Viagem de férias: os cuidados com o carro e a direção

Editorial

Manutenção em ordem, bagagem bem posicionada e algumas medidas ao volante contribuem para um passeio tranquilo e seguro

 

Enfim, férias! O intervalo no período escolar costuma ser uma boa oportunidade para colocar a família no carro e sair à estrada, mas algumas medidas podem fazer a diferença entre um passeio agradável e uma sucessão de aborrecimentos. O automóvel precisa de cuidados — antes da viagem e durante o trajeto — para exercer sua função do modo mais eficiente e confiável possível. Cuidados que incluem sua manutenção, procedimentos ao volante e até a preparação da bagagem.

 

Cheque também a pressão do estepe: nada mais frustrante que descobri-lo sem condições de uso em caso de pneu furado

 

• A manutenção está em dia? Se não o fez nos últimos meses, verifique itens como correias (a do comando de válvulas, que nem todo motor usa, e a de acessórios como alternador, bomba d’água e ar-condicionado), velas de ignição, óleo lubrificante e seu filtro, lâmpadas em geral, palhetas do limpador de para-brisa e os níveis de fluidos como o de freios, o óleo da transmissão, o da direção com assistência hidráulica (se for o caso) e a água de lavar o para-brisa, à qual se pode adicionar um pouco de detergente neutro. No caso das correias, se ainda não for o momento de substituí-las, vale comprá-las e manter no carro: na hipótese de rompimento é fácil encontrar quem troque, mas obter a peça pode ser difícil.

Ao verificar pastilhas de freio, considere seu uso mais intenso em descidas de serra
Ao verificar pastilhas de freio, considere seu uso mais intenso em descidas de serra

• Atenção especial a freios e suspensão. Quanto material de atrito resta às pastilhas e (se houver) lonas? Considere que uma viagem por serra acentua o consumo desses itens: se tiver dúvida, troque antes. Amortecedores podem ser verificados em oficina especializada, mas um motorista atento ao carro consegue analisar se eles estão contendo bem as oscilações das molas, como ao transpor lombadas e trechos ondulados. Se alinhamento e balanceamento de rodas não foram feitos nos últimos 10 mil quilômetros ou se o carro sofreu impactos mais severos (como em buracos), é bom refazê-los.

• Como estão os pneus? A profundidade mínima de seus sulcos por lei é de 1,6 milímetro (procure pela sigla TWI nas laterais da banda de rodagem: ela indica uma faixa em relevo na banda que coincide com tal profundidade), mas se recomenda usar como limite 3 mm, sobretudo em períodos chuvosos. Desgastes irregulares da banda indicam desalinhamento; cortes e bolhas recomendam sua substituição. Antes da viagem, verifique a pressão dos pneus em casa ou posto próximo, antes que se aqueçam. Para veículo carregado o fabricante indica pressão mais alta. Cheque também a do estepe: nada mais frustrante que ter um pneu furado e descobrir o de reserva sem condições de uso.

• Não é só o carro que merece cuidados preventivos. Prepare lanches para a viagem e os medicamentos de uso mais comum, lembrando que o trajeto pode ser bastante demorado com os congestionamentos comuns nas férias. Antes de sair ou nas paradas do percurso, uma refeição leve evita sonolência ao motorista e enjoo aos passageiros mais sensíveis. Para estes, recomende que olhem mais para a paisagem distante e evitem ler ou usar eletrônicos, que agravam a tendência a enjoar. Usar o ar-condicionado um pouco mais frio também os ajuda.

 

 

• Hora de acomodar a bagagem. Não basta que tudo caiba lá dentro: organize os elementos pesados mais à frente e embaixo, a fim de alterar menos a distribuição de massas. Quanto mais peso na traseira e em posições elevadas, mais se prejudicam a estabilidade e as reações do carro em emergências. Pela mesma razão, pode ser boa ideia acomodar objetos pesados no assoalho, junto aos pés dos passageiros (desde que não haja risco de correr sob o banco e atrapalhar o motorista). Se usar bagageiro no teto, reserve a ele objetos leves e evite os volumosos para menor prejuízo à aerodinâmica. E deixe o triângulo de segurança bem à mão, para que possa ser aplicado sem a remoção da bagagem.

 

Lembre que o carro está diferente do cotidiano: mais pesado, tem reações mais lentas para acelerar, frear e mudar de direção

 

• A traseira arriou com todo o peso? Se a viagem terá uma parcela expressiva à noite e o carro não tem ajuste automático de facho dos faróis (usado apenas quando as lâmpadas são de xenônio de fábrica, mesmo assim não em todo modelo), procure acertar sua altura para iluminar bem sem ofuscar outros motoristas. Use o comando elétrico (infelizmente, cada vez mais raro) ou recorra a uma oficina ou autoelétrica, que regula o facho em minutos.

Traseira baixa ergue o facho dos faróis: sem regulagem, podem ofuscar
Traseira baixa ergue o facho dos faróis: sem regulagem, podem ofuscar

• Já na rodovia, lembre que o carro não está em seu estado normal do cotidiano: mais pesado, tem reações diferentes e respostas mais lentas para acelerar, frear e mudar de direção. Recalcule os tempos para ultrapassar. Em lombadas e valetas, cuidado adicional para não raspar o fundo, que está mais próximo do solo.

• Não esqueça: o uso do farol baixo em rodovias, sempre aconselhado, torna-se obrigatório em 8 de julho — não serve o de neblina. Esquecê-lo é infração média com quatro pontos na Carteira Nacional de Habilitação (CNH) e multa de R$ 85,13 (em novembro passa a R$ 130,16).

• Mesmo os percursos menos saturados tendem a ficar movimentados nessa época. Redobre a atenção, sinalize as intenções (como mudanças de faixa) mais cedo e, se não tiver hábito de dirigir em rodovias, use a regra dos dois segundos para manter distância segura até o carro à frente. Tome um elemento da via, como uma placa ou poste, como referência e, quando esse veículo passar por ele, conte até dois. Se seu carro alcançar o ponto antes, a distância precisa ser aumentada. Em caso de chuva, passe para três a quatro segundos.

• A neblina é uma ocorrência frequente em algumas regiões do País nesse período de inverno. Além do cuidado redobrado com a distância à frente, mantém-se o para-brisa desembaçado ao direcionar para ele ar quente ou — se houver — ar condicionado, que pode ser ajustado para uma temperatura agradável. Não é demais reforçar: mantenha desligado o pisca-alerta, a menos que precise parar. E, se o fizer, que seja longe da rodovia.

Editorial anterior