Na Peugeot, a linha 307 marcou a conquista do espaço

Embora menos esportivo que o 306, o hatch oferecia amplo interior e também formou família

Texto: Fabrício Samahá – Fotos: divulgação

O primeiro hatchback de porte médio da Peugeot, o 309 de 1985, foi um projeto alheio à marca: a intenção era fabricá-lo pela marca Talbot, assumida pelo grupo francês em 1979, mas a mudança de planos fez com que o modelo de três ou cinco portas ganhasse o emblema do leão na grade dianteira. O 309 dava lugar em 1994 a um hatch “legítimo” da Peugeot, o 306.

Com perfil baixo e esportivo, belo desenho do estúdio Pininfarina e numerosas variações — sedã, perua, conversível —, o 306 foi um grande sucesso: mais de 2,8 milhões de unidades ganharam as ruas até 2002. Quando ele acusava o peso dos anos, porém, a Peugeot buscou algo de formato bem diferente para seu lugar.

O 307 aparecia em 2001 com 15 cm mais de altura que o antecessor; o conceito Cameleo (última foto) sugeria uma picape

O 307 foi apresentado no Salão de Genebra, em março de 2001, como hatch de três ou cinco portas. Se o compacto 206 havia surpreendido em 1998 com a nova filosofia de estilo da marca, o modelo médio apenas a aplicava a um formato maior, com semelhanças dos faróis alongados às largas colunas traseiras. Chamava atenção a altura total de 1,51 metro, nada menos que 15 cm a mais que no 306. O comprimento crescia 17 cm. O coeficiente aerodinâmico (Cx) era apenas bom: 0,31.


As amplas dimensões garantiam um destaque ao 307: espaço interno dos melhores da categoria, que incluía Citroën Xsara, Fiat Stilo, Ford Focus, Opel Astra, Renault Mégane, Toyota Corolla e Volkswagen Golf. Por dentro notavam-se o enorme para-brisa (1,46 m² de área) e o pequeno vidro fixo nas janelas dianteiras, típicos de minivans. Uma espécie de picape de cabine dupla, a 307 Cameleo, apareceu no mesmo salão como carro-conceito.

Com motores de 70 a 138 cv, havia opções variadas na linha 307; o interior trazia seis bolsas infláveis e ar-condicionado automático

Embora a plataforma fosse derivada daquela do 306 e do Citroën Xsara, o 307 inaugurava outros conceitos de suspensão: a traseira usava eixo de torção e molas helicoidais, em vez do sistema independente com braço arrastado e barras de torção, típico dos franceses de outro tempo. A direção tinha assistência eletro-hidráulica, em que um motor elétrico movimenta a bomba.

No conversível 307 CC (Coupé Cabriolet), que chegava em 2003 para suceder ao 306 Cabriolet, um mecanismo guardava o teto rígido sob a tampa do porta-malas

O 307 oferecia motores a gasolina de 1,4 litro (potência de 75 ou 90 cv), 1,6 litro (110 cv) e 2,0 litros (138 cv) e turbodiesel de 1,4 (70 cv), 1,6 (90 ou 110 cv) e 2,0 litros (90 ou 136 cv), com opção de transmissão automática de quatro marchas pouco depois. Freios a disco em todas as rodas eram de série e as bolsas infláveis incluíam frontais, laterais dianteiras e de cortina. Logo após vinha o controle eletrônico de estabilidade.

A linha ganhava duas versões perua em 2002 para o lugar da estranha 306 Break. A 307 Break tinha cinco lugares comuns, enquanto a 307 SW adotava bancos traseiros individuais ajustáveis em distância do assento e inclinação do encosto. O central podia ser rebatido ou retirado e havia opção por mais dois assentos, do modo a transportar sete pessoas. A SW distinguia-se também pela ampla área envidraçada no teto. Com as duas opções, a Peugeot entendia não precisar de uma minivan como a Citroën Xsara Picasso e a Renault Scénic.

Não uma, mas duas peruas: a 307 Break de cinco lugares (em azul) e a SW, com até sete bancos individuais e teto envidraçado

Antecipado por uma versão conceitual, o 307 CC (Coupé Cabriolet ou cupê conversível) chegava em agosto de 2003 para suceder ao 306 Cabriolet. O destaque era o teto rígido com acionamento eletro-hidráulico, que se guardava sob a tampa do porta-malas, aberta no sentido oposto para essa finalidade — no 306 era usada a tradicional capota de lona.


Com três volumes definidos, o CC media 4,34 m de comprimento, mantendo o entre-eixos do hatch, e podia levar 417 litros com a capota aberta (232 com ela guardada). Os bancos ficavam 4 cm mais baixos que no hatch, para uma sensação mais esportiva e para evitar uma capota alta demais que prejudicasse o estilo. Como motor de topo o CC oferecia um 2,0-litros de 180 cv.

No 307 CC o teto rígido era guardado no porta-malas por sistema eletro-hidráulico; o motor de topo fornecia 180 cv

A China foi o primeiro país a ter um 307 sedã, lançado pela marca local Dongfeng em fevereiro de 2004. Embora o teto alto não permitisse um estilo dos mais equilibrados, o três-volumes conseguia ótimo espaço para bagagem.


O 307 passava por sua maior renovação de estilo em junho de 2005, quando a frente adotava uma grande tomada de ar, como a do 407, e descartava a grade superior. Os faróis estavam mais alongados e o capô mais curto. Outras novidades eram faróis opcionais de xenônio, ar-condicionado com duas zonas de ajuste, sistema viva-voz por Bluetooth para celular e opção de rodas de 17 polegadas. O motor 2,0 de 180 cv do CC era estendido ao hatch Feline. Os demais motores disponíveis eram 1,4 de 90 cv, 1,6 de 110 cv, 2,0 de 138 cv (a gasolina), 1,6 de 90 e 110 cv e 2,0 de 136 cv (turbodiesel).

A nova frente de 2005 buscava semelhança com o 407; o sedã 307 (última foto) era lançado na China pela parceira Dongfeng

Sua última novidade na Europa foi o sistema Bioflex para as peruas SW e Break, em 2007, oferecido na França, Suécia e nos Países Baixos. Com tecnologia aproveitada do flexível brasileiro, o motor podia funcionar com E85 (85% álcool, 15% gasolina) e emitir menos CO2 que o similar a gasolina. Em setembro do mesmo ano, com o lançamento do 308, a família 307 começava a sair de produção.

A Peugeot desenvolveu uma versão híbrida conceitual do 307 CC, a Hybride HDi, em 2006. O conversível somava motor 1,6 turbodiesel de 110 cv a um elétrico de 31 cv, o que permitia acelerar como o 2,0 turbodiesel com consumo 30% menor que o dessa versão. Nunca chegou ao mercado, porém.

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