Férias na Fórmula 1. Férias?

Férias na Fórmula 1. Férias?

A categoria inicia seu retiro de verão, mas os trabalhos não
cessam: há muito o que fazer nessas três semanas

 

Com a bandeirada que marcou o fim do Grande Prêmio da Hungria, os profissionais da Fórmula 1 iniciam aquele período que é conhecido como o descanso de verão (afinal, o centro da categoria é europeu e no hemisfério Norte estamos no período mais quente do ano). Entre as quatro semanas que separam o dia 29 de julho, dia da etapa húngara, e o início da semana do dia 2 de setembro — data do GP da Bélgica, no mítico circuito de Spa-Francorchamps —, a categoria entra em férias, as fábricas interrompem atividades e seus profissionais vão curtir merecidas férias no alto verão europeu.

Bom… Claro que não é bem assim. E as equipes fazem de tudo para evitar que esse período de inatividade no meio da temporada seja simplesmente jogado pelo ralo, com o tempo de seus profissionais sendo consumido pelo ócio. Assim, as equipes dão um jeito para fazer com que sua força de trabalho siga ativa, direto de suas casas ou escritórios remotos, e que ela siga desenvolvendo, de uma forma ou outra, as novidades que farão a metade final da temporada de Fórmula 1.

Considerando que a etapa húngara fecha uma rodada dupla em conjunto com o GP da Alemanha e que essas são a 10ª e a 11ª etapas de um total de 20 na temporada de 2012, podemos dizer que a bandeirada final na Hungria também marca o fim da primeira metade do campeonato mundial. E, do início de setembro ao fim de novembro, teremos uma maratona de nove etapas que fechará a temporada de Fórmula 1. Ou seja, aquele que encontrar, nesse intervalo de três semanas, um detalhe que der a sua equipe uma vantagem, por menor que ela venha a ser, pode fazer com que o campeonato — que parece definido nesse momento — volte a se abrir.

Por isso mesmo, o esforço é válido e é importante: uma novidade pode significar um diferencial bem-vindo nesse momento em que o campeonato ainda está em aberto, apesar de um dos nomes já ter despontado como favorito ao título (tema de recente coluna). Isso depois de duas vitórias consecutivas e mais um fim de semana em que, apesar de não ter obtido resultado razoável, conseguiu abrir mais alguns pontos de vantagem sobre os adversários.

Os nomes da segunda metade

Fernando Alonso é o cara dessa primeira metade de campeonato. Poucos eram os que imaginavam que a Ferrari conseguiria escapar de mais um ano de irrelevância na categoria, depois de uma pré-temporada desastrosa e de um início de campeonato bem abaixo de seus concorrentes. E o espanhol conseguiu mudar o status da equipe, carregando o carro nas costas em algumas situações e fazendo com que a Ferrari, que não se saiu bem nos testes de pré-temporada, se tornasse uma candidata ao título mundial graças — quase que só — a seu talento e sua liderança dentro da equipe.

Mas o espanhol não é o único a despontar como postulante ao título. Como mal chegamos no meio do campeonato, muita coisa ainda pode acontecer. Podemos citar os integrantes da Red Bull como um exemplo de que a situação ainda não está definida. Mesmo que Mark Webber e Sebastian Vettel não estejam com Alonso em sua alça de mira no momento, se porventura Adrian Newey acertar a mão nesse intervalo de três semanas a situação pode mudar — e os pilotos da Red Bull voltarem à briga pelo campeonato. Da mesma forma, se a McLaren de Lewis Hamilton acertar a mão, o inglês é outro que pode entrar na briga pelo título.

Na situação em que o campeonato está, o maior interesse por parte de Alonso é em que os pontos do campeonato fiquem pulverizados. Nesse ponto, o crescimento de Jenson Button e da Lotus de Kimi Räikkönen e Romain Grosjean pode ser útil para o espanhol. Afinal, quanto mais gente conseguir as principais colocações e mais gente ocupar posições nos pódios, menos pontos ficam concentrados nas mãos dos maiores adversários. Foi isso que aconteceu em Hungaroring e é por isso que, apesar de não ter sido uma jornada feliz na Hungria, Alonso conseguiu aumentar sua vantagem sobre os rivais na briga pelo título.

O que acontecerá na volta das férias? É o que saberemos no início de setembro.

Coluna anterior