Gol BlueMotion agita a bandeira da economia (relato 7)

 

Com motorista inédito na cidade e na estrada, o VW satisfaz
pelo motor, mas não pelo acerto de suspensão da nova versão

Texto e fotos: Roberto Agresti

 

Atualização de 18/9/12

Um conhecido colaborador de Um Mês ao Volante ingressa no “mundo” dos motores de 1,0 litro, tendo passado o fim de semana ao volante do Gol BlueMotion. Carlos “Quinho” Caldas revela ter poucas horas de voo com carros dessa faixa do mercado e, por conta disso, tinha boa curiosidade sobre o mais vendido de todos eles.

Quinho realizou um roteiro múltiplo com o Volkswagen: um rápido bate-volta à Baixada Santista, trajeto que lhe proporcionou a visão sobre como é conduzir o Gol em rodovias, no caso a Imigrantes e a Padre Manoel da Nóbrega. Ele inicia seu depoimento sobre a aparência do carro: “A primeira impressão é que ele está mais bonito, a frente especialmente. A extensão da identidade visual dos Volkswagens mais caros, como Passat e Jetta, aos mais simples Fox e Gol beneficia estes últimos. Passa impressão de modernidade e solidez. Já internamente esse Gol não vai tão bem. É muito anônimo o desenho do painel, apesar de sua boa funcionalidade. Tudo muito cinzento, de aparência sóbria demais”.

Ele prossegue seu relato avaliando a posição de dirigir: “Estranhei a impossibilidade de movimentar o volante, coisa que me parece incongruente em qualquer carro atual. Pelo menos uma regulagem de altura deveria haver. Outro desconforto é devido ao sistema de ajuste de altura do banco: não permite bom acerto nem é de fácil uso, pois exige força, um jogo de corpo que talvez só gente mais vigorosa e jovem tenha. Com esse mau modo de oferecer regulagem do assento, se perde a chance de uma boa ergonomia. Meu posicionamento nos mais de 400 km que rodei estava aquém do desejado”.

Todavia, ele tem pontos positivos a ressaltar, como os pequenos, mas válidos porta-objetos no console e no painel, “em que pese os compartimentos das portas e o próprio porta-luvas não poderem ser elogiados por serem pequenos demais”, ressalva.

 

 
A nova frente do Gol agradou a Quinho Caldas, que não deu a mesma nota ao
interior: falta inspiração às formas e tons, apesar do espaço adequado 

 

Na estrada, rodando à noite, Quinho festejou o abandono do padrão azul de iluminação do painel, que para ele não oferecia uma legibilidade tão adequada como o atual, de luz branca, por faltar contraste com o fundo negro. Outro bom aspecto apontado foi a fácil “rolagem” das informações do computador de bordo pelos comandos do volante, o mesmo valendo para o uso do rádio.

Subir a serra não foi difícil para o Gol, cujo desempenho o motorista considera adequado: “Ele requer alta rotação para obter a potência desejada, mas com o devido uso do câmbio de bons engates dá para se conviver bem com esse motor 1.000. O que mais me incomodou foi o nível de ruído trazido por essa rotação, mesmo quando ela não é necessária, como em trechos planos. A quinta marcha poderia ser mais longa”.

Na ponta dos pés

Com relação ao comportamento dinâmico, a Quinho — que rodou com o carro praticamente vazio — a sensação de que o Gol vai, de acordo com sua expressão, “na ponta dos pés” em velocidades próximas a 120 km/h o incomodou. “A condução não é relaxada; me peguei meio agarrado ao volante. A impressão é que o carro é alto demais e tem pneus de menos. Não me agradaria ter que realizar uma manobra brusca, como desviar de um obstáculo imprevisto estando a 120 km/h. Nesse aspecto ele é bem inferior ao Ford Ka que avaliamos tempos atrás, que me parecia bem mais estável, plantado no chão”.

Sobre essa característica do Gol, Quinho estendeu sua crítica também a situações urbanas: “Em uma curva saindo da Marginal do Tietê para tomar uma alça de acesso, fui obrigado a entrar um pouco mais rápido do que o normal e as irregularidades no piso fizeram a suspensão traseira do Gol ‘quicar’ sobre o asfalto, enquanto a dianteira copiava bem o terreno. A impressão é de que a carga de amortecedores e molas atrás está maior do que o necessário para a condição de carro vazio, como naquele momento. Aliás, não gostei dos pneus, que gritam de modo meio excessivo a qualquer exigência”.

O relato do motorista da vez endossa o de Paulo Athayde, que em atualização anterior havia apontado inconveniente semelhante no Gol. O Best Cars consultou a Volkswagen para saber mais das diferenças técnicas da suspensão que vem com o pacote BlueMotion — além dos pneus de menor atrito e que usam pressão mais alta —, mas a resposta ainda não veio.

 

 
O motorista foi mais um a criticar a queda lenta de rotação nas trocas de marcha e
a forma como o Gol lida com irregularidades do piso: pressão de pneus inadequada?

 

No uso urbano, Quinho questionou o comportamento do Gol e ficou em dúvida sobre qual seria o elemento causador do desconforto, se carga excessiva nas molas e amortecedores ou a pressão recomendada para inflar os pneus (36 lb/pol² nos quatro): “É bastante, não é? E está com cara de ter sido determinada não para a adequação ao peso, mas sim a favorecer o rolamento e, em consequência, reduzir o consumo, que é o alvo ‘marqueteiro’ desse BlueMotion”.

Sim, o motorista tem razão: esse Gol pretende ser referência em termos de consumo e para tal adota pneus de composto que favorece o rolamento e com pressão indicada mais alta. E o colaborador se revela crítico de outro de seus recursos, o indicador de troca de marcha: “É a típica ideia boa, mas com má realização. O dimensionamento está errado. O número da marcha engatada e a seta que avisa para reduzir ou passar marcha são pequenos demais, e isso faz com que seja até inseguro tentar visualizar o acessório em condições de uso urbano. O indicador deveria ser mais claro, como uma luz que lampeja, coisa que a visão periférica captasse e não exigisse desviar a atenção do trânsito”.

Outras considerações de ordem prática, no uso urbano que fez do Gol, dizem respeito ao bom acesso oferecido pelas portas traseiras e o razoável espaço do banco dos passageiros, que segundo o colaborador abriga bem dois adultos ou até três apertados.

Quinho Caldas finaliza elogiando a marca de consumo obtida: “Andei pouco na estrada, cerca de 180 km dos mais de 400 que rodei. Assim, alcançar quase 12 km/l, sem prestar muita atenção no uso do acelerador e sempre com o ar-condicionado ligado, é marca razoável”. Todavia, o motorista lembra uma característica do Gol que todos os avaliadores acharam inconveniente, desconfortável até: a rotação do motor que não cai na passagem das marchas, implicando um pulo desconfortável.

“Isso obriga o motorista a alterar seu modo de dirigir para tentar evitá-lo. É uma coisa muito estranha e deve trazer um grande benefício, que não sei qual é, para que os engenheiros da marca deixem o carro ser vendido assim. Com o passar do tempo, acabei conseguindo driblar o desconforto que isso causa, mas é como a piada do bode na sala: você acaba se acostumando com algo que não deveria ser assim. É em prol do consumo? Do desempenho? Não sabemos ao certo, mas é muito desconfortável. Por conta desse detalhe, e também do preço que acho exagerado, esse carro não entraria na minha garagem”.

E o Gol ingressa em sua derradeira semana conosco, na qual o planejamento prevê novas mãos ao volante do líder de vendas da Volkswagen em versão “verde” — ou azul, como queiram.

Atualização anterior

 

Último período

4 dias

444 km

Distância em cidade 264 km
Distância em estrada 180 km
Tempo ao volante 16h 46min
Velocidade média 27 km/h
Consumo médio (gasolina) 11,7 km/l
Indicações do computador de bordo

 

Desde o início

26 dias

3.298 km

Distância em cidade 1.255 km
Distância em estrada 2.043 km
Tempo ao volante 94h 53min
Velocidade média 35 km/h
Consumo médio (álcool) 9,8 km/l
     Melhor marca média 12,9 km/l
     Pior marca média 7,2 km/l
Consumo médio (gasolina) 12,8 km/l
     Melhor média 14,2 km/l
     Pior média 10,3 km/l
Consumo em percurso-padrão (43,2 km)
     Álcool 14,6 km/l
     Gasolina 21,3 km/l
Indicações do computador de bordo

 

Preço

Sem opcionais R$ 27.990
Como avaliado R$ 35.855
Preços sugeridos, vigentes em 18/9/12; consulte preços de opcionais

 

 

Ficha técnica

Motor
Posição transversal
Cilindros 4 em linha
Comando de válvulas no cabeçote
Válvulas por cilindro 2
Diâmetro e curso 67,1 x 70,6 mm
Cilindrada 999 cm³
Taxa de compressão 12,7:1
Alimentação injeção multiponto sequencial
Potência máxima (gas./álc.) 72/76 cv a 5.250 rpm
Torque máximo (gas./álc.) 9,7/10,6 m.kgf a 3.850 rpm
Transmissão
Tipo de câmbio e marchas manual /  5
Tração dianteira
Freios
Dianteiros a disco ventilado
Traseiros a tambor
Antitravamento (ABS) sim
Direção
Sistema pinhão e cremalheira
Assistência hidráulica
Suspensão
Dianteira independente, McPherson
Traseira eixo de torção
Rodas
Dimensões 5 x 14 pol
Pneus 175/70 R 14
Dimensões
Comprimento 3,895 m
Largura 1,656 m
Altura 1,464 m
Entre-eixos 2,465 m
Capacidades e peso
Tanque de combustível 55 l
Compartimento de bagagem 285 l
Peso em ordem de marcha 947 kg
Desempenho
Velocidade máxima (gas./álc.) 163/165 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h (gas./álc.) 13,4/12,9 s
Dados do fabricante; consumo não disponível