Compacto por médio, uma troca em geral emocional

Compacto por médio, uma troca em geral emocional

Considerando os prós e contras, até onde vale a pena
mudar de categoria quando já se tem um bom carro pequeno

 

Um carro maior significa um carro melhor? Melhor em quais aspectos? Que tipos de necessidades são atendidas por um veículo e não por outro? É uma análise minuciosa quando consideramos a progressão de um automóvel compacto a um médio. Essas nomenclaturas do mercado são algo confusas e, para esclarecer o leitor sobre o que será debatido, imagino aquela progressão de um Volkswagen Fox a um Golf, de um Ford Fiesta a um Focus, um Fiat Punto a um Bravo, um Chevrolet Sonic a um Cruze, um Hyundai HB20 a um I30.

A publicidade é muito sedutora e esses médios são mesmo uma tentação: forte apelo no desenho, na esportividade, motores mais potentes, mais tecnologia embarcada. Vale?

 

Os hatches médios são carros puramente emocionais, focados a um público específico disposto a gastar em produtos de forte apelo na imagem

 

Aos que amam carros, parece sempre valer — e não faltam justificativas para o autoconvencimento. Se elencarmos todos os fatores que possam justificar essa progressão, muito poucos são racionais a ponto de dizermos “vale a pena”. Os hatches médios podem ser considerados carros puramente emocionais, focados a um público específico disposto a gastar em produtos de forte apelo na imagem. São usados por gente solteira ou casados sem filhos, em geral mais jovem (ou que quer parecer mais jovem) e desfrutando um bom momento financeiro.

Na ponta do lápis, comparados aos pequenos, os hatches médios entregam — na maioria dos casos — maior desempenho, itens como sistema de áudio de melhor qualidade, acessórios como teto solar, rodas de tamanho maior e, quando há, trem de força com alguma diferenciação. São também maiores que os compactos, o que propicia uma sensação mais ampla no interior e traz algum volume adicional para a bagagem. Por esses e outros diferenciais paga-se mais, naturalmente.

 

 

Impostos emocionais

Nenhum comprador põe na planilha todos os valores dos adicionais, a fim de verificar se o que se cobra tem correspondência ao que se entrega — até porque não é e nunca será. A carga de “impostos emocionais” cobrada nesse segmento é alta, muito alta, e são usados todos os recursos possíveis para fazer parecer adequado o preço final. O objetivo mercadológico desse tipo de veículo é identificar seu proprietário como um legítimo apreciador do que há de bom na tecnologia automotiva.

Há diferenças nítidas no discurso da publicidade. Enquanto os compactos são posicionados como “o mais robusto”, “o mais econômico”, até “o melhor amigo”, os médios são ofertados como “tecnologia de ponta”, “um pecado irresistível”, “design inigualável”. É outra espécie de produto.

 

Aos indivíduos que apreciam automóveis, mas apreciam igualmente um bom negócio, dificilmente eu recomendaria a opção por um hatch médio

 

Decidir ou não pela compra de um hatch médio está diretamente ligado ao tipo de vida que você leva, ao dinheiro que você tem disponível para a compra e a que adjetivos você quer associar sua imagem pessoal. Aos indivíduos que apreciam automóveis, mas apreciam igualmente um bom negócio, dificilmente eu recomendaria um médio. Há compactos muito interessantes em faixas de preço bem abaixo das praticadas pelos médios, bastando saber efetuar a boa escolha. Versões do Fiesta e do Punto, por exemplo, oferecem um nível de equipamentos para lá de razoável e, por valores mais justos, são capazes de agregar uma boa imagem ao proprietário com menor custo fixo — seguro, consumo de combustível e impostos, por exemplo.

E sempre é possível, pelo valor de um compacto mais equipado zero-quilômetro como os que exemplifiquei, a aquisição de um médio com dois ou três anos de uso, já devidamente depreciado, mas com boa dose de exclusividade e tecnologia. Se quiser saber como os donos avaliam seus médios, consulte a seção Teste do Leitor,  uma excelente fonte de informação para uma compra bem assessorada.

Faça sua opção: você necessita mesmo de um médio, ou deseja  ter um médio? Sabendo a diferença entre esses dois verbos, você será capaz de compreender se vale a pena dar tal passo em direção ao andar de cima da tabela de preços.

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