Mais um ano se vai: 20+15 fatos e curiosidades de 2015

Editorial

 

O dólar subiu, o mercado caiu, as centrais multimídia e edições proliferaram-se, mas lembraremos o ano por muito mais

 

Dois mil e quinze chega ao fim em algumas semanas, trazendo alívio para alguns (parecia que o mau ano não acabaria nunca) e preocupação para muitos outros (há quem preveja um 2016 ainda mais complicado). Para o mercado de automóveis, foi um ano de grande turbulência e queda acentuada de produção e vendas, mas que teve também boas, ou pelo menos curiosas, notícias para quem acompanha o mundo do carro.

Em nosso último editorial de 2015 (embora o site ainda tenha mais uma semana de atualizações até nossa habitual parada), selecionei 20+15 fatos que virão à mente quando, em tempos mais tranquilos, nos recordarmos deste período. Assim, 2015 foi o ano em que:

1) …a cotação do dólar começou o ano em R$ 2,69, atingiu mais de R$ 4,10 em setembro e deve fechar ao redor de R$ 3,80, aumento de mais de 40% sobre o valor inicial, com severo impacto no custo dos carros importados.

2) …mais de 30 séries especiais foram lançadas. São um expediente comum em tempos de vendas fracas, tanto por chamar atenção a baixo custo (às vezes, pouco mais que um jogo de adesivos) quanto por melhorar, ao menos em alguns casos, a relação custo-benefício do carro mediante acréscimo de equipamentos. Vimos chegar pela Chevrolet o Onix Seleção, o Prisma Advantage e o Cobalt Graphite; pela Fiat, o Uno Way Rio 450, o Palio Best Seller, o Uno e o Palio Sporting Blue Edition, o Linea Blackmotion e a série Extreme para Strada, Weekend, Idea e Doblò; pela Hyundai, o HB20 Spicy e o HB20S Impress; pela Land Rover, o Discovery Black e o Raw, o Range Rover Evoque Style, o Dynamic Black e o London e ainda o Range Rover Sport Tech S; pela Mitsubishi, o ASX O’Neill, o Pajero HPE-S e as L200 Savana Off e Triton Chrome; pela Peugeot, o 308 Quiksilver; pela Renault, o Logan Exclusive, o Sandero Stepway Rip Curl e o Duster Dakar; e pela Volkswagen, as edições Rock in Rio de Gol, Fox e Saveiro e a Amarok Dark Label.

 

Fiat Uno Rio 450 02
Range Rover Sport Tech S

 
De Uno Rio 450 a Range Rover Sport Tech S, houve série especial para (quase) todos os bolsos

 

3) …três fabricantes lançaram modelos nacionais no segmento de utilitários esporte compactos — Honda HR-V, Jeep Renegade e Peugeot 2008 —, tirando a tranquilidade do Ford Ecosport, antigo líder da classe e hoje apenas em quarto lugar em vendas.

4) …dois fabricantes anunciaram picapes em uma categoria inédita, intermediária entre as pequenas e as médias conhecidas: a Renault Duster Oroch, já no mercado, e a Fiat Toro, que sai em fevereiro.

5) …um carro brasileiro passou pela mais bem-sucedida reestilização já vista na história “deste país”. Não que o Chevrolet Cobalt 2016 tenha ficado maravilhoso: o anterior é que era uma aberração, um atentado ao bom gosto. Tudo é relativo, certo?

 

A gasolina brasileira passou a ter 27% de álcool, cada vez mais distante do padrão pelo qual os motores são calibrados: os usineiros agradecem

 

6) …um modelo nacional do segmento de entrada recebeu o motor mais moderno em produção no País: o Volkswagen Up TSI, com um brilhante 1,0-litro turbo de três cilindros e 105 cv.

7) …começou a produção (em alguns casos, montagem) brasileira de modelos como Audi A3 Sedan, BMW Série 1 (primeiro com desenho defasado, depois com o novo estilo) e X3, Chery Celer, Mini Countryman, Nissan Versa e VW Jetta. E foi confirmada a do Range Rover Evoque, antes mesmo do Land Rover Discovery Sport.

8) …o Brasil voltou a produzir (ou montar) um carro com motor de seis cilindros em linha, 17 anos depois da extinção do Chevrolet Omega: o BMW X3 35i, com um 3,0-litros turbo de 306 cv. Pena que sua faixa de preço, R$ 290 mil, esteja “um pouco” acima da ocupada por Opalas e Omegas no passado.

9) …uma picape Renault nacional com origem na marca romena de baixo custo Dacia (Duster Oroch), vendida abaixo de R$ 70 mil, adotou uma sofisticada suspensão traseira independente multibraço, a primeira em um veículo do gênero por aqui.

10) …um sedã Audi nacional com origem na marca alemã de prestígio, vendido acima de R$ 150 mil com os opcionais disponíveis (A3 Sedan 1,4-litro), abriu mão da suspensão traseira independente multibraço em favor de um simplório eixo de torção. Talvez seja o carro mais caro do mundo com esse tipo de suspensão, o mesmo dos modelos mais baratos do mercado.

11) …a Renault ousou entrar no segmento de hatches esportivos no Brasil com o Sandero R.S. 2.0, seu primeiro modelo local com a grife Renault Sport. Que seja seguida.

12) …a Renault não ousou voltar ao segmento de sedãs esportivos no Brasil: embora tenha lançado o Fluence GT2 com motor turbo, restringiu-o ao mercado de origem, o argentino. Para nós veio apenas o pacote visual GT-Line. Que não seja seguida.

 

Renault Duster Oroch Dynamique
Audi A3 Sedan

 
Picape Renault de R$ 70 mil e sedã Audi de R$ 150 mil: qual deles tem suspensão multibraço?

 

13) …a integração a telefones celulares nos sistemas multimídia foi a tônica de várias marcas, que adotaram ou anunciaram tecnologias como Mirror Link, Android Auto e Apple Car Play, em sintonia com o interesse cada vez maior das pessoas por eletrônicos e menor pelo ato de dirigir.

14) …modelos de antiga geração foram reformados para o mercado brasileiro, que permanece privado de seus sucessores à venda em outros países: o Hyundai IX35 e os Peugeots 308 e 408.

15) …a Volkswagen não só trouxe uma moderna perua média, a Golf Variant, com motor movido apenas a gasolina, como ousou oferecê-la com caixa de câmbio manual. Mais contrária que isso à moda, só mesmo se não existisse na cor branca.

16) …a Mercedes-Benz foi mais uma a lançar modelos flexíveis em combustível, as versões 200 de Classe A, Classe B, CLA e GLA. Agora, até os compradores da marca da estrela podem ter um carro capaz de rodar com gasolina ou álcool, mas que deve rodar só com gasolina, pois o preço do álcool não compensa seu consumo em lugar nenhum do País.

17) …a gasolina brasileira passou a ter 27% (oficiais, é claro) de álcool, cada vez mais distante do padrão de 22%, pelo qual os motores são calibrados, e da faixa de até 10% que se usa mundo afora. Os usineiros agradecem à presidente da República; os donos de carros… Ora, de que importam? Que paguem seus impostos e parem de reclamar.

18) …a Volkswagen foi pega em uma manobra para que seus carros a diesel passassem em testes de emissões poluentes, embora no mundo real emitissem muito mais, o que causou ao grupo um prejuízo de bilhões de dólares e uma incalculável perda em imagem.

19) …foi zerada (ou apenas reduzida, de acordo com o tipo de veículo e sua eficiência) a alíquota do Imposto de Importação para carros elétricos. Resta saber se, na hipótese de uma chegada em massa, o Brasil terá eletricidade para recarregá-los.

20) …as versões de entrada do Porsche 911 ganharam motor com turbocompressor, mostrando que a tendência é inevitável mesmo em carros esporte.

 

 

Cilindros, cada vez menos

21) …a Chevrolet voltou a oferecer (nos Estados Unidos) um motor de quatro cilindros no esportivo Camaro, o que não acontecera nos últimos 30 anos. Ao contrário do anêmico 2,5-litros de 1985, porém, o novo motor é um turbo de 2,0 litros com saudáveis 275 cv.

22) …a BMW passou a oferecer (na Europa) um motor de três cilindros para o Série 3, apenas metade do número que criou uma das melhores tradições da marca. A redução de tamanho dos motores (downsizing) veio mesmo para ficar.

23) …a Nissan confirmou que importará ao Brasil em 2016 o superesportivo GT-R, a tempo de fazê-lo antes que saia de produção, pois foi lançado há nada menos que oito anos.

24) …a Ford não confirmou se importará ao Brasil o esportivo Mustang, embora haja expectativa de que ele também chegue em 2016. Ao menos o carro é novo lá fora e ainda tem tempo para ser adiado por uns bons anos.

 

Nissan GT-R
Ford Mustang GT 03

 
O Nissan GT-R demorou oito anos para vir, mas está confirmado; já o Ford Mustang…

 

25) …a BMW redesenhou o utilitário esporte X1 e adotou tração dianteira nas versões de entrada, em vez da antiga traseira, como já ocorrera na minivan Série 2 Active Tourer. Parece que era sério quando a marca de Munique anunciou que, segundo pesquisa, a maior parte dos compradores não fazia ideia de quais eram as rodas motrizes de seu BMW.

26) …a Alfa Romeo mostrou que o cuore sportivo (coração esportivo) ainda bate e deu passos decisivos para se reerguer, com o lançamento do potente sedã Giulia e o anúncio de outros lançamentos.

27) …a Bentley ingressou no rentável mercado de utilitários esporte com o Bentayga, superluxuoso e com motor de 12 cilindros e 608 cv, e a Jaguar com o F-Pace. No movimento sem-SUV restam Maserati (não por muito tempo), Lamborghini (idem), Aston Martin e Ferrari… por enquanto.

 

O BMW X1 adotou tração dianteira: era sério quando disseram que os compradores da marca não sabiam quais as rodas motrizes de seus carros

 

28) …a Mercedes-Benz relançou uma versão conversível do Classe S, seu modelo de topo, ausente da linha desde 1971.

29) …a Honda trouxe de volta a sigla NSX do carismático esportivo feito entre 1990 e 2005. O novo NSX tem propulsão híbrida, 573 cv e uma sofisticada tração integral.

30) …a Toyota iniciou as vendas (em abril no Japão) do primeiro carro com pilha a combustível, aquela tecnologia que todos previam para um futuro que parecia nunca chegar. Chegou, mas a inovação não vai sair barata para o fabricante: estima-se que o valor do prejuízo a cada unidade vendida do Mirai seja o dobro de seu preço.

31) …a Mazda apresentou um esportivo conceitual, o RX-Vision, no Salão de Tóquio com a proposta de trazer de volta o motor rotativo criado por Felix Wankel. A marca japonesa é, desde a década de 1980, a única a manter o desenvolvimento desse tipo de motor sem pistões.

32) …chegamos, em 21 de outubro, à data à qual Marty McFly viajava no futuro em um DeLorean, 30 anos à frente de seu tempo, no segundo filme da série De Volta para o Futuro. Contrariando as previsões da época, os carros de 2015 ainda não voam.

33) …chegou ao fim a produção de dois supercarros híbridos: o Porsche 918 Spyder, em junho, e o McLaren P1, em dezembro, ambos lançados no mesmo ano de 2013. E do Bugatti Veyron (em fevereiro), bem mais longevo, que durou 10 anos.

34) Também se foi, talvez para sempre, a versão Evolution do Mitsubishi Lancer. A expectativa é de que um crossover tente ocupar seu lugar no mercado. Resta saber se os fãs aceitarão a sensação de dirigir sentados no teto do Evo.

35) …o Best Cars ganhou um novo visual, em junho, com adaptação a variados dispositivos e resoluções de tela, e completou 18 anos em outubro. E continuará a trazer em 2016 o melhor (e, vez ou outra, também o pior) do mundo do automóvel para sua informação e seu entretenimento.

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Fotos: divulgação