Range Rover, o requinte pronto para todo terreno

Range Rover, o requinte pronto para todo terreno

 
O motor V8 vinha em duas cilindradas, 4,0 e 4,6 litros, e havia opção por um BMW
turbodiesel; sua suspensão permitia ajustar a altura de rodagem em cinco posições

 

Do lado de cá do Atlântico, nos EUA, a Motor Trend observava que o novo HSE preservava “todos os atributos que mantêm o Range Rover no topo de sua classe em crescente competição, suplementados por um pacote de desempenho. O venerável V8 ganhou 35 cv e, embora ainda não se equipare a um Grand Cherokee, imbui o utilitário de um novo e muito apreciado vigor. Sua arrancada suave, progressiva atinge 96 km/h em 2 s a menos que na versão de 4,0 litros. A sensação é de que o pesado veículo não mais precisa vencer seu peso para se mover”.

A nova geração aderia em 1997 ao programa Autobiography, pelo qual o comprador podia personalizar seu utilitário com rodas de 18 pol em vez de 16 pol, qualquer cor para a carroceria, revestimento em couro em tom combinando com o externo, sistema de navegação, dois televisores. Uma ampla revisão do Range era apresentada dois anos mais tarde. O motor V8 4,6 ganhava torque em baixa rotação, havia um novo controle de tração, bolsas infláveis laterais dianteiras e mais itens de conveniência, como memória para os ajustes elétricos do banco do motorista e sistema de áudio Harman/Kardon com 11 alto-falantes, toca-CDs para seis discos e controles no volante.

 

Range Rover, o requinte pronto para todo terreno
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O sofisticado ficava ainda mais: o Range Rover Autobiography, com extensa
personalização, e a série de 10 exemplares Linley, com couro até no teto

 

Essa geração contou com diversas séries especiais, como a Kensington e a Vitesse. A primeira vinha em cor verde ou preta com acabamento especial; a outra, em vermelho ou amarelo com itens externos na cor da carroceria e revestimento exclusivo, e ambas traziam o áudio Harman/Kardon. Outra edição, de apenas 10 unidades, era oferecida no fim de 1999: a Linley, com acabamento concebido por David Linley, famoso projetista de mobiliário de luxo — vinha todo em preto, com rodas de 18 pol em tom escuro, detalhes em cromo e aço inoxidável e revestimento de couro até no teto e na cobertura do compartimento de bagagem. Nos EUA surgia uma versão preparada pela Callaway, que acelerava de 0 a 96 km/h em 8,4 segundos.

 

Na terceira geração, elementos eletrônicos vinham do BMW Série 5; também da marca alemã eram os motores iniciais, V8 de 4,4 litros a gasolina e turbodiesel de 3,0 litros

 

Em março de 2000, em comemoração a seus 30 anos de sucesso, o utilitário esporte aparecia na série 30th Anniversary com 500 unidades em verde escuro, dotadas de revestimento interno em verde e bege, volante em dois tons e acabamento de madeira especial. Um ano depois era a vez do Westminster, com interior em cinza e rodas de 18 pol, e do Bordeaux, oferecido só em vinho, com rodas 18 e os motores V8 4,0 e turbodiesel.

Sob a Ford, com as mãos da BMW

Quando a Land Rover passou ao controle da Ford por meio do grupo de marcas de prestígio PAG (Premier Automotive Group), em março de 2000, já tinha em estágio avançado o projeto de um novo Range Rover, elaborado pela antiga proprietária BMW sob o código P322. A terceira geração chegou ao mercado no Salão de Detroit de janeiro de 2002, trazendo novidades expressivas como a estrutura monobloco e a suspensão independente nas quatro rodas.

 

Range Rover, o requinte pronto para todo terreno

 
O terceiro Range Rover: maior, mais pesado e mais confortável, mas com
linhas conservadoras que faziam direta identificação com o modelo original

 

O veículo crescera em todas as dimensões, com distância entre eixos de 2,88 metros (14 cm a mais) e comprimento 20 cm maior, e estava 180 kg mais pesado, apesar do emprego de alumínio no capô e nas folhas das portas. Elementos de estilo dos modelos anteriores eram mantidos, alguns detalhes chegando a lembrar o clássico de três décadas atrás. No interior, sempre sofisticado, as mãos da BMW eram percebidas em elementos eletrônicos como o sistema de áudio e navegação igual ao do Série 5 da marca alemã.

 

 

Da mesma forma, os motores iniciais eram fornecidos pela BMW: V8 de 4,4 litros a gasolina com 32 válvulas (286 cv e 44,8 m.kgf) e turbodiesel de seis cilindros em linha e 3,0 litros (177 cv e 39,7 m.kgf). Também da influência da marca bávara vinham aprimoramentos como câmbio automático de cinco marchas com operação sequencial e controle eletrônico de estabilidade. Não estava mais disponível caixa manual.

Permanecia a regulagem de altura da suspensão comandada a bordo, com curso de 9,4 cm, mas a transmissão tinha novidades como diferencial central Torsen (sensível ao torque) e reduzida que podia ser aplicada mesmo em movimento. O acelerador com gerenciamento eletrônico adotava respostas mais suaves no uso fora de estrada e havia o Hill Descent Control, um controle de velocidade em declives. Tanto o ABS dos freios quanto o controle de tração seguiam parâmetros de funcionamento diversos quando o utilitário saísse do asfalto.

 

Range Rover, o requinte pronto para todo terreno
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Se o monobloco e a suspensão independente visavam ao comportamento no
asfalto, o utilitário continuava valente fora dele, com novos recursos eletrônicos

 

Avaliado nos EUA pela Car and Driver, o novo Range Rover mostrou-se “tão competente quanto sempre. Ele vai de maneira inabalável aonde você o aponta, não importando a inclinação ou a superfície. Em pisos lisos, a direção de pinhão e cremalheira é um grande aprimoramento — a antiga sensação de rodas vagueando ficou no passado. Seu interior é um grande e luxuoso recanto — elegante, ricamente acabado”.

Em outro teste, a mesma revista elogiou “a tecnologia de referência envolta por um pacote de alta qualidade”, mas criticou os controles “insanamente complexos”. E descreveu: “Com nível de ruído de vento surpreendentemente baixo, o Range Rover cruza as autoestradas sem esforço. Altas rotações oferecem o bônus de um generoso som de escapamento do V8. Embora a estabilidade seja previsível, a aderência é limitada por um controle de estabilidade vigilante demais”.

Próxima parte

 

Nas telas

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Quando se precisa de um veículo que associe valentia a um requinte consagrado mundo afora, o Range Rover é uma escolha de sucesso garantido — há mais de 40 anos. O cinema não demorou a perceber isso, como mostra a presença do utilitário britânico em cenas relevantes de filmes de diferentes épocas.

Modelos dos primeiros anos de produção são vistos no suspense Callan (1974) e no filme de ficção científica O Programa Final (The Final Programme, 1973). Da década de 1980 há casos como os da ação 007 contra Octopussy (Octopussy, 1983), da comédia Frankenstein 90 (1984) — já com um modelo de cinco portas — e do musical francês Alive (2004). Na comédia O Jogador (The Player, 1992) vê-se uma versão alongada County SE de 1991, enquanto a comédia Tratamento de Choque (Anger Management, 2003) mostra um dos últimos carros da geração, de 1995.

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O segundo Range Rover aparece na ação Hanna (2011), no drama O Encantador de Cavalos (The Horse Whisperer, 1998), em uma perseguição na ação 007 – O Amanhã Nunca Morre (Tomorrow Never Dies, 1997), na comédia Dr. Dolittle 2 (2001) e no filme de terror Dominação (Lost Souls, 2000).

Versões da terceira geração podem ser vistas na tela na comédia francesa L’Antidote (2005), no filme policial Encurralados (Butterfly on a Wheel, 2007) e em End Game: Crime Perfeito (End Game, 2006), do mesmo gênero.