Fiat Uno: a grande família e seu último rebento

 

Fiat Uno: a grande família e seu último rebento
Fiat Uno: a grande família e seu último rebento
Fiat Uno: a grande família e seu último rebento

 
Fiorino e Pickup estavam mais longos e com nova suspensão traseira em 1994;
ganhavam ainda motor do Mille e, depois, a versão Trekking da picape

 

A picape Trekking aparecia em 1995 com suspensão elevada, pneus maiores em medida 175/80 R 13, faixas laterais e cobertura marítima na caçamba. O eixo traseiro Ômega tinha a seção central mais alta, lembrando a letra grega, para evitar o contato com obstáculos. A receita de aspecto mais robusto foi tão bem recebida pelo mercado que seria estendida e ampliada por sua sucessora, a Strada, em 1998. O motor 1,6 com injeção era estendido à Elba em versão Top, com cinco portas e para-choques e laterais inferiores em cinza. O Prêmio de duas portas já pertencia ao passado.

Com o Turbo i.e. cumprindo o papel de esportivo, o 1.6R mpi tornava-se desnecessário na família: seu motor foi aproveitado no Uno 1.6 mpi, lançado em 1995, com três e cinco portas e acabamento mais requintado. O Prêmio passava a se chamar Duna e a vir da Argentina (era usado esse nome por lá, assim como na Itália), onde fazia grande sucesso, sobretudo entre os taxistas.

A injeção chegava às versões de 1,0 litro apenas em julho de 1995, quando o Mille Electronic passava a Mille i.e. e o ELX era renomeado EP. A potência chegava a 58 cv, a maior do segmento, mantendo o torque de 8,2 m.kgf; novas rodas de alumínio, alarme e comando de travas a distância tornavam-se disponíveis para esse Uno. No fim do ano a Fiat revelava imagens do Palio, fruto do projeto 178, que chegaria em abril seguinte com a missão de substituí-lo.

 

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Enfim a injeção era aplicada ao Mille: o EP e seu similar mais simples, o i.e., vinham
com mais 2 cv em 1995, às vésperas da substituição dos Unos 1,5 e 1,6 pelo Palio

 

A caminho do fim?

As versões de 1,5 e 1,6 litro do Uno (exceto o furgão 1,5) desapareciam assim que o Palio era lançado, mas os Milles ficavam como opção mais acessível — por um breve período de convívio, estimava-se. A linha 1997 era concentrada na versão SX, de acabamento intermediário entre as anteriores. O motor agora usava catalisador, necessário pelos novos limites de emissões, e atingia 57 cv. A picape e o furgão passavam a vir com o Fiasa 1,5 do Palio, com injeção multiponto e 76 cv, e surgia a versão Working da primeira, desaparecendo a básica e a LX. Meses depois a Elba chegava ao fim, substituída pela Palio Weekend.

 

Para as maiores alterações de estilo da história da primeira geração do Uno, em 2004, a Fiat escolheu uma linha controversa, que não o deixou mais bonito ou moderno

 

Qualquer um esperaria que o carrinho lançado em 1984, cujo estilo pouco havia mudado desde então, sucumbiria à evolução dos concorrentes e à aceitação de seu virtual sucessor. Mas o Uno deu seguidas provas de valentia e continuou no mercado. A versão SX tornava-se EX na linha 1998 — ano em que a picape seria substituída pela Strada — e, em março de 2000, esta cedia lugar à Smart, que trazia nova grade e volante de quatro raios.

A evolução seguinte foi a adoção do motor Fire, em julho de 2001, pondo fim ao Fiasa de 1,0 litro — contudo, sua versão 1,5 ainda seria usada na linha Palio a álcool, anos depois. Embora com 2 cv a menos (55 ante 57 cv), o Mille Fire ficava mais ágil com o torque ampliado de 8,1 para 8,5 m.kgf e disponível em baixas rotações. Além disso, as marcas de consumo melhoravam bastante, com a Fiat divulgando 20 km/l de gasolina no ciclo-padrão rodoviário.

 

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Um ano depois do Smart, com sua nova grade, chegava o Mille Fire: motor mais
leve, maior torque em baixa rotação e fim dos problemas com correia dentada 

 

Com o novo motor, que era 20% mais leve, encerrava-se o problema crônico de baixa vida útil da correia de acionamento do comando de válvulas, agora com troca a cada 100 mil km. O Fire vinha ainda com outros retrovisores, imobilizador eletrônico e novo logotipo na grade. No Uno Furgão, que não seria beneficiado por menor IPI pelo uso de motor de 1,0 litro, outra versão do Fire — a de 1,25 litro — era adotada em 2003. O utilitário foi o único Uno a usar no Brasil esse motor que equipou diversos modelos da linha Fiat, mas o modelo de passageiros o recebeu para exportação.

 

 

As maiores alterações de estilo da história da primeira geração do modelo vinham em fevereiro de 2004. Não se sabe bem a razão — seria uma tentativa de convencer o público a migrar para o Palio, para que o veterano pudesse sair de produção de uma vez? —, a Fiat escolheu uma linha de desenho controversa, que não o deixou mais bonito ou moderno. A frente mostrava uma grade exagerada em tamanho e detalhes, com certo ar de Doblò, e as lanternas traseiras ficavam mais baixas, com um aspecto modesto.

Por outro lado, os faróis passavam a ter refletores de superfície complexa e lentes de policarbonato, os instrumentos vinham mais atuais (os mesmos do Palio) e havia opção de para-choques pintados na cor da carroceria, ao lado da oferta de direção assistida, instalada em concessionária.

 

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Renovado, mas não mais bonito, o Mille ganhava outro aspecto de frente e traseira
em 2004; direção assistida e para-choques na cor do carro eram oferecidos 

 

Ao avaliar o Mille renovado, o Best Cars considerou-o um sucessor para o Fusca: “O que realmente conquista nesse Fiat é oferecer, a um custo imbatível, um conjunto de qualidades que o tornam plenamente viável como carro popular dos tempos modernos. O Mille oferece acomodações melhores que as de carros mais recentes, um motor de concepção atual. Não menos importante, é contemporâneo ao volante: dos freios à suspensão, nada existe no Mille que traga dificuldades ao motorista, mesmo àquele que o dirige em alternância com modelos mais modernos”.

Claro que não havia luxo em nosso carro mais barato: “O interior do Uno é de uma simplicidade franciscana, com chapa aparente nas portas e colunas, plásticos baratos, nenhuma alça de teto. Os ruídos de rodagem dos pneus são ouvidos claramente. Mais relevante é o que ele oferece em praticidade e boas soluções de projeto. Os fininhos pneus 145/80-13 não comprometem e o leve Mille pode ser dirigido com vigor sem maior preocupação. No dia a dia, as respostas rápidas trazidas pelo bom torque em baixa rotação mascaram a baixa potência. Simples, eficiente, ágil, econômico, não resta dúvida: o Millezinho ainda vai longe”.

Em março de 2005 o motor Fire tornava-se flexível em combustível, seguindo a tendência do mercado. A Fiat havia adotado essa tecnologia em 2003 no Palio de 1,25 litro, mas deixou os 1,0-litro para depois por não haver para eles o benefício de menor alíquota de IPI. O Mille saía ganhando em potência (passava de 55 para 65/66 cv, com gasolina e álcool, na ordem) e em torque (de 8,5 para 9,1/9,2 m.kgf). Recebia ainda termômetro do motor no painel e uma grade mais agradável no lugar da bastante criticada do modelo anterior.

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Nas telas

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O Uno pode ser visto em vários filmes europeus, sobretudo italianos. Para ficar entre os que mostram o carro por mais tempo ou em atuações mais relevantes, vale citar os modelos iniciais italianos da ação Target (1985), do terror Un Delitto Poco Comune (1988), da comédia Palombella Rossa (1989) e do drama Una Storia Semplice (1991).

Na ação O Ultimato Bourne (The Bourne Ultimatum, 2007) aparece um modelo da segunda fase italiana como viatura policial. Outro carro dessa fase termina queimado na comédia alemã African Race – Die Verrückte Jagd nach dem Marakunda (2008), filmada na África do Sul. Quanto ao modelo brasileiro, um Mille dos anos 90 está no policial Tropa de Elite (2007).

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O Uno figurou bastante em nossas telenovelas. Em Por Amor (1997), o personagem César (Marcelo Cerrado) dirige seu Uno em alta velocidade e, ao desviar de uma criança na rua, bate em uma árvore. Já um Mille ELX é o carro da família de Irene (Viviane Pasmanter) em A Próxima Vítima (1995). Ele aparece em cenas importantes: na morte da tia, Júlia (Glória Menezes), que é interceptada pelo Opala do assassino e alvejada com um tiro no peito; e depois sendo dirigido pela própria Irene durante uma perseguição ao criminoso da novela. O Prêmio também faz uma ponta no folhetim quando a perversa Isabela (Cláudia Ohana) mata a secretária Andreia (Vera Gimenez) e empurra o carro com o corpo para dentro de uma represa.

Também é possível ver o Uno, mesmo de relance, em Mulheres de Areia (1993), Da Cor do Pecado (2004), Prova de Amor (2005), Insensato Coração (2011-2012), em um acidente na série Presença de Anita (2001), em A Grande Família (desde 2001) e O Astro (2011).

Já a Elba aparece em uma perseguição na novela Era Uma Vez (1998). Em seu Fiat Tipo, Bruna (Andréa Beltrão) persegue Débora (Ângela Figueiredo) que dirige a Elba até que, perdendo o controle do carro, cai em um rio e morre afogada. A perua também surge em Fina Estampa (2011-2012), Paraíso Tropical (2007) e A Grande Família, como num episódio em que serve para venda de pamonha.

Colaborou Thiago Mariz

 

Para ler

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Todos os Fiat – Seguindo o modelo da matriz italiana, a Fiat brasileira lançou em 2011 um livro sobre seus 35 anos de história no País. Com 640 páginas entre as seções em português, espanhol e inglês, traz textos, fotos e dados técnicos de todos os modelos vendidos pela marca, nas principais versões, do pioneiro 147 aos recentes Uno e Bravo. A família Uno, claro, ocupa parcela expressiva da obra, que foi colocada à venda ao público no Salão de São Paulo de 2012.

1001 Dream Cars You Must Drive Before You Die – por Simon Heptinstall, editora Universe. O título é sugestivo: 1001 carros de sonho que você precisa dirigir antes de morrer. São nada menos que 960 páginas com automóveis de todos os tempos, considerados especiais pelas mais diferentes razões. O livro de 2012 aborda 25 modelos da Fiat, incluindo o Uno Turbo.

Great Small Fiats – por Phil Ward, editora Veloce. Entre os “grandes pequenos Fiats” estão modelos desde os anos 30, época do 500A Topolino, até nosso dias (a obra é de 2007). As 176 páginas incluem oito dedicadas ao Uno, que mostram até mesmo o Duna e a Duna Weekend exportados do Brasil para a Itália. Há também carros feitos sob licença da Fiat em outros países, modelos de competição e os chamados “etceterini”, que aqui conhecemos como carros fora de série.

Cento… E Uno Anni di Fiat: Da Agnelli alla General Motors – editora Massari. Livro em italiano publicado em 2000, um ano após a fábrica de Turim completar o primeiro centenário. Tem 144 páginas.

 

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