Salão: os antigos que contam histórias do automóvel

1. Mitsubishi PX33

Para ver os carros antigos do Salão de São Paulo é preciso, em vários casos, visitar os corredores laterais, mas há também aqueles expostos em estandes de fabricantes. É o caso do PX33 mostrado pela Mitsubishi, o primeiro carro japonês com tração nas quatro rodas. Quatro protótipos do conversível de quatro portas foram construídos entre 1934 e 1937, mas o projeto acabou cancelado. Tinha um grande motor a diesel de 6,7 litros com 70 cv. Uma réplica foi construída para o Rali Paris-Dakar pela Sonauto, representante do fabricante na França, com motor de 250 cv e participou da edição de 1989 da competição, chegando em 30º lugar.

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Texto: José Geraldo Fonseca – Fotos da equipe

 

2. Suzuki Jimny LJ20

O Jimny surgiu como Hope Star ON360 em 1965. Em 1967 a Hope Motor Company foi vendida à Suzuki, o que o fez ressurgir como Suzuki Jimny LJ10, com motor dois cilindros e dois tempos. Em 1972 vinha o Jimny LJ20 com novo motor de 360 cm³ e 28 cv. Existiram versões com capota de metal e lona e direção à direita ou à esquerda. Foi produzido até 1976. O modelo exposto no Salão ao lado do atual Jimny, no estande da marca, é de 1975. Leia mais

 

3. Mercedes-Benz 170 D

Depois de colocar no mercado em 1936 o primeiro automóvel a diesel, o 260 D, a Mercedes lançava em 1949 uma versão da linha 170 V com o mesmo tipo de motor. O 170 D seguia o projeto do sedã quatro-portas médio (4,29 m de comprimento) de 1935, ao qual aplicava uma unidade de quatro cilindros, 1,7 litro e apenas 38 cv. Apesar do desempenho contido, sua economia de combustível e a longevidade da mecânica ajudaram a construir a reputação da marca em modelos a diesel, sobretudo entre taxistas mundo afora. Leia mais

 

4. Romi-Isetta

Versão licenciada do “carro-bolha” italiano Isetta, foi o primeiro automóvel fabricado em série no Brasil, pela Romi, empresa muito conhecida pelos tornos. Lançado em setembro de 1956, tinha apenas uma porta à frente e dois lugares. O motor de dois tempos e 236 cm³, com um cilindro refrigerado a ar e 9,5 cv, permitia 85 km/h e 26 km/l. Mais tarde ganharia motor BMW a quatro tempos de 300 cm³. No Salão estão expostos dois exemplares, um azul e um verde, ambos de 1956. Foram produzidas cerca de 3 mil unidades. Saiba mais

 

5. Volkswagen Sedã 1200 Pé-de-Boi

Versão mais popular de um carro já relativamente popular, o Pé-de-Boi era o 1200 simplificado, dentro do programa de “carros econômicos” incentivado pelo governo federal em 1965. Para baixar o preço foram eliminados frisos, cromados, trava de direção, regulagem dos encostos dos bancos, lavador de para-brisa, basculamento dos vidros traseiros, luzes de direção dianteiras, isolamento termoacústico, indicador do nível de gasolina, tampa do porta-luvas, alças de segurança, iluminação, ar quente e cinzeiros. Ainda, os revestimentos foram simplificados — o das portas deu lugar a painéis de madeirado. Com o mesmo motor de 1,2 litro do Fusca normal, o carro foi um fracasso de vendas e hoje é bastante raro. Leia mais

 

6. DKW-Vemag Fissore

O Fissore apareceu no III Salão do Automóvel, em 1962, e chamou atenção pela beleza das linhas. Com o mesmo motor de 1,0 litro e três cilindros a dois tempos dos demais carros da marca, tinha uma carroceria de duas portas e colunas esbeltas com ampla área envidraçada, projetada pela empresa italiana Fissore. Faz lembrar alguns europeus contemporâneos, como o BMW 700. A marca foi absorvida pela Volkswagen em 1966 e encerrada pouco depois. Leia mais

 

7. Willys Interlagos

Versão licenciada do esportivo francês Alpine A108, o Interlagos foi o primeiro carro com carroceria de plástico e fibra de vidro em série no País, feito em três tipos de carroceria, cupê, berlineta e conversível. O motor traseiro de até 1,0 litro fornecia bom desempenho ao leve esportivo nas versões preparadas para as pistas.

 

8. Willys Interlagos

O Interlagos alcançou grande sucesso nas competições, mas não tanto no mercado — 714 unidades de 1961 a 1966, ano da versão berlineta exposta no Salão. Em 2014 surgiu uma reinterpretação pelas italianas Maggiora e Carrozzeria Viotti sob o nome Willys AW 380 Berlinetta. Leia mais

 

9. Chevrolet Opala

Primeiro automóvel de passageiros da General Motors do Brasil, o Opala teve carroceria baseada na do Opel Rekord alemão, mas com motores de quatro e seis cilindros de origem norte-americana. Foi lançado em 1968. O veículo em exposição no Salão usa a primeira versão do motor de seis cilindros, de 3,8 litros e 125 cv (brutos), com carroceria sedã de quatro portas, que surgiu antes da versão cupê. O interior apresenta banco dianteiro inteiriço e alavanca de transmissão junto ao volante. Leia mais

 

10. Volkswagen SP2

Os esportivos SP1 e SP2, lançados em 1972, foram desenhados e projetados no Brasil. As carrocerias eram iguais: o que mudava eram os motores, de 1,6 litro e 65 cv para o SP1 e 1,7 de 75 cv (brutos) para o SP2. Chamava bastante atenção pelo 1,15 m de altura e pelo para-brisa bastante inclinado. Foi o primeiro carro nacional com cintos de três pontos. O SP2 vendeu bem mais: 10.205 unidades até 1975, contra 88 do SP1. Diz uma estória não confirmada que Michael Jackson tinha um SP2. Fato real é que diversos museus pelo mundo hoje ostentam um exemplar do carro. Saiba mais

 

11. Volkswagen Kombi

Mais longevo modelo produzido no Brasil, a Kombi ganhou fabricação local em 1957, antes mesmo do Fusca, e saiu de linha apenas em 2013. O modelo exposto, de 1960, mostra o desenho de carroceria mantido até 1975, quando o para-brisa tornou-se inteiriço e a suspensão traseira evoluiu. O motor inicial de 1,2 litro daria lugar aos de 1,5 e 1,6 litro, até que em 2006 viesse o 1,4 arrefecido a líquido. Um 1,6 a diesel também foi oferecido. Leia mais

 

12. Dodge Charger

Um dos mais desejados carros esportivos do Brasil na década de 1970, o Charger R/T trazia motor V8 de 5,2 litros e 215 cv (potência bruta), caixa de quatro marchas com alavanca no assoalho, freios a disco à frente e bancos dianteiros individuais reclináveis. O visual de “carro musculoso” norte-americano, apesar de derivado do Dart, era um grande atrativo do cupê, cuja propaganda provocava concorrentes como Opala e Ford Maverick: “Carro esporte com menos de 200 hp é brincadeira”. Leia mais

 

13. Fiat 147

Lançado em 1976, foi o primeiro carro da Fiat fabricado no Brasil, sendo pioneiro em nosso mercado pelo motor transversal. Sobressaía pelo aproveitamento de espaço e por soluções práticas como o estepe junto ao motor. De início com motor de 1,05 litro, depois ganhou o 1,3 e evoluiu para o 147 Europa e para o Spazio até sair de produção em 1986. Rendeu também sedã (Oggi), perua (Panorama), furgões (Furgoneta e Fiorino) e a primeira picape derivada de automóvel no País. Foi derivado do 127 italiano e exportado para muitos países, inclusive na Europa. Leia mais