Foi um ano atípico, mas 2020 também trouxe aprendizado

Editorial

Lançamentos adiados, eventos pela internet e recuperação do mercado em um período conturbado

Vai chegando ao fim um ano atípico para qualquer um de nós. Quem esperaria, em 1º. de janeiro de 2020, que o novo coronavírus então recém-detectado na China provocaria tantas mudanças em nossas vidas? E não foi diferente para o mercado de automóveis e a imprensa que trata do assunto.

Os emplacamentos de veículos de acordo com a Fenabrave indicaram queda de 23% nos 11 primeiros meses deste ano em comparação a igual período de 2019, mesmo com a grande recuperação de vendas na fase final (novembro ficou só 3% abaixo do mesmo ano de 2019). A produção, contudo, está demorando a voltar aos padrões de antes por falta de componentes, fenômeno que o Brasil tem registrado em diferentes áreas de produção e comércio.

Foi um ano atípico, mas 2020 também trouxe aprendizado

As marcas tiveram de se adequar à inesperada situação: novidades que, em tempos normais, mereceriam grandes eventos foram mostradas à imprensa apenas pela internet

Foi um ano atípico, mas 2020 também trouxe aprendizado

Foi um ano atípico, mas 2020 também trouxe aprendizado
Lançamentos como os de Nivus (foto), Strada e Tracker tiveram de se adaptar ao virtual

O ritmo de lançamentos da indústria foi bastante abalado pela fase inicial da pandemia, quando concessionárias foram fechadas, a circulação de pessoas diminuiu drasticamente e eventos de imprensa presenciais se tornaram inviáveis. Exemplo clássico foi o do Chevrolet Tracker: estava tudo preparado para uma grande reunião de jornalistas (incompleta, porém, pois o Best Cars não foi convidado) em São Paulo, em março, quando as medidas de isolamento social forçaram a General Motors a cancelar tudo e limitar-se a um evento virtual.

O lançamento da Ford Ranger Storm no Rio Grande do Sul também foi substituído por apresentação na internet. Outra picape média, a Volkswagen Amarok com motor de 258 cv, acabou demorando seis meses a chegar ao Brasil após a apresentação para a imprensa brasileira na Argentina ser abortada.

Na Fiat a pandemia pegou a divulgação da nova Strada pela metade: apenas quem já havia dirigido o carro em evento prévio pôde publicar sua avaliação. Para os demais, ao menos o fabricante foi rápido e ofereceu o produto para empréstimo imediato após a apresentação virtual.

Outras marcas tiveram de se adaptar à inesperada situação. Novidades como o Ford Territory e o Volkswagen Nivus, que em tempos normais mereceriam grandes eventos, foram mostradas apenas pela internet. Para mídias como o Best Cars, o Nivus foi oferecido para teste logo em seguida e o Territory até antes da apresentação — o empréstimo antecipado sempre ocorreu para as grandes revistas, mas era incomum para sites como o nosso.

Foi um ano atípico, mas 2020 também trouxe aprendizado

Foi um ano atípico, mas 2020 também trouxe aprendizado

Novo formato

Quando os lançamentos presenciais aos poucos voltaram, tiveram de mudar de formato. Nada de jornalistas rodando juntos nos carros ou de transporte em van ou ônibus de São Paulo até a cidade do evento: no Peugeot 208, por exemplo, o convidado retirava o carro em uma concessionária paulistana e nele seguia até a pista de testes do Haras Tuiuti, onde podia dirigir a versão elétrica.

No fim das contas, o que podia parecer uma solução de compromisso foi, a meu ver, uma importante mudança de padrões. A indústria foi forçada a deixar de lado os grandes eventos nacionais e as frequentes viagens aéreas — em alguns casos, passava-se mais tempo em aeroportos do que trabalhando acerca do veículo. Em seu lugar veio a eficiência: demonstrações virtuais e eventos mais curtos e regionalizados.

Foi um ano atípico, mas 2020 também trouxe aprendizado

Sem os salões o público perdeu sua oportunidade de ver os lançamentos e carros-conceito pessoalmente, mas à imprensa foi possível apresentá-los com mais tempo

Foi um ano atípico, mas 2020 também trouxe aprendizado

Foi um ano atípico, mas 2020 também trouxe aprendizado
Eficiência: o jornalista retirava o 208 em uma concessionária e seguia até a pista de testes no interior

A pandemia também abalou os salões do automóvel: foram todos cancelados este ano, a começar pelo de Genebra, a poucos dias da abertura em março, e chegando ao de São Paulo, que antes do vírus já enfrentava o êxodo de fabricantes. Sem os eventos presenciais o público perdeu sua oportunidade de ver os lançamentos e carros-conceito pessoalmente, mas do ponto de vista jornalístico foi possível apresentá-los com mais tempo, sem as dezenas de novidades simultâneas.

Para o Best Cars, este também foi um ano desafiador. Como em qualquer mídia que lida com novidades do mercado, o site teve dificuldade em oferecer bons assuntos durante a pandemia, como comentei aqui em abril. O ritmo de testes demorou para se recuperar e o de notícias até hoje não retomou o padrão anterior — há dias em que percorremos nossas fontes mundo afora sem encontrar algo realmente interessante para mostrar.

O mercado publicitário teve forte retração nos primeiros meses de pandemia, quando tudo parecia estar suspenso à espera de um retorno à normalidade que ainda não ocorreu. Por outro lado, o êxito da Auto Livraria, lançada em janeiro e prestigiada por bom número de leitores, tem contribuído de forma decisiva para sustentar o site. Se você ainda não se tornou cliente, sempre há tempo.

Como será 2021? Em meio à expectativa pelas vacinas e às dúvidas sobre a situação econômica, desejo que no novo ano tenhamos mais fé, paz e esperança. Que os momentos difíceis de 2020 sejam fonte de aprendizado e que, com a vida de volta ao normal ou adaptada ao “novo normal”, possamos seguir em frente para um ano bem melhor.

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