Classe A W168: o pequeno Mercedes que mirou o alto

Com os A160 Classic e Elegance, a Mercedes inaugurava a produção de carros no País; desenho e interior seguiam os do alemão e havia bom aparato de segurança

 

O Classe A no Brasil

Lançado em março de 1999, o A160 foi o primeiro automóvel fabricado no País pela Mercedes, que desde a década de 1950 fazia caminhões e ônibus. Ele estreava em versões Classic e Elegance (mais luxuosa), com motor de 1,6 litro, duas válvulas por cilindro, 99 cv e 14,8 m.kgf. O desenho externo e interno seguia o do modelo alemão, embora com supressão de opções como o teto solar.

 

 

O Classic era simples, com ar-condicionado opcional, mas ambos tinham notável conteúdo de segurança de série: controle de estabilidade e tração, freios com sistema antitravamento (ABS) e assistência adicional em frenagens de emergência, bolsas infláveis frontais. Entre as conveniências havia ar-condicionado automático, indicador de revisões e trocas de óleo de acordo com o estilo de condução, travamento automático das portas ao rodar e retrovisor esquerdo biconvexo. O Elegance podia ter bancos e volante de couro e toca-CDs para seis discos.

Em avaliação de 2001, o Best Cars opinou: “A posição de dirigir em nada lembra as minivans a que muitos comparam o Classe A. O volante fica perto da vertical e o banco pode ser bem abaixado. O espaço surpreende no sentido longitudinal, dado o comprimento do carro. Os bancos são tipicamente alemães, bem firmes. A distribuição de torque e a suavidade de funcionamento do motor fazem prodígios para a cilindrada, deslocando bem o carrinho de 1.085 kg”.

 

O Classe A ganhava desempenho com o A190 de 125 cv, dois anos depois; em seguida a Mercedes o oferecia com caixa automática de cinco marchas

 

Aprovamos também a embreagem automática, “que a marca insiste em chamar de câmbio semi-automático, gerando confusão. Com precisão impecável, o sistema chega a segurar a embreagem por instantes em reduções agressivas de marcha, aquelas que elevariam em muito o regime de giros. No uso urbano, é uma enorme conveniência. Nas saídas em aclive o pé esquerdo fica livre para dosar o freio”. A estabilidade era um destaque: “Pôde ser arremessado nas curvas. Foi preciso abusar do volante para que o controle de estabilidade atuasse. Poderia ser melhor a absorção de impactos e irregularidades, mas é um compromisso difícil diante da altura da carroceria, que exige uma suspensão mais firme”.

 

“A posição de dirigir em nada lembra as minivans a que muitos comparam o Classe A: o volante fica perto da vertical e o banco pode ser bem abaixado”, observou o Best Cars

 

O motor de 1,9 litro aparecia em 2000 no A190, disponível nas mesmas versões. A potência crescia para 125 cv e o torque passava a 18,4 m.kgf. “Percebe-se boa distribuição de torque por todos os regimes. A maciez de funcionamento continua um ponto alto”, analisou o Best Cars. Esse Classe A acelerava de 0 a 100 km/h em 9,4 segundos, com máxima de 190 km/h, e trazia relações de marchas mais próximas entre si para maior agilidade, sendo a quinta encurtada em 19%.

A alteração de transmissão era estendida ao A160, o que melhorava a retomada em marchas altas, ao custo de maiores consumo e ruído em rodovia. O motor passava a 102 cv e 15,3 m.kgf. A edição especial Spirit, um Classic com mais equipamentos, vinha em 2001 com base no A160 e depois no A190. A transmissão automática de cinco marchas chegava em 2002 com operação manual, programa de inverno (útil para pisos de baixa aderência) e adaptação ao modo de dirigir do motorista. Apesar do prejuízo à aceleração (o 0-100 passava de 9,4 para 10,7 segundos), até melhorava o consumo em rodovia.

 

Apesar dos bons motores e detalhes úteis como o limitador de velocidade, o Classe A teve pouco sucesso aqui: não alcançou em seis anos o que deveria vender em um

 

“O funcionamento da transmissão é dos mais suaves e eficientes. A rapidez com que se tira o pé do acelerador determina se a marcha atual será mantida, para gerar freio-motor, ou se uma superior será aplicada, para aproveitar a inércia do carro. A operação manual deixa pouca autonomia ao motorista: não se consegue retomar em marcha alta com o acelerador a fundo (condição de menor consumo), o que provoca redução”, observou o Best Cars. Outras novidades eram controlador e limitador de velocidade, este o primeiro em carro nacional.

 

 

A caixa automática tornava-se padrão no A190 Elegance para 2003, enquanto o A190 Avantgarde aparecia com detalhes externos e internos mais esportivos. O Classic podia ter ambos os motores e mantinha a opção de embreagem automática. Depois disso, o Classe A 2004 ganhava repetidores das luzes de direção nos retrovisores, em vez dos para-lamas, e o modelo 2005 tinha novos para-choques.

O pequeno Mercedes nacional saía de produção em agosto de 2005 após 63,4 mil unidades. Ficou longe do sucesso esperado pela marca: o acumulado de seis anos não atingiu 70 mil unidades, a meta anual de vendas na América Latina. À parte questões culturais e a fama de manutenção complexa e onerosa, foi prejudicado pela alta de quase 50% da cotação do dólar no começo de 1999, que afetou o custo dos muitos componentes importados e o afastou da faixa de preço prevista.

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