Land Rover Discovery Sport equilibra razão e emoção

Land Rover Discovery Sport

 

Em versão de R$ 206 mil, o novo utilitário é mais prático e espaçoso, menos caro e quase tão charmoso quanto o Evoque

Texto e fotos: Fabrício Samahá

 

Depois de duas gerações e 17 anos de produção, o Land Rover Freelander sai de cena e abre espaço ao Discovery Sport, nome escolhido para vincular o modelo à linha iniciada em 1989 com o Discovery. À venda no Brasil desde abril, o Sport passou pela avaliação do Best Cars na versão intermediária HSE. Hoje trazido de Halewood, Inglaterra, o modelo será o primeiro Land Rover feito na nova fábrica de Itatiaia, RJ, no próximo ano.

São três os níveis de acabamento oferecidos aqui, todos com motor turbo a gasolina de quatro cilindros e 2,0 litros apto à potência de 240 cv e ao torque de 34,7 m.kgf, associado a câmbio automático de nove marchas e tração integral permanente: SE, ao preço de R$ 183.100; HSE, por R$ 206.100; e HSE Luxury, a R$ 235.200. Na HSE que avaliamos o conteúdo de série abrange controle eletrônico de estabilidade e tração, faróis com lâmpadas de xenônio, rodas de alumínio de 19 polegadas, sistema de áudio Meridian com 10 alto-falantes e tela central de 8 pol no painel, teto envidraçado, bancos de couro com ajuste elétrico nos dianteiros e seletor Terrain Response.

 

Land Rover Discovery Sport

 

Land Rover Discovery Sport
Land Rover Discovery Sport

 
O nome remete ao grande Discovery, mas o Sport é o sucessor do Freelander; as três versões oferecidas no Brasil têm o mesmo motor turbo de 240 cv

 

Os opcionais são o pacote de sete lugares (dois bancos adicionais para crianças ou adultos em curtos trajetos, o que impõe estepe temporário), sistema de áudio superior (de 825 watts e 17 alto-falantes) com sistema de dupla visão na tela do painel, navegador, duas telas de 8 pol para entretenimento dos passageiros com fones de ouvido sem fio e operação independente, tampa traseira com abertura, assistente para estacionar e fechamento elétricos e acesso/partida com chave presencial. O modelo avaliado, de cinco lugares, tinha ainda rodas de 20 pol.

 

A tela no centro do painel é dotada de dupla visão: o passageiro pode assistir a um vídeo, por exemplo, que não é enxergado pelo ângulo do motorista

 

Em relação ao Range Rover Evoque, o novo Land Rover posiciona-se como opção pouco mais barata (embora haja intersecção de preços entre as várias versões) e familiar, com maior ênfase no espaço dos passageiros e na facilidade de uso e menor em esportividade e luxo. Essa diferença pode ser percebida ao comparar seus desenhos, apesar da evidente semelhança de estilo, sobretudo na frente e nas linhas gerais da traseira. São diversos também em dimensões: o Discovery Sport mede mais 24,4 centímetros em comprimento, 8,9 cm em largura e em altura e 8,1 cm em distância entre eixos. O coeficiente aerodinâmico (Cx) 0,36 do novo modelo é bom para o segmento.

O ambiente interno requintado usa materiais de qualidade como o couro dos bancos e do volante. Embora os plásticos rígidos não tenham o padrão esperado em sua faixa de preço, o aspecto é muito bom e há regiões agradáveis ao toque como os apoios de braço almofadados nas portas. Os bancos dianteiros são ideais em forma e densidade e o motorista encontra fácil acomodação com os vários ajustes de banco e volante. As regulagens elétricas para ambos os ocupantes da frente incluem apoio lombar e altura, mas não há memórias de posição. A visibilidade geral supera em muito a do Evoque e as colunas dianteiras revelam bom projeto: embora espessas, sua seção triangular reduz o prejuízo ao campo visual.

 

Land Rover Discovery Sport
Land Rover Discovery Sport

 
Embora a inspiração no Evoque tenha levado a estilos muito semelhantes, o Discovery Sport é maior e oferece opção de dois lugares adicionais

 

A semelhança com esse Range Rover é clara nos instrumentos, iluminados em branco e que trazem no centro uma tela digital para funções como computador de bordo e configurações. Outra tela, no centro do painel e mais elevada que a do Evoque, comanda por meio de toques os sistemas de áudio, vídeo (DVD ou por dispositivo auxiliar) e navegação. Dotada de dupla visão (o passageiro pode assistir a um vídeo, por exemplo, que não é enxergado pelo ângulo do motorista), ela mostra ainda imagens da câmera traseira de manobras e informações sobre direção econômica, uso fora de estrada e o modo selecionado do Terrain Response.

 

 

Esse dispositivo, já conhecido de outros Land e Range Rovers, permite ajustar parâmetros como tração integral, resposta do acelerador, pontos de mudança de marcha do câmbio e uso do controlador de velocidade em descida entre quatro programas, conforme o tipo de terreno em que se trafega: Lama/Sulcos para piso macio e irregular, Relva/Gravilha/Neve para solo firme com superfície escorregadia, Areia para pisos macios e secos e o modo geral, para asfalto. Há ainda o programa Eco, que deixa o acelerador mais lento a fim de poupar combustível. O controlador em descida pode também ser acionado por botão próprio.

O Sport traz bom número de conveniências, como ar-condicionado automático de duas zonas com difusores nas colunas centrais para o banco traseiro, chave presencial para acesso à cabine (por qualquer maçaneta, incluindo a da quinta porta) e partida do motor, teto com ampla área envidraçada e forro que veda o sol por inteiro, freio de estacionamento elétrico e automático, abertura e fechamento de vidros comandados a distância, controlador e limitador de velocidade, sensores de estacionamento na frente e atrás, faróis e limpador de para-brisa automáticos, retrovisor interno fotocrômico, luzes de cortesia no assoalho e sob os retrovisores para o piso externo, alarme volumétrico e quatro alças de teto e luzes de leitura.

 

Land Rover Discovery Sport

 

Land Rover Discovery Sport
Land Rover Discovery Sport
Land Rover Discovery Sport

 
Ambiente interno agrada sem ser tão luxuoso; bancos bem desenhados e ótimo espaço traseiro garantem conforto; tela central é comandada por toques

 

O sistema de áudio opcional do HSE usa 17 alto-falantes da inglesa Meridian e produz qualidade de som excelente, com bom peso de graves, mas poderia haver mais conexões que as habituais USB, auxiliar e Bluetooth. Por outro lado, foram previstas tomadas de 12 volts para o banco traseiro e o compartimento de bagagem e uma conexão USB de alta capacidade (5 volts) para carregar aparelhos no console central.

Alguns pontos podem melhorar, como os botões de controle elétrico de vidros no topo dos painéis de porta (tradicionais no Discovery e já usados no Freelander), posição pouco prática, pois a linha de base das janelas é um tanto alta; e a tela central do painel comandada por toques: seria preferível um controle no console, como usam as marcas de luxo alemãs, para a mão não precisar alcançar um local tão alto.

Ainda, acionar as travas infantis das portas traseiras requer sacar da chave eletrônica a pequena chave serrilhada de emergência (que tal um controle elétrico?); os difusores de ar do painel são baixos demais para correta refrigeração da cabine; a tomada de 12 volts fica no porta-objetos do console, muito distante para ligar a aparelhos junto ao para-brisa; e não há porta-luvas refrigerado ou faixa degradê no para-brisa. Como curiosidade, as luzes dos para-sóis são as mesmas do Freelander e… do Focus de primeira geração, um daqueles itens de prateleira dos tempos em que a Land Rover era da Ford, até 2008.

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