Bentley encerra seu “seis e três quartos”, o mais longevo V8

 

A Bentley encerrou na segunda (1/6) a produção de seu motor V8, o mais duradouro em produção desse tipo na história do automóvel: foi lançado há 61 anos e teve 36 mil unidades fabricadas. Na fase final a unidade de 6,75 litros (“seis e três quartos”) equipava apenas o modelo Mulsanne, mas em sua longa história ele motorizou vários outros carros da marca e de sua antiga associada, a Rolls-Royce.

 

 

 

O motor V8 da Série L com bloco e cabeçotes de alumínio e comando de válvulas no bloco foi apresentado em 1959, com cilindrada de 6,25 litros, para uso pelos dois fabricantes. A potência era anunciada apenas como “suficiente”, dentro da estratégia comercial do grupo. Essa versão equipou na Rolls-Royce o Silver Cloud II e III, o Phantom V e o VI e o Silver Shadow, e na Bentley, o S2, o S3 e a série T.

 

 

O motor passava a 6,75 litros em 1968. Com o Bentley Mulsanne Turbo, em 1982, o V8 recebia turbocompressor. A nova potência? “Suficiente mais 50%”… mas na Alemanha chegou a ser divulgada como 298 cv. Mais tarde, testes da imprensa com os modelos Turbo R, Turbo RT, Continental R e T e Azure indicaram mais de 400 cv. Em suas várias versões, o “seis e três quartos” equipou na Rolls-Royce os modelos Phantom VI, Silver Shadow, Silver Spirit, Corniche e Camargue, enquanto a Bentley o empregou ainda nos modelos Eight e Brooklands.

 

 

 

O fim de linha parecia próximo quando, já sob comando da BMW, a Rolls-Royce e a Bentley lançaram em 1998 os clones Silver Seraph e Arnage (nesta ordem) com motor V12 de 5,4 litros, no primeiro, e um V8 turbo de 4,4 litros no segundo, ambas as unidades produzidas pelo grupo alemão. Contudo, uma disputa corporativa levou as antigas sócias a se separarem: a Rolls-Royce ficou nas mãos da BMW e a Bentley passo ao comando do grupo Volkswagen. Para não depender da concorrente para fornecimento de motores, a marca do Fusca foi buscar na gaveta o Série L, relançado no Arnage Red Label — opção que teve quase 100% da preferência dos compradores do sedã.

 

 

A última evolução do clássico V8 vinha em 2010 no Mulsanne, com 512 cv, potência que subia para 537 cv na versão Speed. Contudo, com a opção de um V8 da VW e um W12 para outros modelos da Bentley — o Continental e o Flying Spur —, o Série L foi caminhando para a extinção, que veio em definitivo com os padrões Euro 7 de emissões poluentes, logo em vigor na Europa.

Texto da equipe – Fotos: divulgação