Range Rover, o requinte pronto para todo terreno

Range Rover, o requinte pronto para todo terreno

 
A tradição de requinte foi mantida na terceira geração, que usava sistemas
eletrônicos da BMW, embora a Land Rover já tivesse sido vendida para a Ford

 

O utilitário inglês enfrentou também um comparativo com Lexus LX 470, Lincoln Navigator e Infiniti QX 56 na Motor Trend, do qual saiu vencedor: “O caráter BMW desse inglês é inegável, do ultrassuave motor V8 à precisa caixa automática e à suspensão com estabilidade que parece descender dos famosos sedãs da BMW. O Range Rover exibe também uma solidez germânica e estabelece padrões em robustez”. Apesar da “cabine moderna e arejada”, a falta de uma terceira fila de lugares foi lamentada. “Ele certamente é caro, mas, com todo seu desempenho em estrada e conforto extravagante, é ainda um excepcional veículo fora de estrada”, concluiu a revista.

O programa Autobiography era implantado em 2005, mesmo ano em que o Range Rover ganhava a edição limitada 35th Anniversary para comemorar os 35 anos de produção. Um importante aprimoramento em desempenho vinha, no ano-modelo seguinte, com a versão Supercharged.

Como o nome indicava, o motor V8 de 4,2 litros — agora de origem Jaguar, outra marca sob comando da Ford no PAG — recorria a um compressor para produzir 396 cv e 56 m.kgf, suficientes para acelerar de 0 a 100 km/h em 7,5 segundos e chegar a 210 km/h (limite eletrônico). A versão de aspiração natural e 4,4 litros passava a 305 cv. Entre as modificações visuais estavam para-choque dianteiro com entradas de ar maiores, grade do tipo colmeia, saídas de ar verticais nos para-lamas, faróis (com lâmpadas de xenônio em ambos os fachos e orientação na direção das curvas) e lanternas traseiras renovados e rodas de 20 pol.

 

Range Rover, o requinte pronto para todo terreno
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Novidades em 2005: a série especial comemorativa de 35 anos de mercado e o

programa Autobiography, que acrescentava requinte com um toque pessoal

 

Por dentro, o conforto incluía ar-condicionado automático de três zonas de ajuste (duas dianteiras e uma traseira), aquecedores para todos os bancos, ajuste elétrico dos dianteiros e sistema de áudio Harman/Kardon com sete canais e 14 alto-falantes. Os passageiros de trás desfrutavam o toca-DVDs com telas de 6,5 pol nos apoios de cabeça dianteiros e fones de ouvido individuais sem fio. Os itens de segurança passavam por bolsas infláveis frontais, laterais e do tipo cortina, freios Brembo na versão Supercharged e câmera de visão traseira.

 

O Range Rover passava a ter o sistema Terrain Response, que permitia adaptar por um botão a mecânica ao uso em pisos regulares, terra/neve, areia, lama e piso com pedras

 

O Supercharged enfrentava, na Motor Trend, o Cadillac Escalade em um duelo de muito luxo. “A sensação clássica, limpa da elegante combinação de madeira legítima, couro, plástico de alta qualidade e metais do Rover cativa os olhos, enquanto os bancos e volante aquecidos atendem aos sentidos. Fica evidente que muito dinheiro foi dedicado aos materiais, uma percepção solidificada em como as portas se fecham como a de um cofre. O Rover parece mais um investimento que uma compra”, descrevia a revista. Apesar dessa superioridade, o Cadillac foi julgado melhor opção: “É mais rápido, espaçoso, equipado e barato”.

Um ano depois, em 2007, era a vez de reformular a versão turbodiesel, que ganhava um motor V8 de 3,6 litros com 272 cv (mais de 50% de aumento sobre o antigo seis-cilindros) e 65,3 m.kgf. A 1.250 rpm já estavam disponíveis 40,8 m.kgf, mais que o máximo do motor anterior. Com isso, o desempenho se transformava: de 0 a 100 km/h em 8,5 segundos e máxima de 200 km/h (limite eletrônico), ante 12,7 s e 179 km/h do seis-cilindros. O Range também passava a ter o sistema Terrain Response, que permitia adaptar por um botão no console a mecânica a cinco tipos de terreno (pisos regulares, terra/neve, areia, lama e piso com pedras). O diferencial traseiro ganhava controle eletrônico e toda a linha adotava painel redesenhado, bancos dianteiros com ventilação e para-brisa com isolamento de ruídos.

 

Range Rover, o requinte pronto para todo terreno

 
Retoques como a grade e os faróis vinham no modelo 2006, cujo motor Jaguar V8 de
4,2 litros com compressor marcava o início da substituição de unidades BMW

 

No clube dos 500

O mercado de utilitários esporte mudou muito, e mudou rápido, durante o ciclo de produção do terceiro Range Rover: surgiram o Porsche Cayenne e o Audi Q7 e oponentes já conhecidos, como BMW X5 e Mercedes-Benz ML, foram redesenhados e ganharam versões mais potentes. Os 396 cv da versão Supercharged da marca inglesa já não impressionavam diante dos adversários mais vigorosos — era hora de uma intervenção.

 

 

Aproveitando os laços de família com a Jaguar, a Land Rover aplicava ao modelo 2010 um motor V8 de 5,0 litros com compressor, 510 cv e 63,7 m.kgf. Ao lado do desempenho superior, que o colocava no “clube dos 500” (cv, no caso), o motor de topo trazia soluções para reduzir o consumo e a emissão de gás carbônico (CO2) em 7%, como injeção direta de combustível e variação do tempo de abertura das válvulas.

Por fora, o Range Rover 2010 mostrava leves alterações em grade, para-choques, faróis e lanternas para promover certa atualização a um desenho com quase uma década de mercado. O interior recebia acabamento ainda mais luxuoso e organização de comandos para uso mais simples. O destaque era o quadro de instrumentos “virtual”, com tela de TFT (transístor de película fina) de 12 pol, que podia apresentar diferentes informações e destacar os pontos de maior interesse — no velocímetro, por exemplo — em uma única peça.

 

Range Rover, o requinte pronto para todo terreno
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Range Rover, o requinte pronto para todo terreno

 
O Supercharged estava ainda mais vigoroso para 2010, com 5,0 litros e 510 cv;
faróis e lanternas adotavam leds e o quadro tinha instrumentos “virtuais”

 

No campo da segurança, a Land Rover adotava recursos como controlador de velocidade que mantinha distância segura do tráfego à frente e podia acionar os freios, monitor de veículos em pontos sem visão e cinco câmeras externas para um acompanhamento de 360 graus dos arredores. O Terrain Response vinha aprimorado, com um controle de arrancada em areia e outro para declives muito pronunciados, e o controle eletrônico de estabilidade podia compensar um desvio de trajetória de eventual reboque.

No teste da Autocar, o novo motor impressionou: “Use todo o longo curso do acelerador e você se verá no território de desempenho de um Porsche Boxster. O Range Rover arranca de 0 a 96 km/h em 5,9 segundos. O motor ainda é silencioso, e em velocidades seriamente elevadas o veículo é muito estável”. A revista reconhecia que o utilitário não buscava atender a todos os gostos, “mas se você aceita esse grande e pesado veículo como ele é, este é sem dúvida o melhor Range Rover de todos os tempos, e certamente um dos mais refinados carros de luxo do mundo, de qualquer forma ou tamanho”.

Próxima parte

 

Para ler

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Range Rover: 40 Years of the 4×4 Icon – por James Taylor, editora Crowood Press. O livro de 2010 conta em 192 páginas a história do utilitário, incluindo a versão Sport, que se baseia em outra plataforma (a do Discovery). O autor é especialista na marca.

Range Rover – The Complete Story – por James Taylor e Nick Dimbleby, Crowood Press. Embora antigo (1996), o livro de 208 páginas traz a história do projeto, a evolução e as versões do utilitário britânico.

Range Rover: The First Generation – por James Taylor, Crowood Press. Quem busca informações mais detalhadas pode optar pelos livros de Taylor que abordam gerações específicas. O da primeira, publicado em 2003, tem 208 páginas que incluem dados técnicos, históricos e versões especiais como as comerciais e ambulâncias.

Range Rover: The Second Generation – por James Taylor, Crowood Press. Como o anterior, só que dedicado ao modelo lançado em 1994. São 184 páginas. Publicado em 2005.

Range Rover, 1985-1995 – Gold Portfolio – por R. M. Clarke, editora Brooklands Books. As compilações de Clarke trazem matérias de revistas da época, como testes, comparativos e guias de compra. Esta cobre parte da história da primeira geração, com versões Vogue, Janspeed, Turbo Diesel, Highline, Vogue SE, RoverCraft 4.5, CSK, County SE, Vogue LSE, LWB e Tdi em 172 páginas. Publicado em 1995.

Range Rover 4×4, 1995-2001 – Performance Portfolio – por R. M. Clarke, editora Brooklands Books. A compilação do segundo Range, com 136 páginas, inclui as versões Vitesse, SE, HSE, TD, Overfinch, Callaway e Vogue. Obra de 2003.

Range Rover Takes On the Competition – por R. M. Clarke, editora Brooklands Books. Mais uma coletânea de matérias, esta dedicada a comparativos com modelos como Jeep Cherokee e Grand Wagoneer, Ford Bronco, Toyota Land Cruiser, Mitsubishi Shogun, Isuzu Trooper, Lada Niva, Mercedes ML320 e Classe G, GMC Jimmy, Vauxhall Monterey, Suzuki SJ, Lexus LX 450 e Lamborghini LM002. O livro de 2000 tem 140 páginas.

The Land Rover File: All Models Since 1947 – por Eric Dymock, editora Dove Pub. Quer conhecer toda a história da marca, desde o pioneiro Land Rover? O livro de 2006 traz 368 páginas com modelos como Range Rover, Discovery, Freelander, Range Rover Sport e, claro, o Land Rover original.