Toyota Corolla, confiança que já dura 50 anos

A geração 11 japonesa continuava conservadora e mais estreita, mas oferecia versão híbrida capaz de 33 km/l; em branco, a edição especial de 50 anos

 

Uma reforma parcial de estilo vinha em abril de 2010 para o Corolla europeu, com novos faróis, grade, para-choques e lanternas traseiras. O interior recebia volante de base achatada, opção de revestimento em camurça sintética e imagens da câmera traseira no retrovisor. Permaneciam os motores 1,4 e 1,6 (este agora com 132 cv) a gasolina e 1,4 e 2,0 a diesel.

 

Corolla 11: três estilos pelo mundo

O Japão foi o primeiro mercado a ter o décimo primeiro Corolla (E160), em maio de 2012. De linhas discretas, era baseado na plataforma anterior e mantinha-se menor que os de outros países. Além dos motores de 1,5 e 1,8 litro, vinha uma versão hibrida no ano seguinte com o 1,5 associado a um elétrico. Com potência combinada de 100 cv, a economia era o destaque: média de 33 km/l nos testes japoneses.

Os Estados Unidos recebiam a 11ª geração com outro projeto (E170) em junho de 2013. Com algumas ideias do ousado conceito Furia do Salão de Detroit, o sedã evoluía a linhagem estabelecida pelos dois anteriores. Os faróis passavam a usar leds no facho baixo. Bem-vindo era o aumento de 10 cm no entre-eixos; estava também mais largo e baixo. Estranhava-se no interior o painel de linhas retas.

 

Para os EUA o Corolla era mais amplo que no Japão; não havia mais motores além do 1,8-litro; em azul, o controverso modelo reestilizado para 2017

 

Com a extinção do esportivo XRS, apenas motores de 1,8 litro estavam disponíveis, com 132 cv/17,7 m.kgf nas versões L, LE e S e 140 cv/17,4 m.kgf na LE Eco. A transmissão automática, agora CVT, emulava até sete marchas quando em modo manual, controlado pelos comandos no volante. O manual tinha seis marchas. No mês seguinte o Corolla alcançava 40 milhões de unidades.

 

Embora o Brasil tenha recebido a primeira fábrica da Toyota fora do Japão, em 1958, precisamos esperar por 34 anos para ter contato com o Corolla

 

Ao dirigir, a Car and Driver opinou: “A CVT elimina o usual zunido dessas transmissões, em vez disso emulando a sensação de uma automática tradicional, mas sendo mais eficiente e silenciosa. A suspensão do S é mais ‘assentada’, não ao ponto de afetar o conforto”.

Em setembro era a vez do modelo europeu, que dessa vez definiria o estilo para o brasileiro. Além do aumento de espaço, melhorava em aerodinâmica (Cx 0,27) e ganhava conveniência com chave presencial para acesso e partida do motor, assistente para estacionar e câmera traseira para manobras. Havia bolsa inflável também para os joelhos do motorista. Oferecia motores de menor potência: a gasolina de 1,35 litro (99 cv e 13 m.kgf), 1,6 litro (132 cv e 16,3 m.kgf) e 1,8 litro (140 cv e 17,6 m.kgf) e turbodiesel de 1,4 litro (90 cv e 21 m.kgf). Este vinha com caixa automatizada, enquanto outros ofereciam a CVT.

 

O estilo do europeu seria adotado no brasileiro; em cinza, sua remodelação para 2017; já os chineses podem optar entre duas versões de desenho

 

Para a China o novo Corolla estreava em abril de 2014 em duas opções: uma com o nome original e o estilo do europeu, produzida pela FAW-Toyota, e a outra como Levin, com desenho mais esportivo e feita pela Guangzhou-Toyota. Desenho externo à parte, usavam os mesmos motores de 1,6 e 1,8 litro e transmissões (manual e CVT). As versões hibridas estreavam em 2015 com frente diferenciada e motor 1,5 somado a um elétrico. Por sua vez, o hatch era chamado de Auris na Europa, Corolla na Austrália e Scion IM (depois Corolla IM) nos EUA.

 

 

A Toyota iniciava uma renovação parcial em março de 2016: europeu e norte-americano recebiam faróis e grade de perfil mais baixo, novos para-choque e lanternas traseiras, com estilo específico para cada mercado — e controverso no segundo, que lembrava o padrão dos Toyotas Prius e Mirai. Itens de segurança eram monitor frontal com frenagem automática em caso de risco de colisão, alerta para saída de faixa, leitura de placas da via e assistente de faróis altos.

O aniversário de 50 anos era celebrado nos EUA com a série 50th Anniversary Edition, com rodas de 17 pol e teto solar. Já os japoneses apelavam para a nostalgia na edição 50 Limited do Corolla Axio Hybrid, com novas rodas, faróis de leds e interior com couro vermelho, mesmo tom do acabamento do primeiro modelo. O Corolla é produzido hoje em 14 fábricas pelo mundo: Takaoka (Japão) desde 1966, Tailândia (1972), África do Sul (1975), Venezuela (1986), Canadá (1988), Paquistão (1993), Turquia (1994), Vietnã (1996), Brasil (1998), Taiwan (2001), Índia (2003), China (2004), Estados Unidos (2011) e Miyagi Ohira (Japão, 2012).

 

Corolla na Austrália, Scion IM e depois Corolla IM nos EUA, Auris na Europa: com formas mais ousadas, o hatch da linha nunca foi vendido no Brasil

 

No Brasil, o primeiro carro Toyota

Embora tenhamos recebido a primeira fábrica da Toyota fora do Japão, em 1958, para montagem e posterior fabricação do jipe Land Cruiser, aqui rebatizado Bandeirante, precisamos esperar por 34 anos para ter contato com o Corolla. É verdade que a marca cogitou de produzi-lo aqui na década de 1970, mas os planos foram sempre descartados até que a reabertura das importações, em 1990, permitisse sua chegada ao Brasil com menores investimentos.

Nossa estreia foi pelo sedã de sétima geração, em 1992, com motor 1,8-litro de 16 válvulas e 115 cv em versões DX e LE, esta a superior. Compacto, oferecia acabamento bem cuidado e relativo conforto para concorrer com os nacionais Chevrolet Monza, Fiat Tempra, Ford Versailles e Volkswagen Santana e com numerosos importados que chegavam à mesma época, entre eles o arquirrival Honda Civic. Pouco mais tarde chegava a perua Corolla Wagon com a mesma mecânica. Em 1996 era adotada uma faixa de ligação entre as lanternas traseiras.

Em uma manobra ousada, a Toyota brasileira decidia alterar o rumo do modelo para 1998 ao trazer a nova geração europeia, com faróis ovalados (alguns o chamavam de “Corolla de óculos”) e grade perfurada, que muitos associaram a um ralador de queijo. O motor estava menos potente, 1,6 de 106 cv. Embora possa ter conquistado clientes mais jovens, a mudança desagradou a muita gente e exigiu um rápido reposicionamento.

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O conceito

Apesar do grande número de carros-conceito que a Toyota desenvolve, o Corolla raramente esteve envolvido com tais estudos. Um deles é o Corolla Furia do Salão de Detroit em janeiro de 2013, que previu em parte o desenho do modelo norte-americano a ser lançado naquele ano. Rodas de 19 pol e pequenos retrovisores conferiam ar ousado e esportivo, que em parte se perderia na versão de produção.

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