Troller: a trajetória do jipe que a Ford vai tirar de linha

Troller: a trajetória do jipe que a Ford vai tirar de linha


Com o fechamento de suas três fábricas no Brasil, a Ford deixará para a história uma marca que surgiu como genuinamente brasileira: a Troller, pequeno fabricante de jipes instalado em 1997 na cidade de Horizonte, Ceará. O Best Cars traz aqui um breve histórico da empresa, assumida pelo grupo do oval azul em 2007, e de seus utilitários.

Troller: a trajetória do jipe que a Ford vai tirar de linha


• 1997 – Fundação da Troller Veículos Especiais S.A. O nome, de início grafado com um só “L”, vem da palavra inglesa troll, personagem das lendas escandinavas que habita florestas e cavernas e protege seus visitantes. Depois de testes em ralis começa a venda pública do jipe RF Sport, com motor de 1,8 litro e 99 cv a gasolina da Volkswagen, marca da qual também vêm muitas peças do interior. A carroceria de plástico e fibra de vidro é aplicada sobre chassi com suspensões de eixos rígidos e tração nas quatro rodas.


 1998 – O motor VW de 2,0 litros e 114 cv, ainda a gasolina, melhora o desempenho.

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 2000 – O Troller compete com êxito no rali internacional Paris-Dakar (4º. lugar na categoria novatos) e vence provas brasileiras como o Rally dos Sertões.

• 2002 – O jipe ganha motor MWM turbodiesel de 2,8 litros e 115 cv, freios traseiros a disco, novos eixos e porta traseira, entre outras melhorias (acima). Ainda com faróis retangulares, ele lembra muito o Jeep Wrangler da época.

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• 2003 – Começa a Copa Troller, torneio fora de estrada para os compradores do jipe, com cinco categorias de níveis de dificuldade: Passeio, Expedition, Turismo, Graduados e Master. O jipe T4-M (acima) para uso militar vem com tanque extra de combustível, para-brisa rebatível e outras alterações.

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• 2004 – O ano-modelo marca novidades no T4 (acima): faróis circulares, melhor vedação, mais porta-objetos, freios e transmissão aprimorados. Oferece tração 4×2 ou 4×4 e capota rígida ou de lona.

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O segundo modelo da Troller é apresentado no Salão de São Paulo do mesmo ano: a picape Pantanal (acima), com desenho próprio na carroceria de fibra, 5,25 metros de comprimento e capacidade de carga de 1.100 kg. O motor é o mesmo 2,8. O chassi vem do jipe, mas alongado e com feixes de molas semielípticas na traseira em vez de molas helicoidais.

 2005 – O Troller leva 21 pilotos ao Sertões.

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• 2006 – O motor International turbodiesel de 3,0 litros, 163 cv e 38,7 m.kgf com injeção eletrônica, o mesmo da Ford Ranger, é adotado no T4, assim como outras rodas e amortecedores. A Pantanal enfim chega ao mercado, já com o novo motor e tração traseira ou 4×4.


 2007 – Aquisição da Troller pela Ford, o que concede ao fabricante benefícios fiscais também aplicáveis a sua fábrica de Camaçari, BA.

• 2008 – Após detectar risco de trincas no chassi, a Ford encerra a produção da Pantanal e anuncia a recompra das 77 unidades vendidas.

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• 2009 – O T4 (acima) é renovado em estilo e sobretudo no interior com uso de componentes da linha Ford, caso do painel similar ao do Fiesta. Segundo a marca, foi seu ano recorde em vendas, ajudadas por órgãos de governo e polícias.


• 2010 – A série Expedition (acima) do Troller vem com detalhes em cinza, captação elevada de ar para o motor (snorkel), bagageiro, capa de estepe e bancos com revestimento sintético. Foi limitada a 100 unidades.


• 2011 – Outra edição limitada, a Desert Storm (tempestade no deserto, nome da operação militar dos Estados Unidos no Iraque em 1990), vem com pintura em bege fosco, incluindo a grade e a capota rígida, e dotada de para-choques reforçados, guincho frontal e snorkel (acima).


• 2012 – O Troller T4 (acima) vem com interior da cabine na cor do carro e garantia de dois anos. No Salão de São Paulo o conceito TR-X antecipa o desenho de sua nova geração.

• 2013 – Nesse ano-modelo o T4 recebe motor MWM International de 3,2 litros (ainda de quatro cilindros) com 165 cv, torque de 38,7 m.kgf e menores emissões de poluentes.


• 2014 – Lançamento da segunda geração do T4 (acima), toda desenvolvida pela Ford. Além do novo desenho, o Troller vem com motor Duratorq turbodiesel de 3,2 litros e cinco cilindros (o mesmo da Ranger) com 200 cv e 48 m.kgf, caixa manual de seis marchas, comando eletrônico da tração nas quatro rodas, freios antitravamento (ABS), ar-condicionado automático de duas zonas, teto solar duplo de vidro e rodas de alumínio de 17 pol (leia avaliação). No Salão são mostradas as versões especiais Off-Road, com acessórios fora de estrada, e Rescue, como carro de salvamento.


• 2016 – A edição limitada T4 Bold (acima), de 180 unidades, vem com sistema de áudio com tela de 7 polegadas, navegador e toca-DVDs, captação elevada de ar e pintura diferenciada. A versão de conceito Xtreme aparece no Salão com linhas arrojadas, três lugares e sem capota.


 2019 – O ano-modelo traz central de áudio JBL/Harman com tela de 6,5 pol. Mais tarde vem a versão Trail (acima) com para-choques refeitos, captação elevada de ar, alargadores de para-lamas e protetores de aço dianteiro e traseiro. 


• 2020 – O destaque do Troller TX4 (acima) é a caixa automática de seis marchas da Ranger, com modos de condução normal e Sport e opção de mudanças manuais. Outras novidades são bloqueio do diferencial traseiro por botão no console e maiores ângulos de entrada e saída. Para-choques de aço e seções em azul identificam o TX4, que tem faróis de longo alcance de leds aptos a ficar debaixo d’água por até uma hora (leia avaliação).

• 2021 – A Ford anuncia o fechamento das fábricas de Camaçari (BA), Taubaté (SP) e da Troller em Horizonte, extinguindo a marca, o que deve acontecer no segundo semestre.

Texto: Fabrício Samahá – Fotos: divulgação