Renault Sandero: desempenho e caixa CVT em análise

Vão livre sob a transmissão é igual no Sandero CVT (à esquerda) e no de caixa manual, pois o trem de força é montado na mesma altura em relação ao solo

 

Embaixo dos carros, notamos que o quadro inferior, que fixa os braços de suspensão e o conjunto motor-transmissão através do coxim da transmissão, permaneceu na mesma altura em relação ao solo — veja foto comparativa com o celular para dar noção de grandeza. É comum em versões “aventureiras” levantar o carro como um todo, mas manter o conjunto motriz na mesma altura da versão “urbana”, por causa do ângulo de trabalho das juntas homocinéticas: elas ficariam “estranguladas” com suspensão e trem de força mais elevados, pois mudaria a altura das rodas em relação à transmissão.

 

 

Ou seja, na verdade foi o Sandero como um todo que ganhou um “calço” ou espaçador entre o quadro e a estrutura, algo que pudemos ver na gravação do vídeo de análise técnica com o carro no elevador. Talvez haja um problema de acondicionar a transmissão CVT em relação à parede corta-fogo (divisória entre cofre do motor e a cabine) ou o túnel do Sandero, mas não é válido dizer que a Renault subiu o carro para a CVT não ficar exposta. Portanto, mito descartado.

Algo que chamou atenção foi que o Sandero manual não apresentava o ruído incomodo da assistência eletro-hidráulica da direção, percebido em nosso carro. A assessoria de imprensa da Renault explica que há grande influência no posicionamento do conjunto, em relação ao ruído, e que variações de produção (no jargão da indústria, se o montador estava feliz ou não naquele dia) causam aumento significativo no ruído. Caso haja, basta pedir para a concessionária reposicionar o sistema num serviço de cinco minutos.

 

Pode haver dificuldade de acomodar a CVT no túnel do Sandero, mas sem a elevação de 4 cm na altura de rodagem (à direita o manual) a caixa não ficaria protuberante

 

Apesar dos consumos adequados em uso urbano, o Sandero não se mostrou econômico em rodovia, mesmo trabalhando com rotação tão baixa em velocidade de cruzeiro. Antes que alguns argumentem que o motor é focado para uso urbano, é bom lembrar uma regra de aproximação, pela qual o motor tem um impacto de apenas 30% no consumo final do carro. Há muitos outros fatores que influem no consumo, como peso, aerodinâmica e a eficiência de vários componentes.

 

 

No caso do Sandero não há milagre, pois sua área frontal é enorme. A área frontal é multiplicada pelo coeficiente aerodinâmico (Cx) para se descobrir o esforço de tal objeto vencer o atrito com o ar. Ou seja, uma bola de pingue-pongue e uma de boliche possuem o mesmo Cx, mas áreas frontais diferentes, que geram esforços diferentes. Além de largo, nosso Renault tem praticamente a altura de um utilitário esporte compacto, com grande diferença para um hatch típico de seu porte fabricado há 15 ou 20 anos.

O Sandero termina o mês de teste agradando pelo bom espaço lateral e para cabeça, a central de áudio simples e eficaz, o bom isolamento acústico (de motor, pneus e ruído de vento), o volume do porta-malas, o consumo urbano e a absorção de impactos da suspensão. Pelo lado negativo, poderia melhorar em espaço para as pernas no banco traseiro e acertar alguns itens menos cuidadosos no acabamento e no cofre do motor, como apontado nas semanas anteriores.

Na próxima semana, o vídeo de análise técnica. Até lá.

Semana anterior

 

Quarta semana

Distância percorrida 355 km
Distância em cidade 355 km
Distância em rodovia
Consumo médio geral 12,5 km/l
Consumo médio em cidade 12,5 km/l
Consumo médio em rodovia
Melhor média 14,9 km/l
Pior média 5,5 km/l
Dados do computador de bordo com gasolina

 

Desde o início

Distância percorrida 2.402 km
Distância em cidade 1.612 km
Distância em rodovia 790 km
Consumo médio geral 8,4 km/l (álc.) / 11,4 km/l (gas.)
Consumo médio em cidade 7,0 km/l (álc.) / 11,4 km/l (gas.)
Consumo médio em rodovia 9,9 km/l (álc.)
Melhor média 11,2 km/l (álc.) / 14,9 km/l (gas.)
Pior média 4,1 km/l (álc.) / 5,5 km/l (gas.)
Dados do computador de bordo

 

Preços

Sem opcionais R$ 66.990
Como avaliado R$ 66.990
Completo R$ 68.490
Preços sugeridos em 11/2/20 em São Paulo, SP

 

Equipamentos de série

Sandero Intense – Ar-condicionado automático, assistente de partida em rampa, banco do motorista e volante com ajuste de altura, banco traseiro bipartido, bolsas infláveis laterais dianteiras, câmera traseira de manobras, central de áudio com tela de toque de 7 pol e integração a Android Auto e Apple Car Play, cintos de três pontos para todos os ocupantes, controlador e limitador de velocidade, controle elétrico de vidros, travas e retrovisores; controle eletrônico de estabilidade e tração, direção assistida eletro-hidráulica, faróis de neblina, fixação Isofix para cadeira infantil, rodas de alumínio de 16 pol, sensores de estacionamento traseiros.

Garantia – Três anos sem limite de quilometragem.

 

Ficha técnica

Motor
Posição transversal
Cilindros 4 em linha
Comando de válvulas duplo no cabeçote
Válvulas por cilindro 4, variação de tempo
Diâmetro e curso 78 x 83,6 mm
Cilindrada 1.597 cm³
Taxa de compressão 10,7:1
Alimentação injeção multiponto sequencial
Potência máxima (gas./álc.) 115/118 cv a 5.500 rpm
Torque máximo (gas./álc.) 16,0 m.kgf a 4.000 rpm
Transmissão
Tipo de caixa e marchas automática de variação contínua, simulação de 6 marchas
Tração dianteira
Freios
Dianteiros a disco ventilado
Traseiros a tambor
Antitravamento (ABS) sim
Direção
Sistema pinhão e cremalheira
Assistência eletro-hidráulica
Suspensão
Dianteira independente, McPherson
Traseira eixo de torção
Rodas
Dimensões 16 pol
Pneus 205/55 R 16
Dimensões
Comprimento 4,07 m
Largura 1,73 m
Altura 1,57 m
Entre-eixos 2,59 m
Capacidades e peso
Tanque de combustível 50 l
Compartimento de bagagem 320 l
Peso em ordem de marcha 1.140 kg
Desempenho e consumo (gas./álc.)
Velocidade máxima 174/177 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h 11,0/11,0 s
Consumo em cidade 10,8/7,4 km/l
Consumo em rodovia 11,8/8,3 km/l
Dados do fabricante