Desempenho e segurança, destaques da Ranger 2017

Parte da linha renovada, a versão Limited sobressai em auxílios ao motorista e revela bom comportamento ao dirigir

Texto: Fabrício Samahá – Fotos: divulgação

 

Cinco meses depois do lançamento da nova Toyota Hilux, surge a primeira reação da concorrência: uma remodelação da Ford Ranger, com o estilo adotado em 2015 em outros mercados e acréscimo de itens de segurança e conveniência. A linha 2017 da picape, que chega às concessionárias em maio, foi apresentada à imprensa apenas na versão de topo Limited com motor turbodiesel de 3,2 litros e potência de 200 cv: as demais — XLS e XLT turbodiesel de 2,2 e 3,2 litros e as opções flexíveis em combustível de 2,5 litros — ficam para outro evento no dia 8 de abril, quando voltaremos ao tema. Contudo, a Limited é sua versão mais aceita e os motores Diesel respondem por cerca de dois terços das vendas.

A Ranger Limited 3,2 passa a custar R$ 179.900, aumento expressivo ante os R$ 164 mil do modelo 2016, mas ganhou bom número de equipamentos de série. Entre as concorrentes estão Hilux SRX (motor de 2,8 litros, 177 cv, R$ 188.120), Chevrolet S10 LTZ High Country (2,8 litros, 200 cv, R$ 166 mil) e Volkswagen Amarok Highline (2,0 litros, dois turbos, 180 cv, R$ 161 mil), todas com tração nas quatro rodas e transmissão automática. A única outra versão que teve o preço divulgado é a de entrada XLS com motor turbodiesel de 2,2 litros e 160 cv: R$ 129.900, comparável ao da Hilux básica (2,8, 177 cv, R$ 130.960) e menor que o da S10 LT (2,8, 200 cv, R$ 138.050), todas com caixa manual e tração 4×4. Não haverá mais Ranger de cabine simples, embora possa ser feita para atender a encomendas, pois existe na fabricação argentina.

No estilo a Ford concentrou-se na parte dianteira, que ganhou muito na sensação de robustez. Tudo que está à frente do para-brisa foi redesenhado, com destaque para a grade maior, que inclui barras cromadas mais espessas e seção junto à placa de licença com o mesmo tratamento, e os faróis, que passam a ser de duplo refletor com o tipo elipsoidal para o facho baixo (exceto na XLS). O capô traz mais vincos e agora é mantido aberto por molas a gás. Nas laterais e na traseira, porém, a única mudança aparece no desenho das rodas e em seu diâmetro, que passa de 17 para 18 polegadas na Limited. As demais usam 17, sempre de alumínio.

 

A nova frente deixou o estilo mais robusto; as rodas da Limited passaram a 18 pol

 

O interior teve o painel reprojetado com linhas mais refinadas e dois novos itens na Limited: o quadro de instrumentos com duas telas configuráveis nas laterais do velocímetro (que é analógico e fixo) e a tela de oito polegadas do sistema de entretenimento Sync, em lugar da tímida de 5 pol da anterior (as demais versões continuam com a tela de 4,2 pol). O quadro já conhecido do Fusion permite escolher as funções a exibir, como conta-giros ou computador de bordo à esquerda (portanto, para ver algum não se pode ver o outro) e informações de navegação ou de áudio à direita. Ao passar a transmissão automática ao modo manual, por exemplo, o conta-giros assume o espaço esquerdo — mas é um tanto menor que o de antes. A seleção de funções é feita por botões no novo volante.

 

O motor empurra forte as 2,2 toneladas com intenso torque, é muito suave e raramente se nota o ruído característico do Diesel

 

O Sync concentra na ampla tela sensível ao toque as principais operações dos sistemas de áudio, navegação e telefone por Bluetooth, além de exibir os ajustes do ar-condicionado, que tem comandos físicos mais abaixo. Na Limited anterior a tela só mostrava o mapa e outras informações, cabendo a operação a botões no painel. Há ainda comando por voz para áudio, telefone, navegação e ar-condicionado e a estreia da chave configurável My Key, que permite programar limitações (de velocidade e volume de áudio, entre outros) ao ceder o carro a um manobrista ou motorista jovem, por exemplo.

A Ford investiu forte em recursos de segurança na Ranger 2017: agora todas as versões (mesmo com motor flexível) saem de série com controle eletrônico de estabilidade e tração, sete bolsas infláveis (frontais, de joelhos para o motorista, laterais dianteiras e de cortina), encostos de cabeça e cintos de três pontos para todos os ocupantes e fixação Isofix para cadeiras infantis. Restritos à Limited estão novos auxílios ao motorista: controlador da distância à frente (sem função para-anda), monitor da mesma distância com alerta de proximidade (projeta a luz de leds no para-brisa, fazendo-a piscar no caso de maior risco de colisão, e pré-carrega os freios), monitor de saída da faixa de rolamento (faz vibrar o volante e intervém na direção se o motorista não reagir), aviso para baixa pressão dos pneus e assistente de faróis altos (abaixa o facho ao detectar veículo adiante).

 

Painel mais refinado inclui tela de 8 pol e quadro configurável; transmissão foi revista

 

Todos esses itens vêm de série na Limited, assim como assistente de partida em rampas, controle automático em descidas (mantém a velocidade sem o motorista precisar acelerar ou frear), sensores de estacionamento dianteiro e traseiro, câmera traseira de manobras, bancos de couro, ajuste elétrico do banco do motorista, ar-condicionado automático de duas zonas, retrovisor interno fotocrômico, faróis e limpador de para-brisa automáticos, controle elétrico de vidros com função um-toque para todos, cobertura de caçamba e estribos laterais.

O motor turbodiesel de cinco cilindros em linha e 3,2 litros passou por alterações a fim de reduzir o consumo, incluindo o turbocompressor e as válvulas: permanece com 200 cv e torque de 48 m.kgf. Já o quatro-cilindros de 2,2 litros com as mesmas mudanças ganhou 10 cv (de 150 para 160 cv) e 1,1 m.kgf (de 38,2 para 39,3 m.kgf). A transmissão automática de seis marchas — agora oferecida também com o 2,2 — foi revista em calibração e conversor de torque, o que contribuiu para a economia, assim como os pneus de menor resistência ao rolamento da Limited e a assistência elétrica de direção de toda a linha (antes, hidráulica). O esforço ao volante para manobrar a picape parada ficou 42% menor com a alteração, enquanto em alta velocidade seu peso até aumentou. O chassi recebeu reforços para maior resistência em impactos laterais.

 

 

Tudo somado, a Ford anuncia redução de consumo em 15% para a versão de topo. Essa não é a única vantagem econômica do modelo 2017: a garantia foi elevada de três para cinco anos (sem limite de quilometragem para pessoa física; até 100.000 km no caso de jurídica) e o plano de manutenção prevê revisões anuais ou a cada 10.000 km. Segundo o fabricante, o custo de revisões até 30.000 km ou 36 meses ficou 34% menor, nas versões de 3,2 litros, e 39% mais baixo que antes nas de 2,2 litros.

 

Ao volante

No lançamento em Itatiba, no interior de São Paulo, o Best Cars dirigiu a Ranger Limited por 30 km em rodovia e em obstáculos fora de estrada. No asfalto, seu comportamento surpreende para o tipo de veículo. O motor empurra forte as 2,2 toneladas com intenso torque disponível desde baixas rotações, é muito suave e raramente se nota o ruído característico do Diesel. Embora a potência máxima apareça já a 3.000 rpm, pode ser levado a 4.500. A caixa automática opera com grande maciez e permite seleção manual pelo velho e bom trilho lateral — nada do incômodo botão no pomo da alavanca, usado em alguns automóveis da marca —, com a peculiaridade de não subir ou reduzir marchas por conta própria nesse modo.

 

Obstáculos mostraram a capacidade da Ranger; no asfalto, um motor suave e potente

 

A suspensão controla bem os movimentos e, com o devido hábito a seu porte e altura, contornam-se curvas com confiança. Ficou muito bem acertada a assistência de direção, bem leve em manobras e firme em velocidade, além de filtrar em boa parte as irregularidades do piso. O maior inconveniente da picape para o usuário acostumado a automóveis — dimensões à parte — é mesmo a elevada transmissão de impactos do terreno pela suspensão, embora a da Ranger ainda nos pareça estar entre as melhores da categoria nesse quesito.

No percurso fora de estrada, feito em maior parte com tração nas quatro rodas e reduzida acionadas, a Ranger demonstrou valentia. Passou com tranquilidade por desníveis acentuados e trechos com lama, areia e uma área alagada. Além desses recursos, a Ford é uma das poucas na classe a incluir bloqueio do diferencial traseiro, de modo a enviar 50% do torque desse eixo a cada roda. Por outro lado, ao manter o sistema 4×4 temporário e sem diferencial central, a marca impede seu uso em terrenos de boa aderência (como em curvas no asfalto), pois haveria arrasto de pneus e risco de danos à transmissão. Nesse aspecto o sistema permanente da Amarok é superior.

Pelo que a versão de topo revelou, as atualizações renovaram a competitividade da Ranger, com destaque para o pacote de segurança sem similar na categoria. Desempenho e comportamento ao volante permanecem muito bons, o interior está mais refinado e equipado e, para o gosto predominante de seu público-alvo, esperamos aprovação ao jeito mais robusto da nova frente.

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Ficha técnica

Motor
Posição longitudinal
Cilindros 5 em linha
Comando de válvulas duplo no cabeçote
Válvulas por cilindro 4
Diâmetro e curso 89,9 x 100,8 mm
Cilindrada 3.198 cm³
Taxa de compressão 15,6:1
Alimentação injeção direta, turbocompressor, resfriador de ar
Potência máxima 200 cv a 3.000 rpm
Torque máximo 47,9 m.kgf de 1.750 a 2.500 rpm
Transmissão
Tipo de caixa e marchas automática, 6
Tração integral temporária
Freios
Dianteiros a disco ventilado
Traseiros a tambor
Antitravamento (ABS) sim
Direção
Sistema pinhão e cremalheira
Assistência elétrica
Suspensão
Dianteira independente, braços sobrepostos, mola helicoidal
Traseira eixo rígido, feixes de molas semielípticas
Rodas
Dimensões 8 x 18 pol
Pneus 265/60 R 18
Dimensões
Comprimento 5,354 m
Largura 1,86 m
Altura 1,848 m
Entre-eixos 3,22 m
Capacidades e peso
Tanque de combustível 80 l
Caçamba 1.180 l
Capacidade de carga 1.002 kg
Peso em ordem de marcha 2.261 kg
Desempenho e consumo
Não disponíveis
Dados do fabricante