do acelerador. O motor me pareceu até sobrar para o modelo. Quanto ao estilo ‘aventureiro’, bem na moda urbana, não me apaixona mas também não o rejeito. Abstraindo os excessos percebi que gosto das linhas da carroceria. Um senão poderia ser o fato de ter câmbio manual, pois estou adaptada ao automático, a não ter que usar embreagem ou câmbio no C3. Mas gostei do câmbio da Idea, que é bastante suave”.

 

 
Bancos de couro em dois tons, bolsas infláveis laterais e interface Bluetooth estão
entre os opcionais que somam R$ 8,6 mil; o painel traz bússola e clinômetros

 

Os aspectos práticos, que parecem ser mais valorizados pelas mulheres, também agradaram Inês: “Adorei todos os porta-trecos, cantinhos úteis, fendas, o espelho para acompanhar crianças no banco de trás, a boa utilização do espaço superior central para guardar óculos, a maçaneta da porta tipo alavanca, a posição do puxador da porta para não precisar fazer força. Tudo bem pensado. Só dispensaria aquele conjunto de instrumentos para mim inúteis no painel central. Naquele lugar deveria estar uma tela de navegador por GPS, isso sim!”.

E inconvenientes? Segundo a colaboradora, “o barulho da lingueta do cinto do passageiro batendo no plástico de acabamento é irritante, e o tormento só acabou quando resolvi enfiar a tal lingueta na fenda de onde sai o cinto. Outro porém é a movimentação que o estepe externo exige para abrir o porta-malas. Preferiria que o pneu estivesse dentro do carro, mas entendo o estilo e o ‘marketing’ fora de estrada que atraem muitos clientes”.

Não tendo tido chance de usar o carro em estrada, Inês resume seu contato urbano com a Idea com a seguinte consideração: “Parece um carro que teve como princípio do projeto a praticidade. Está pronto a ajudar seu usuário no entra, anda e para, chega, carrega e descarrega — estepe externo à parte. Para minha rotina de mulher e profissional liberal numa cidade como São Paulo, me pareceu muito bom”.

E acrescenta: “Gostei dos vários alertas: quando a porta está aberta acende a luz de cortesia na parte traseira, e indica no painel quando o vidro está aberto, por exemplo. Os faróis e o limpador de para-brisa com acionamento automático, os sensores para estacionar e o retrovisor interno, que evita ofuscamento, também são muito práticos. Esse perfil de ‘ajudante sempre atento’ me fez gostar muito dela, e o fato de ser gostosa de dirigir e boa para enxergar longe faz a Idea, certamente, entrar na minha lista de desejos. Mas seria mais provável uma versão normal, não a Adventure, e com câmbio Dualogic”.

Alertada sobre a inexistência de Idea com o motor E-Torq de 1,75 litro e sem os adereços Adventure, Inês protesta: “Que mancada da Fiat! Não sei como se comporta esse 1.6 que equipa a Idea normal, mas acho que a família de motores deveria ser estendida as duas versões, ou seja, haver também a normal 1.8 e a Adventure 1.6”.

No fim de semana a minivan enfrenta o primeiro trajeto rodoviário. Na terça-feira, as opiniões do motorista da vez.

Avaliação anterior (VW Gol)

 

Desde o início

3 dias

163 km

Distância em cidade 163 km
Distância em estrada 0
Tempo ao volante 9h 30min
Velocidade média 17 km/h
Consumo médio (álcool) 6,5 km/l
     Melhor marca média (álcool) 7,5 km/l
     Pior marca média (álcool) 5,8 km/l
Indicações do computador de bordo

 

Preço

Sem opcionais R$ 51.040
Como avaliado R$ 59.691

 

 

Ficha técnica

Motor
Posição transversal
Cilindros 4 em linha
Comando de válvulas no cabeçote
Válvulas por cilindro 4
Diâmetro e curso 80,5 x 85,8 mm
Cilindrada 1.747 cm³
Taxa de compressão 11,2:1
Alimentação injeção multiponto sequencial
Potência máxima (gas./álc.) 130/132 cv a 5.250 rpm
Torque máximo (gas./álc.) 18,4/18,9 m.kgf a 4.250 rpm
Transmissão
Tipo de câmbio e marchas manual /  5
Tração dianteira
Freios
Dianteiros a disco ventilado
Traseiros a tambor
Antitravamento (ABS) sim
Direção
Sistema pinhão e cremalheira
Assistência hidráulica
Suspensão
Dianteira independente, McPherson
Traseira eixo de torção
Rodas
Dimensões 6 x 15 pol
Pneus 205/70 R 15
Dimensões
Comprimento 4,207 m
Largura 1,753 m
Altura 1,814 m
Entre-eixos 2,511 m
Capacidades e peso
Tanque de combustível 48 l
Compartimento de bagagem 380 l
Peso em ordem de marcha 1.325 kg
Desempenho e consumo
Velocidade máxima (gas./álc.) 178/180 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h (gas./álc.) 11,6/10,8 s
Consumo em cidade (gas./álc.) 11,0/7,4 km/l
Consumo em rodovia (gas./álc.) 14,6/9,8 km/l
Dados do fabricante