VW Gol: 40 anos em campo e uma coleção de taças

A suspensão mais alta do Rallye podia equipar também o Gol Power, novo topo de linha; as mudanças de estilo e interior do G4 afetavam também Parati e Saveiro

 

O Best Cars analisou as mudanças: “O saldo não é dos melhores, pois o retrocesso em termos de aspecto interno e oferta de equipamentos não teve compensação em outros quesitos — a não ser alguma atualidade de estilo. A Volkswagen poderia ter sido mais generosa na questão dos preços: foram mantidos os do modelo 2005 — deveriam ter baixado, em vista do empobrecimento geral do carro — e deixa de existir uma versão de entrada”.

 

 

Parati e Saveiro logo acompanhavam as alterações. A perua ficava com as versões Plus 1,6 e 1,8 e Comfortline 1,8; desapareciam a Crossover e o motor de 2,0 litros. Na picape as opções eram City 1,6 e 1,8 e Sportline 1,8, esta com suspensão mais alta. O retorno das bolsas infláveis frontais ao menos trazia de volta o painel anterior para quem pedisse tal opcional. Uma conversão para gás natural aprovada pela fabrica, chamada de Triflex por manter a flexibilidade gasolina/álcool original, tornava-se disponível na rede de concessionárias para todos os motores de Gol, Parati e Saveiro. Os modelos 2008 ganhavam apenas detalhes como faróis escuros e nova iluminação do painel em parte das versões.

 

Nova geração de verdade

Passados já 14 anos do lançamento da segunda geração, o mesmo intervalo entre as estreias das duas primeiras, o Gol precisava mesmo de uma reformulação completa — não de reestilizações parciais como as de 1999 e 2005 — para recuperar a atualidade e ganhar apelo no mercado. Essa novidade aparecia em julho de 2008 em sua terceira geração, que nas contas da Volkswagen seria a quinta.

 

A real terceira geração do Gol enfim trazia motor transversal e nova plataforma; estilo e interior melhoravam e os motores AP davam lugar ao EA-111

 

Talvez por ter ela mesma banalizado o termo “geração”, a fábrica o chamou só de Novo Gol e deixou aquele rótulo de lado. Uma pena, pois agora ele merecia: não só a carroceria era toda inédita, mas também a mecânica guardava muito pouco da anterior. Baseado na plataforma de Fox e Polo, o Gol enfim adotava a posição transversal do motor, um padrão quase unânime no mundo em carros pequenos. As linhas estavam bem mais modernas, com faróis alongados e linha de cintura alta, em certo contraste às lanternas traseiras inspiradas nas do modelo de 1980.

 

O nome Voyage reaparecia depois de 13 anos, saltando uma geração, mas as linhas atraentes da dianteira não tinham continuidade na traseira um tanto tímida

 

O interior ganhava painel com instrumentos maiores, posição de dirigir mais agradável, detalhes de acabamento requintados nas versões Trend e Power (havia também a básica) e conveniências como computador de bordo, configurador de funções e volante ajustável em altura e distância. O motor 1,0-litro vinha com as evoluções técnicas da série VHT, como bielas mais longas, e desenvolvia 72/76 cv e 9,7/10,6 m.kgf, enquanto o 1,6 era da mais moderna família EA-111 e tinha 101/104 cv e 15,4/15,6 m.kgf. Não havia mais o de 1,8 litro. A opção de freios ABS retornava.

A Quatro Rodas comparou o Gol Power 1,6 a Fiat Punto 1,4, Ford Fiesta 1,6, Peugeot 207 1,6 16V e Renault Sandero 1,6: “O Gol é um carro menos ambicioso, de acabamento simples, mas transpira qualidade por todos os poros: motor que gira macio e quieto, câmbio suave como faca na manteiga… A relação mais direta entre ação do motorista e reação do carro. O Power custa menos que rivais mais caprichados e é a nova referência em prazer ao dirigir nessa faixa”. Ele foi intermediário em desempenho (atrás de Fiesta e 207 em aceleração) e o segundo melhor em frenagem, mas ficou em quarto lugar em consumo em rodovia.

 

O Voyage estava de volta, agora com quatro portas e opção 1,0-litro; a transmissão automatizada I-Motion com comandos no volante vinha depois

 

O nome Voyage reaparecia em setembro, depois de 13 anos de ausência, em um sedã de quatro portas derivado desse novo Gol, em que as linhas atraentes da dianteira não tinham continuidade na traseira um tanto tímida. Para competir com os sedãs Chevrolet Corsa, Fiat Siena, Ford Fiesta, Peugeot 207 Passion e Renault Symbol em um segmento inferior ao do Polo sedã, ele trazia os motores 1,0 e 1,6 do Gol e versões básica, Trend e Comfortline. A Volkswagen, afinal, reparava o erro de não ter feito essa versão a partir do Gol de segunda geração.

 

 

No comparativo do Best Cars com Siena ELX 1,4, Fiesta Class 1,6, 207 Passion XS 1,6 e Symbol Privilege 1,6, o Voyage Comfortline 1,6 ficou em segundo lugar, prejudicado pelo alto preço: “Fiesta e Voyage são os mais espaçosos. O Voyage tem muito do Polo para o motorista, só que em um pacote de acabamento mais simples. Os motores da Ford e da Volkswagen cativam pelas respostas em baixa rotação, sobretudo o segundo. O Passion é o mais veloz, enquanto Symbol e Voyage aceleram e retomam velocidade mais rápido. O câmbio do Voyage está entre as referências nacionais em maciez e precisão de engates e seu comportamento dinâmico é dos melhores”.

Pouco mudava nos modelos 2010, como painel em dois tons no Gol Power e indicador de manutenção. Os veteranos Gol “G4” e Parati ganhavam a versão Titan, com suspensão elevada, rodas de 14 pol, para-choques sem pintura e acabamento bem simples. O motor flexível era de 1,0 litro no Gol e 1,6 na Parati. No caso da perua básica, as novidades eram rodas de 15 pol e suspensão alta como opcionais. A Saveiro tinha a gama reduzida ao motor 1,6 em três acabamentos: básico, Titan e Surf.

 

A Saveiro ganhava em aspecto e conforto, além de oferecer cabine estendida; a Cross (em laranja) era lançada pouco depois da Trooper (em prata)

 

Ao comparar o Gol a outros modelos de 1,0 litro — Fiat Uno, Kia Picanto e Nissan March —, em 2011, a Quatro Rodas o colocou em terceiro lugar: “O Gol básico é quase tão pelado quanto o Uno. Nivelá-lo em equipamentos ao Picanto significa 40% a mais sobre o preço básico. Na pista, o Gol se mostrou arrasador nas provas de retomada e frenagem e mediano nas de aceleração e consumo. O porta-malas é o maior”.

 

 

Com a reformulação da Saveiro, em agosto de 2009, o estilo bastante atraente tornava-se um argumento diante das concorrentes Chevrolet Montana (ainda a derivada do Corsa, logo substituída pela baseada no Agile), Fiat Strada e Ford Courier. Com distância entre eixos de 2,75 metros, a Saveiro oferecia escolha entre cabines simples e estendida, sendo a caçamba mais curta na segunda para manter o comprimento total.

As versões eram básica, Trend e Trooper, esta com rodas de 15 pol pretas, faróis de neblina, computador de bordo e alguns adereços visuais. O motor 1,6 era o único oferecido e a suspensão traseira mantinha o eixo de torção. Em fevereiro de 2010 vinha a versão Cross, de mesma mecânica da Trooper, mas com rodas de alumínio, faróis de neblina e longo alcance na mesma peça, estrutura de alumínio na caçamba e outros acessórios.

 

O Gol Rallye tornava-se versão de linha com suspensão elevada e decoração alegre; no Ecomotion (em prata), medidas para deixar o velho Gol mais econômico

 

No Best Cars a Trooper enfrentou a Strada Adventure Locker: “Rodar suave, menor consumo e baixa rotação em viagem são pontos positivos na Saveiro, mas seus pneus de asfalto não servem para lama. A Strada é superior em acabamento e espaço de carga, enquanto a Saveiro ganha em posição de dirigir, consumo, câmbio, suspensão e estabilidade. A Saveiro é mais barata, mas também menos equipada — até ar-condicionado e controle elétrico dos vidros e travas são cobrados à parte. No fim das contas, as vantagens da Adventure não justificam a diferença de preço, fazendo da Trooper a escolha de melhor relação custo-benefício, a menos que, pelo perfil de uso mais frequente, o sistema Locker e os pneus de uso misto da Strada sejam determinantes”.

O Gol recebia em maio de 2010 a versão Ecomotion, da geração antiga, com a promessa de reduzir o consumo em até 10%. Vinha com recalibração eletrônica no motor de 1,0 litro (sem afetar potência e torque), diferencial 7% mais longo e pneus mais estreitos (165 em vez de 175) e com menor resistência ao rolamento. Para o Best Cars, “o Ecomotion parece um pouco mais ‘esperto’ por causa dos pneus e da maior pressão que eles usam. Impressiona o elevado ruído interno, até mesmo do vento no para-brisa. No restante, é o bem manjado Gol com suas qualidades e limitações, como a posição de dirigir com banco, volante e pedais desalinhados”.

No mais novo Gol, o “aventureiro” Rallye estava de volta em setembro na linha 2011 como versão regular, com pequenas mudanças estéticas, suspensão elevada e a opção de transmissão automatizada I-Motion de embreagem única. O visual trazia rodas de alumínio de 15 pol com pneus 205/55, faróis de neblina e de longo alcance nas mesmas peças e molduras laterais. A suspensão respondia por 23 mm do aumento da altura de rodagem — outros 5 mm vinham dos pneus maiores. O interior mostrava novos bancos com o logotipo Rallye.

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