Um Mês: Peugeot 2008 mostra boas e más soluções

Uso urbano tem mostrado onde os franceses acertaram e no que podem melhorar; ele também ganhou um rack

Texto e fotos: Felipe Hoffmann

 

A segunda semana do Peugeot 2008 Griffe em Um Mês ao Volante foi restrita ao uso urbano, em total de 212 quilômetros com gasolina. Na verdade rodamos mais, mas contabilizamos um período menor para deixarmos a mudança para álcool para a terceira semana. Rodamos até a autonomia indicada no computador de bordo desaparecer e mais 40 km e, mesmo assim, entraram 51,4 litros — ainda havia 3,5 l de combustível no tanque, mostrando que o marcador e o cálculo de autonomia adotam uma margem de segurança.

O período teve média geral de 10,2 km/l, sendo a melhor marca de 15,6 km/l em 14 km com boa parte pela Marginal Pinheiros depois da meia-noite, com velocidade média de 56 km/h. Por outro lado, a pior marca foi de 9,2 km/l em trecho de 12 km com trânsito e média de 21 km/h. Ajuda a reduzir o consumo em cidade a caixa de transmissão automática que passa para neutro quando se mantém pressionado o pedal de freio com o carro parado, como num semáforo. Afinal, em Drive o motor fica “brigando” com os freios para colocar o carro em movimento, o que consome combustível. O recurso não atua se o carro permanecer apenas com freio de estacionamento acionado.

Tal função foi notada na mesma caixa Aisin no Volkswagen Polo TSI e no Citroën C4 Cactus — poderia constar em mais modelos que usam tal transmissão, mas cabe ao fabricante ativar esse modo ou não na hora de calibrar o veículo. Por outro lado, há sempre um pequeno retardo ao se soltar o pé do freio e um ligeiro pulo quando a primeira marcha é engatada. Isso fica mais nítido em subidas, pois não há assistente de partida em rampa, o que faz o carro dar um pequeno recuo antes de partir, mas a transição pouco incomoda. Para isso, boa medida é o pedal de acelerador progressivo, que evita que com um leve movimento do pé o carro saia bruscamente.

 

O 2008 ganhou um rack e porta-bicicletas da Thule em cortesia da FHB Rack Delivery, que entrega e instala onde o cliente quiser na Grande São Paulo

 

Assim como o “primo” C4 Cactus, o 2008 não tem aspecto externo ou mesmo interno de utilitário esporte: está mais para um hatch ou pequena perua com maior altura de rodagem. Comparado ao Citroën, o teto mais alto confere sensação de espaço e acomoda melhor pessoas mais altas, mesmo no banco traseiro. Pena que esse banco tenha assento curto e espaço um tanto modesto para pernas e ombros. Apesar do amplo teto envidraçado, existem apoios superiores de mão na traseira, úteis também ao levar uma roupa em cabide, mas não há ancoramento superior central Isofix nem luz de cortesia para o banco traseiro.

 

 

O teto com vidro fixo e forro retrátil com acionamento elétrico, agradável para rodar em horários de pouca insolação, também pode melhorar. Em ruas com muitos remendos e desníveis, a tela fechada até o fim range um pouco, pois toda a carroceria torce e a parte estrutural superior recebe as maiores tensões (assim como a tampa de uma caixa de sapato traz rigidez a ela). Se o ruído incomodar, basta abrir 1 cm da tela ou passar um pouco de vaselina nas partes em contato que tudo se resolve. Também seria mais prático o acionamento ser do tipo um-toque, pois exige ficar segurando para abrir e fechar.

O arranjo dos porta-objetos é adequado, com lugar próprio para latas ou garrafas e amplo porta-objetos entre os bancos, que poderia ser mais alto por também servir de apoio de braço. Outra diferença para o C4 Cactus é o comando de ar-condicionado por botões físicos com mostrador próprio, bem melhor de usar que o sistema baseado na tela da central de áudio do Citroën. Muito útil a função Auto com ajuste entre os modos Soft (suave), Normal e Fast (rápido). Na função Soft a velocidade do ventilador é bem reduzida e silenciosa, mas se torna mais rápida em função do calor ou incidência solar. Na maioria dos carros, ao acionar Auto o ar é emitido em alta velocidade e com ruído incômodo.

 

Tecido nos bancos evita o desconforto da simulação de couro; espaço traseiro é limitado; ar de duas zonas deveria ter botão para unificar; teto baixo favorece colocação de objetos

 

Embora o sistema do 2008 tenha dupla zona de ajuste, falta um botão que mantenha as duas em mesma temperatura. Para se usar o ventilador por algum tempo e depois acionar o ar-condicionado, por exemplo, precisa-se ajustar a temperatura grau a grau pelos dois botões de estilo aviação, o que um comando Mono ou Sync evitaria. Por falar em calor, cabe elogio à abordagem da Peugeot em colocar tecido de bom acabamento na parte central dos bancos, deixando a simulação de couro para as seções externas. Isso melhora muito o conforto nos dias de calor mais intenso, evitando que se termine a viagem com as costas encharcadas e as orelhas congeladas pelo uso do ar-condicionado no modo “Sibéria”.

 

A caixa automática passa para neutro com freio acionado e carro parado: afinal, em Drive o motor “briga” com os freios para movimentar o carro e aumenta o consumo

 

A carroceira do 2008 apresenta boa construção, com vãos entre as partes relativamente pequenos e alinhados — melhores do que no período inicial de fabricação do modelo. A tampa traseira possui o habitual defletor com uma extensão para a lateral que, além de auxiliar na parte estética, trabalha na quebra de vórtices oriundos do ar saindo da parte superior lateral da carroceria. Isso favorece a aerodinâmica e resulta em menores consumo e ruído em uso rodoviário.

O compartimento de bagagem é regular em comprimento, mas com boa altura comparado ao de um hatch. A Peugeot tem informado capacidade de 402 litros, obtida por um método de medição com líquido que quase nenhum fabricante usa hoje. Pela medição com blocos VDA, mais comum na indústria — e que o Best Cars mantém —, os 355 litros estão entre os menores volumes da categoria. O estepe usa pneu de medida diferente dos outros (15 pol em vez de 16), solução que em nome de pequena economia ao fabricante (os pneus do modelo não são tão caros assim) impede o uso definitivo do estepe ao substituir um pneu por dano ou desgaste.

 

Porta-malas de 355 litros é modesto na categoria, mas com base de acesso baixa; mantas de isolamento acústico estão na tampa do assoalho; estepe é diferente

 

Quase não há degrau entre o assoalho e a longarina traseira, o que facilita o acesso (outra vantagem sobre o C4 Cactus), mas o acabamento do porta-malas e da tampa do assoalho deixa a desejar pelo preço do carro, a exemplo do Citroën. Curioso é que a manta de isolamento acústico é presa à tampa do assoalho e não há mantas nas partes metálicas; mesmo assim o isolamento acústico é muito bom. Agora precisamos conferir o isolamento térmico em longos percursos, já que o C4 Cactus esquentou muito o porta-malas com o calor irradiado do sistema de escapamento.

 

 

Nosso 2008 também recebeu na semana rack e suporte de bicicleta específicos para o modelo, fabricados pela Thule e fornecidos pela FHB Rack Delivery. Apesar de haver um rack Thule a partir de R$ 1.188, nosso carro ganhou o modelo de alumínio Wing Bar com formato aerodinâmico (para baixo ruído de vento em rodovia) e sistema antifurto, por R$ 1.789. O suporte de bicicleta com sistema antifurto adiciona R$ 619. A FHB oferece instalação gratuita onde o cliente estiver, na grande São Paulo, e frete grátis para todo o Brasil (mais detalhes no site).

As longarinas para fixação de rack em cima do carro se mostraram bem robustas e rígidas. Para esse fim, a menor altura do 2008 comparado a um típico SUV é vantajosa, pois o teto mais baixo facilita colocar a bicicleta e outros equipamentos de esporte em cima do carro. E com o teto panorâmico se pode até checar a bicicleta sem ter que sair dele.

Semana anterior

 

Segunda semana

Distância percorrida 212 km
Distância em cidade 212 km
Distância em rodovia
Consumo médio geral 10,2 km/l
Consumo médio em cidade 10,2 km/l
Consumo médio em rodovia
Melhor média 15,6 km/l
Pior média 9,2 km/l
Dados do computador de bordo com gasolina

 

Desde o início

Distância percorrida 1.006 km
Distância em cidade 694 km
Distância em rodovia 312 km
Consumo médio geral 11,1 km/l
Consumo médio em cidade 10,4 km/l
Consumo médio em rodovia 13,0 km/l
Melhor média 15,6 km/l
Pior média 7,8 km/l
Dados do computador de bordo com gasolina

 

Preços

Sem opcionais R$ 89.990
Como avaliado R$ 89.990
Completo R$ 91.680
Preços sugeridos em 28/10/19 em São Paulo, SP

 

Equipamentos e opcionais

2008 Griffe – Alarme volumétrico, ar-condicionado automático de duas zonas, bolsas infláveis laterais dianteiras e de cortina, câmera traseira de manobras, controlador e limitador de velocidade, faróis e limpador de para-brisa automáticos, faróis e luz traseira de neblina, fixação Isofix para cadeiras infantis, porta-luvas refrigerado, rodas de alumínio de 16 polegadas, sensores de estacionamento atrás, sistema de áudio com tela de 7 pol e integração a celular, teto envidraçado, volante com regulagem de altura e distância.

 

Ficha técnica

Motor
Posição transversal
Cilindros 4 em linha
Comando de válvulas duplo no cabeçote
Válvulas por cilindro 4, variação de tempo
Diâmetro e curso 78,5 x 82 mm
Cilindrada 1.587 cm³
Taxa de compressão 12,5:1
Alimentação injeção multiponto sequencial
Potência máxima (gas./álc.) 115/118 cv a 5.750 rpm
Torque máximo (gas./álc.) 16,1 m.kgf a 4.750/4.000 rpm
Transmissão
Tipo de caixa e marchas automática, 6
Tração dianteira
Freios
Dianteiros a disco ventilado
Traseiros a disco
Antitravamento (ABS) sim
Direção
Sistema pinhão e cremalheira
Assistência elétrica
Suspensão
Dianteira independente, McPherson, mola helicoidal
Traseira eixo de torção, mola helicoidal
Rodas
Dimensões 16 pol
Pneus 205/60 R 16
Dimensões
Comprimento 4,159 m
Largura 1,739 m
Altura 1,583 m
Entre-eixos 2,542 m
Capacidades e peso
Tanque de combustível 55 l
Compartimento de bagagem 355 l
Peso em ordem de marcha 1.248 kg
Desempenho e consumo (gas./álc.)
Velocidade máxima 185/186 km/h
Aceleração de 0 a 100 km/h 12,7/12,4 s
Consumo em cidade 10,7/7,5 km/l
Consumo em rodovia 13,0/9,2 km/l
Dados do fabricante; consumo conforme padrões do Inmetro; ND = não disponível