Novo Fusca, muito mais que um “besouro” atualizado

Novo Fusca, muito mais que um "besouro" atualizado

 

A Volkswagen mira um alvo e acerta outro: ao lado do
carisma, o carro traz esportividade à altura de um Golf GTI

Texto: Fabrício Samahá – Fotos: divulgação

 

Aquele que talvez seja o mais carismático automóvel já vendido no Brasil está de volta, reinterpretado. Com o sucessor do New Beetle, a Volkswagen retoma o nome Fusca que, embora adotado como oficial apenas em 1984, identificou desde os primeiros anos o simpático carrinho inspirado na forma de um besouro. O uso do nome ou apelido pelo qual o modelo original era conhecido, em cada país, foi autorizado pela VW alemã nesta nova geração, que apenas em mercados de língua inglesa continua a se chamar Beetle.

Como o modelo anterior, o novo Fusca vem do México e foi desenvolvido sobre a plataforma do Golf, só que de geração mais moderna (a sexta europeia, enquanto o carro de 1998 tinha como base o Golf lançado um ano antes na Europa e ainda em produção aqui). Ao contrário do New Beetle, porém, ele chega ao Brasil em uma versão bastante “quente” em termos de motorização, com a conhecida unidade de 2,0 litros com turbocompressor e injeção direta que serve também ao Jetta TSI e ao Tiguan. Seus 200 cv não deixam saudades dos parcos 116 cv do antecessor.

O preço básico de R$ 76.600 (que passa a R$ 81 mil com câmbio automatizado DSG de dupla embreagem) inclui interessante conteúdo de série, como freios com sistema antitravamento (ABS), controle eletrônico de estabilidade e tração, bolsas infláveis frontais e laterais dianteiras, faróis e luz traseira de neblina, alarme, assistência para saída em aclive, câmbio manual de seis marchas, rodas de 17 pol com pneus 215/55, ar-condicionado, bancos dianteiros com regulagem de altura, volante ajustável em altura e distância, interface Bluetooth para telefone celular, computador de bordo, rádio/CD/MP3 com tela sensível ao toque, volante revestido em couro, controlador de velocidade e sensores de estacionamento à frente e atrás. Os bancos vêm em preto ou bege.

 

Novo Fusca, muito mais que um "besouro" atualizado
Novo Fusca, muito mais que um "besouro" atualizado
Novo Fusca, muito mais que um "besouro" atualizado

 
Mais longo, largo e baixo que o New Beetle, ele se inspirou mais no Fusca
original que o antecessor, como se vê na cabine recuada e menos arredondada

 

Os opcionais são volante multifunção (com comandos de marchas no caso do DSG), ar-condicionado automático de duas zonas de ajuste, retrovisor interno fotocrômico, limpador de para-brisa automático, teto solar panorâmico de controle elétrico, rodas de 18 pol com pneus 235/45, revestimento interno em couro (preto, bege, preto com azul ou vermelho com preto), faróis bixenônio com luz diurna em leds, sistema de abertura de portas e partida do motor sem uso de chave, navegador integrado ao rádio e sistema de áudio Fender (marca norte-americana que é tradicional em guitarras e amplificadores) com potência de 400 watts. A garantia é de três anos.

 

O interior foi inspirado no do VW original na ampla faixa horizontal do painel, com um segundo porta-luvas que é puramente Fusca, e nas alças emborrachadas para apoio dos passageiros

 

Com que carros o Fusca vem competir? O adversário mais direto em proposta, o Mini Cooper S de 184 cv, custa muito mais (R$ 105.500). Alternativas mais próximas em preço são o Citroën DS3 (165 cv, câmbio apenas manual, R$ 79.900) e o Audi A1 Attraction (122 cv, câmbio automatizado, R$ 94.900). Todos eles têm três portas e perfil jovial, quando não esportivo, mas nenhum pode se vincular a um histórico no Brasil como o do Fusca.

Ainda mais Fusca

Quando a onda dos carros com estilo nostálgico ganhou força — logo após o New Beetle nasceram outros como o Mini da BMW, o Chrysler PT Cruiser e o Ford Thunderbird —, muitos se perguntaram: o que os desenhistas farão quando chegar o momento de substituí-los? Como renovar o que precisa se manter ligado ao passado? O novo Fusca é uma boa resposta: a VW buscou ainda maior semelhança com o modelo original, o Fusca arrefecido a ar.

 

Novo Fusca, muito mais que um "besouro" atualizado

 
A carinha simpática será um grande motivador à compra desse Volkswagen,
apesar de sua proposta esportiva; os faróis bixenônio trazem leds diurnos

 

A inspiração fica mais clara na vista lateral. Enquanto o New Beetle seguia a forma de três arcos (os dos para-lamas e um maior que formava o teto), o novo carro está mais fiel ao original com sua cabine mais para trás, o para-brisa menos avançado e uma quebra entre a coluna dianteira e o arco do teto. Contornos mais definidos, perfil mais baixo e janelas bem menores contribuíram para um aspecto encorpado, esportivo, bem distante do ar quase feminino do antecessor.

 

 

O defletor traseiro, as duas saídas de escapamento e as rodas grandes realçam o ar “de briga”. Já os faróis, quando dotados de lâmpadas de xenônio em ambos os fachos, usam refletor elipsoidal e trazem uma fila de 15 leds em curva de belo efeito visual. Comparado ao antecessor, o novo Fusca tem 15,2 centímetros a mais de comprimento, 8,4 cm de largura e 2,7 cm de distância entre eixos, mas perdeu 1,2 cm em altura. O coeficiente aerodinâmico (Cx) “das antigas”, 0,37, mostra que não esteve entre as prioridades do pessoal de Estilo.

Aberta a porta, que agora não tem moldura na janela, o motorista vê um interior também inspirado no VW original, mesmo que só em alguns traços. É o caso da ampla faixa horizontal na qual se encaixam os difusores de ar, os instrumentos (de novo com um grande velocímetro no centro), o rádio e… um segundo porta-luvas que é puramente Fusca, acima do principal. A nostalgia continua nas colunas centrais, com alças emborrachadas para apoio dos passageiros que quase fazem ouvir os pneuzinhos diagonais cantando nas curvas. O vasinho de flor do New Beetle foi embora, antes tarde, em nome do jeito mais masculino pretendido pela VW.

 

Novo Fusca, muito mais que um "besouro" atualizado
Novo Fusca, muito mais que um "besouro" atualizado
Novo Fusca, muito mais que um "besouro" atualizado

 
A faixa horizontal do painel remete ao antigo Fusca, assim como as alças de apoio;
os bancos esportivos podem vir em preto, bege e preto com azul ou vermelho

 

A parte nostálgica termina aí. O restante é atual e esportivo, como os bancos dianteiros firmes e com apoios laterais pronunciados (há ajuste manual de apoio lombar em ambos), o volante de base chata, os pedais, o botão de partida no console e a seção do painel inspirada em fibra de carbono. Apesar do cuidado com o desenho, os materiais plásticos são apenas medianos. No alto da parte central do painel vêm três mostradores: termômetro de óleo (com repetição no indicador digital), cronômetro e manômetro de turbo. Temperatura do líquido de arrefecimento? Sim, mas no mostrador digital, que serve ainda a velocímetro digital e computador de bordo.

O teto solar é maior do que o habitual, mas seu deslocamento para trás (por fora) é pequeno, só metade do vão; pode também ser basculado. Ponto fraco é o forro interno, do tipo tela, que deixa passar luz e calor além do admissível em um país tropical — requer rápida correção pelo fabricante. Também deveria haver faixa degradê no para-brisa, luz de cortesia nos para-sóis e uma forma de manter o cinto de segurança à mão (há alguns anos o Golf usava uma grande alça de rebatimento do banco que servia para esse fim).

Próxima parte