Gol BlueMotion agita a bandeira da economia (relato 6)

 

Viagem de apoio a teste de moto, opinião feminina e consumo
em percurso-padrão: um cardápio variado na semana do VW

Texto e fotos: Roberto Agresti

 

Atualização de 14/9/12

De tudo, um pouco: essa frase define bem o que nosso atual avaliado de Um Mês ao Volante, o Volkswagen Gol BlueMotion, fez durante a semana. Na segunda-feira seguiu para uma viagem de quase 500 quilômetros realizados em um só dia, de fato acompanhando a viagem-teste de uma motocicleta para a Revista da Moto!. Cumpria funções de carro de apoio e carro-câmera, levando o fotógrafo Gustavo Epifânio e sendo dirigido por Tiago Kiseliauskas, já autor de um depoimento sobre o modelo.

À pergunta se queria acrescentar algo às impressões emitidas antes, o colaborador não se fez de rogado: “Dessa vez andamos de modo diferente com o Gol. Antes, em uma viagem de fim de semana, a tocada foi calma, tranquila. Agora, para seguir a moto, o Gol teve que ser um pouco mais ‘espremido’ e aí, nesse ritmo intenso, em estradas cheias de curvas, não gostei da estabilidade. Os pneus ‘gritam’ muito e por vezes escorregam de um modo excessivo”. Uma característica vinculada ao tipo de pneu usado no pacote BlueMotion, cuja menor resistência à rolagem — com os fins de economizar combustível e reduzir emissões — acaba se traduzindo em menor aderência nas curvas.

Tendo que rodar em um pequeno trecho de estrada sem pavimentação, Tiago ainda assinalou que o Goodyear Duraplus escolhido pela VW funciona como verdadeiro depósito de pedriscos. “Mesmo depois de 10 km de asfalto, os pneus ainda estavam com pedrinhas encravadas na banda de rodagem, fazendo ruído incômodo. Nunca vi isso, as pedras ficarem tanto tempo, mesmo rodando a 80 ou 100 km/h no asfalto”, conclui o colaborador.

 

 
A primeira viagem do Gol com gasolina obteve média de 14,2 km/l, apesar do ritmo
rápido; a aderência dos pneus mostrou-se um ponto negativo do BlueMotion

 

Ao fim da jornada, que também foi marcada pelo entrada da gasolina no tanque do Gol, o veredicto da bomba foi considerado positivo por Tiago: 14,2 km/l. “Teve muito para e anda, por conta de fazer as fotos, e o percurso desceu e subiu a serra do mar, ou seja, um trecho travado. Não foi um trajeto que privilegiasse a economia. Por isso, a marca me parece boa tendo em vista também a ‘pressa’ para seguir a rápida moto que estávamos fotografando”.

Em mãos femininas

Das mãos de Tiago, o Gol passou às de Regina Garjulli. A motorista usou o VW só em trajetos urbanos, por vezes em horários de grande movimento, e rodou um pouco por vias expressas. Relembramos que o “cenário” habitual desses percursos da colaboradora é a zona oeste paulistana, com suas ruas com fortes aclives. Ao cabo de seus pouco mais de 100 km ao volante do Gol, verificar um consumo médio de 10,3 km/l de gasolina foi considerada marca relativa, nem ruim, nem boa.

E Regina gostou?

“Eu jamais compraria esse carro por conta da necessidade de, a toda hora, ter de trocar de marcha e afundar o pé no acelerador em qualquer subidinha. Estou mal acostumada, pois guio carros bem mais potentes do que esse no dia a dia e com câmbio automático, e assim fiquei preguiçosa”, comenta ela, rindo e acrescentando que, a cada vez que ligava o ar-condicionado nesse quente fim de inverno paulistano, parecia que uma âncora havia sido jogada pela janela.

 

“Esse é bem mais equipado do que aquele, mas continua sendo fraco, pobrezinho, sem graça: não vejo nenhum lampejo de criatividade ou de ousadia nesse Gol”

 

Regina, que teve um Gol 1000 de 1993, não resiste a um paralelo: “Vejo que esse é bem mais equipado do que aquele, mas continua sendo fraco, pobrezinho, sem graça. Por fora ele até que não é de todo mau, mas dentro é triste. Não vejo nenhum lampejo de criatividade ou de ousadia nesse Gol, coisa que vem desde o primeiro deles. Ou seja, nada mudou. Até para amenizar meu relato fiquei buscando pontos a elogiar, e a única coisa que pode ser exaltada é o câmbio por conta dos engates fáceis”.

Sem seduzir Regina, o Gol foi, ainda, alvo de uma dura reflexão por parte da motorista: “Quando comprei meu Gol 1000 as opções no mercado ainda eram poucas e a escolha se deu por um conjunto de fatores, entre os quais a confiança na marca e o preço. Saber que este Gol custa o que custa, acho piada de mau gosto”.

 

 
Dona de um Gol 1000 quase 20 anos atrás, Regina não repetiria a compra com o modelo
atual: para ela, o desempenho nas subidas incomoda e o interior carece de inspiração

 

E quanto à confiança na marca? “Não sei. Será que os Volkswagens atuais são como eram no passado, sólidos, fáceis de arrumar caso quebrassem e com peças baratas? Acho que a resposta está na propaganda da VW, que insiste em frisar esses valores que, acredito, se perderam e que a marca quer reconquistar. Mas não será com esse pouco criativo Gol custando tudo isso. Não mesmo!”.

Regina passou o Gol adiante, sem tristeza, para que o coordenador do teste realizasse uma rápida viagem ao interior paulista, região de Vinhedo. Na ida, o atraso para o compromisso fez com que o pé “pesasse” sobre o acelerador e o limite de velocidade na rodovia, 120 km/h, fosse seguido de maneira, digamos, flexível. Sem ar ligado e com apenas um a bordo, o Gol mostrou que sofre para manter ritmo forte mesmo em estrada favorável como a rodovia dos Bandeirantes, relativamente plana. O dia com rajadas de vento também mostrou um lado “bailarino” do Volkswagen, que não parece muito plantado ao solo. É possível que a culpa seja dos amortecedores recalibrados do BlueMotion.

Na volta, pegando vento pela proa, manter-se no fluxo dos 120 km/h permitidos exigiu quase que pé no fundo o tempo inteiro, e o calor acrescentou ao cardápio o ar-condicionado ligado. O que diria a bomba de combustível? Que mesmo sofrendo maus tratos o Gol foi razoavelmente econômico, obtendo média de 14,2 km/l de gasolina para o trecho — vale considerar que, dos quase 150 km rodados, ao menos 30 km foram de uso urbano, em trânsito pesado.

Para encerrar a semana com “chave de ouro”, o Gol realizou o percurso-padrão de consumo e nele obteve a expressiva marca de 21,3 km/l de gasolina. Lembremos que tal percurso, de pouco mais de 43 quilômetros, é realizado em vias expressas, praticamente de madrugada e em condições sempre iguais (tanque cheio, só motorista a bordo, vidros fechados e sem ar-condicionado ligado), e visa a obtermos uma base de dados que possibilite comparação entre os veículos testados em Um Mês ao Volante.

Atualização anterior

 

Último período

3 dias

701 km

Distância em cidade 141 km
Distância em estrada 560 km
Tempo ao volante 14h 08min
Velocidade média 50 km/h
Consumo médio (gasolina) 13,6 km/l
Indicações do computador de bordo

 

Desde o início

22 dias

2.854 km

Distância em cidade 991 km
Distância em estrada 1.863 km
Tempo ao volante 78h 07min
Velocidade média 37 km/h
Consumo médio (álcool) 9,8 km/l
     Melhor marca média 12,9 km/l
     Pior marca média 7,2 km/l
Consumo médio (gasolina) 13,6 km/l
     Melhor média 14,2 km/l
     Pior média 10,3 km/l
Consumo em percurso-padrão (43,2 km)
     Álcool 14,6 km/l
     Gasolina 21,3 km/l
Indicações do computador de bordo

 

Preço

Sem opcionais R$ 27.990
Como avaliado R$ 35.855
Preços sugeridos, vigentes em 14/9/12; consulte preços de opcionais

 

 

Ficha técnica

Motor
Posição transversal
Cilindros 4 em linha
Comando de válvulas no cabeçote
Válvulas por cilindro 2
Diâmetro e curso 67,1 x 70,6 mm
Cilindrada 999 cm³
Taxa de compressão 12,7:1
Alimentação injeção multiponto sequencial
Potência máxima (gas./álc.) 72/76 cv a 5.250 rpm
Torque máximo (gas./álc.) 9,7/10,6 m.kgf a 3.850 rpm
Transmissão
Tipo de câmbio e marchas manual /  5
Tração dianteira
Freios
Dianteiros a disco ventilado
Traseiros a tambor
Antitravamento (ABS) sim
Direção
Sistema pinhão e cremalheira
Assistência hidráulica
Suspensão
Dianteira independente, McPherson
Traseira eixo de torção
Rodas
Dimensões 5 x 14 pol
Pneus 175/70 R 14
Dimensões
Comprimento 3,895 m
Largura 1,656 m
Altura 1,464 m
Entre-eixos 2,465 m
Capacidades e peso
Tanque de combustível 55 l
Compartimento de bagagem 285 l
Peso em ordem de marcha 947 kg
Desempenho
Velocidade máxima (gas./álc.) 163/165 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h (gas./álc.) 13,4/12,9 s
Dados do fabricante; consumo não disponível