Defasado, Hyundai IX35 2016 ganha preço de Audi

Hyundai IX35

 

Enquanto o mundo conhece seu sucessor, o utilitário nacional muda pouco e alcança as cifras de importados de luxo

Texto: Edison Ragassi e Fabrício Samahá – Fotos: divulgação

 

A Hyundai tem uma boa novidade aos principais mercados que compravam o conhecido IX35, em alguns casos com o nome Tucson: uma nova geração do utilitário esporte com avanços importantes em conforto, segurança e eficiência. Agora a denominação Tucson é adotada em todos os países.

Contudo, nada disso vale — ao menos por enquanto — para o Brasil. Aqui, sem previsão de lançamento dessa nova geração, a fábrica da Hyundai Caoa em Anápolis, GO, mantém a produção tanto do Tucson inicial (aquele de 2004) quanto do modelo que seria seu sucessor, o primeiro IX35. E é este que passa à linha 2016 com um refresco visual, a adoção de novos equipamentos (ou devolução, pois são itens que já o equipavam antes da nacionalização em 2013) e aumento de preços.

O aumento pode não saltar à vista porque a opção de entrada custa os mesmos R$ 100 mil (com R$ 10 de troco) da única versão de 2015. No entanto, a grande “depenação” deixou esse IX35 um tanto simples para um carro desse preço, apenas com itens como acendimento automático dos faróis, ar-condicionado, bancos com revestimento parcial de couro, rádio/toca-CDs/MP3 com interface Bluetooth, repetidores de direção nos retrovisores, rodas de 18 polegadas e sensor de estacionamento traseiro (as bolsas infláveis limitam-se às frontais).

 

Hyundai IX35
Hyundai IX35

 
Grade maior, novos faróis e lanternas com leds, como no modelo sul-coreano desde 2013, estão entre as poucas novidades visuais do IX35

 

Para ter equipamentos como acesso e partida com chave presencial, câmera traseira de manobras, controlador de velocidade e central de entretenimento com toca-DVDs e navegador, antes de série, agora precisa-se passar à segunda versão por R$ 10 mil a mais. Em caráter promocional, as primeiras 4.500 unidades desse pacote terão também bolsas infláveis laterais dianteiras e de cortina. A outra opção do modelo 2016, de salgados R$ 123 mil, acrescenta ajuste elétrico do banco do motorista, ar-condicionado automático de duas zonas, bancos de couro, controle eletrônico de estabilidade e tração, lanternas traseiras com leds, teto solar panorâmico e volante de couro. A maior parte desse conteúdo era oferecida no IX35 na fase de importação, mas deixou de equipá-lo por ocasião da produção goiana. A cor laranja das fotos está restrita à Launching Edition, edição de lançamento (de um carro de cinco anos?) com 300 unidades.

 

O preço de R$ 123 mil coloca o IX35 de topo na faixa de importados de luxo, como Audi Q3 Attraction e Mercedes-Benz GLA 200

 

Embora aumentos de preços sejam o padrão atual do mercado brasileiro, parece-nos que a Caoa foi com muita sede ao pote: R$ 123 mil colocam o modelo na faixa de importados (que recolhem 35% de Imposto de Importação, ao contrário do IX35) de marcas de luxo, como o Audi Q3 Attraction 1,4 turbo de 150 cv, que custa R$ 127.190, e o Mercedes-Benz GLA 200 Style 1,6 turbo de 156 cv, que sai a R$ 128.900. Ainda que o GLA seja menor e ambos venham mais enxutos em conteúdo, pois as marcas oferecem versões superiores, é fácil perceber o apelo diferenciado de um alemão de prestígio sobre um Hyundai nacional e, pior, de geração defasada.

A leve reforma visual do IX35 brasileiro segue a implantada no Tucson IX na Coreia do Sul em 2013: a grade dianteira cresceu, abandonando o “sorriso” do modelo anterior, e foram refeitos os faróis e o para-choque. Há leds para luz diurna na frente em toda a linha e nas lanternas traseiras (apenas na versão de topo), além de novas rodas em dois desenhos. Por dentro, à parte a nova alavanca de câmbio, o que se nota de diferente são os equipamentos que voltaram a ser oferecidos.

 

Hyundai IX35

 

Hyundai IX35
Hyundai IX35

 
Interior é o mesmo, salvo pelo câmbio e equipamentos que voltaram; espaço traseiro é bom para dois; falta cinto de três pontos central

 

O motor flexível de 2,0 litros e quatro válvulas por cilindro, dotado de variação do tempo de abertura das válvulas, é o mesmo em uso há dois anos, mas passou por uma recalibração da central eletrônica. A Caoa atribui o ajuste ao atendimento de normas de emissões mais severas em outros mercados, o que estranhamos, pois a versão local flexível requer calibração própria de qualquer maneira. A potência caiu de 169 cv com gasolina e 178 cv com álcool para 157 e 167 cv, na ordem, enquanto o torque permanece em 19,2 m.kgf com gasolina e subiu de 20,2 para 20,6 m.kgf com álcool.

 

Ao volante

Na apresentação à imprensa o Best Cars dirigiu a versão de topo do IX35. Como primeira impressão nota-se o interior mais espartano do que a faixa de preço exige, com plásticos rígidos — nem mesmo o material do painel é emborrachado. O banco é confortável, com ajustes elétricos, e o volante traz comandos do sistema de áudio, do controlador de velocidade e do celular conectado por Bluetooth. O espaço é adequado para quatro adultos, sem largura suficiente para três deles no banco traseiro, e o compartimento de bagagem é típico de um hatchback de porte médio, pois a capacidade declarada de 728 litros foi medida até o teto.

 

 

Apesar do alto preço, permanecem carências já verificadas no modelo anterior, como cinto de três pontos para o passageiro central de trás, controles elétricos de vidros com função um-toque para todos (vem só na descida do vidro do motorista) e medição de consumo pelo “computador de bordo”, limitado à menos útil velocidade média. Comparada a outros disponíveis no segmento, a central de entretenimento (com entradas auxiliar e USB, além de navegador) pode ser considerada modesta, e acionar o freio de estacionamento por pedal é muito 1970 para 2015.

Na avaliação a partir da Avenida Ibirapuera, em São Paulo, com trânsito carregado, o IX35 mostrou um comportamento suave da caixa automática de seis marchas, que permite operação manual pela própria alavanca, sem comandos no volante. O desempenho do motor é apenas mediano, como se espera de um utilitário que pesa 1,5 tonelada.

 

Hyundai IX35
Hyundai IX35

 
Fábrica informa perda de potência; desempenho é bom, mas com torque modesto em baixa e média rotação; suspensão mostra bom ajuste

 

Na rodovia Castelo Branco, pela qual seguimos até São Roque, o Hyundai desenvolve bem velocidade e mantém 120 km/h em ritmo confortável com o conta-giros a 2.500 rpm. Contudo, ao se pedir mais potência para retomar o câmbio logo reduz marchas, levando às alturas a rotação e os níveis de ruído e vibração. É bom o acerto das suspensões, que atende às necessidades de quem precisa de um veículo para uso misto, com comportamento bem previsível em curvas, mas precisa melhorar a absorção de impactos, notados até no volante em maior grau que em modelos similares.

Segundo Bernardo Saccaro, gerente de produto da Caoa, a expectativa é de que as vendas cresçam com as novidades, da média atual de 1.500 unidades ao mês para 1.700. Pode ser. Mas, se na avaliação de 2014 já opinávamos que o IX35 “deixa a clara sensação de muito dinheiro por pouco automóvel”, fica difícil ter conclusão mais favorável sobre o modelo 2016 diante de nenhuma efetiva evolução, da defasagem em relação aos mercados externos e do aumento de preço em 10% para a mesma configuração.

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Ficha técnica

Motor
Posição transversal
Cilindros 4 em linha
Comando de válvulas duplo no cabeçote
Válvulas por cilindro 4, variação de tempo
Diâmetro e curso 82 x 93,5 mm
Cilindrada 1.998 cm³
Taxa de compressão 12,1:1
Alimentação injeção multiponto sequencial
Potência máxima (gas./álc.) 157/167 cv a 6.200 rpm
Torque máximo (gas./álc.) 19,2/20,6 m.kgf a 4.700 rpm
Transmissão
Tipo de câmbio e marchas automático, 6
Tração dianteira
Freios
Dianteiros a disco ventilado
Traseiros a disco
Antitravamento (ABS) sim
Direção
Sistema pinhão e cremalheira
Assistência elétrica
Suspensão
Dianteira independente, McPherson, mola helicoidal
Traseira independente, mola helicoidal
Rodas
Dimensões 6,5 x 18 pol
Pneus 225/55 R 18
Dimensões
Comprimento 4,41 m
Largura 1,82 m
Altura 1,655 m
Entre-eixos 2,64 m
Capacidades e peso
Tanque de combustível 58 l
Compartimento de bagagem 728 l (até o teto)
Peso em ordem de marcha 1.500 kg
Dados do fabricante; desempenho e consumo não disponíveis