S10, Ranger, Frontier e Hilux no desafio das picapes

Instrumentos da Ranger incluem duas telas multifunção, mas mostram poucas informações em simultâneo; os da S10 fornecem mais dados mecânicos e elétricos

 

Posto do motorista
Apesar do banco amplo e com regulagens elétricas, a posição de dirigir pode melhorar nas quatro: apenas a Hilux tem ajuste em distância do volante, que mesmo assim fica algo distante do motorista, como na S10; nessa, a forma do banco deveria evoluir. O apoio lombar tem regulagem apenas na Ranger (manual) e na Frontier (elétrica). Entre os instrumentos, só a S10 indica temperaturas do óleo e do fluido da transmissão, tensão da bateria e horas de uso do motor. As seções configuráveis da Ranger exibem poucas informações por vez. Todas têm computador de bordo.

Os melhores faróis estão na Frontier, com leds em ambos os fachos — a Ranger ganhou lâmpadas de xenônio só para os baixos. Ambos são claramente mais eficientes que os das outras. Com refletor único, a Hilux fica em último lugar. Ajuste elétrico do facho só não está na Nissan. As quatro têm faróis de neblina, luzes diurnas (que não usam leds na Toyota), repetidores laterais das luzes de direção e bons retrovisores. Luz traseira de nevoeiro está na S10 e na Hilux. As colunas dianteiras mais estreitas favorecem o campo visual da Toyota.

 

A Chevrolet é mais ampla para as pernas e (junto da Ranger) em largura no banco traseiro, mas nela as coxas ficam mal apoiadas como na Nissan pelo assoalho alto

 

Espaço interno
As cabines são amplas na frente e atrás, com ligeira vantagem no banco traseiro em espaço para pernas na S10 (menor na Frontier) e em largura nela e na Ranger. Todas são muito boas em altura, mas impõem encosto traseiro mais vertical do que se gostaria, um mal comum em picapes, e deixam desconfortável o passageiro central. Na Chevrolet e na Nissan as coxas têm pouco apoio pelo assento mais perto do assoalho.

 

 

Caçamba
A maior capacidade de caçamba declarada é da Ranger, com 1.180 litros até as bordas, ante 1.061 da S10 e 1.054 da Frontier (na Hilux, estimamos que o valor não informado fique perto desses últimos). A capacidade em peso pouco varia, logo acima de uma tonelada. O novo sistema da tampa da Ranger diminui em muito o esforço de fechamento, que pode ser feito com dois dedos — o oposto da pesada tampa da S10, que despenca ao abrir. Apenas a Chevrolet vem de série com cobertura marítima, fácil de usar, que protege a carga e melhora a aerodinâmica. Todas têm estepe integral e com roda de alumínio debaixo da caçamba.

 

Ranger tem a caçamba mais espaçosa e a tampa traseira mais leve; S10 é a única de fábrica com cobertura marítima; todas têm o estepe abaixo da carroceria

 

Motor e desempenho
S10 e Hilux usam motores similares em projeto e cilindrada (2,8 litros), enquanto o de 3,2 litros da Ford acrescenta um cilindro (cinco em vez de quatro) e o da Frontier, com apenas 2,3 litros, recorre a dois turbocompressores no lugar de um só. No fim, Ford e Chevrolet oferecem mais potência (200 cv ante 190 da Nissan e 177 da Toyota) e o segundo lidera em torque (51 m.kgf ante 47,9 da Ranger e 45,9 das outras).

 

Com a melhor relação peso-potência, a S10 mostrou-se a mais rápida para acelerar, mas o motor biturbo de menor cilindrada deixa a Frontier mais econômica

 

Com a melhor relação peso-potência, a S10 mostrou-se a mais rápida em nossa pista ao acelerar de 0 a 100 km/h em 9,8 segundos contra 11,0 s da Frontier, 11,1 s da Ranger (a mais pesada do grupo) e 12,5 s da Hilux. Sua agilidade adicional também se percebe no dia a dia. Embora motores a diesel produzam mais ruídos e vibrações, Ford e Nissan conseguiram muito bom resultado: são silenciosos em viagem, como o da Chevrolet, e emitem um som vigoroso ao arrancar em vez do “tec-tec” tradicional. O motor Toyota é o mais ruidoso em velocidades de viagem e o da Chevrolet vibra em marcha-lenta.

 

Entre as duas mais potentes, o menor peso garante melhor aceleração à S10, mas Ranger e Frontier agradam mais em ruído; a Hilux perde em ambos os quesitos

 

A Hilux tem seletor com três modos de condução — Eco, normal e Power —, que afetam de forma bem clara a curva de resposta do acelerador e a assistência de direção. As transmissões automáticas, com sete marchas na Frontier e seis nas outras, estão bem calibradas e admitem mudanças manuais por um canal lateral da alavanca. Os sistemas de tração são similares, com acionamento elétrico e modos 4×2, 4×4 e 4×4 reduzido. Como não há diferencial central, os modos 4×4 devem ser usados só em pisos de baixa aderência, não em curvas no asfalto. Na Ranger e na Hilux pode-se bloquear o diferencial traseiro, repartindo o torque por igual entre as rodas, o que é útil em terrenos mais críticos. A Frontier conta com bloqueio parcial por sistema eletrônico.

 

 

Consumo
O motor biturbo de menor cilindrada deixa a Frontier mais econômica, com a melhor marca nos três trajetos, compartilhada com a Hilux no percurso urbano leve. A S10 saiu-se bem no rodoviário (alguma ajuda a cobertura de caçamba provavelmente lhe deu, ao evitar um “freio aerodinâmico”), justamente a condição mais crítica da Ranger perante as rivais.

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Motores de 2,3 a 3,2 litros, com dois turbos na Nissan e um só nas demais; caixas automáticas com sete marchas na Frontier e seis nas outras, todas com modo manual

 

Desempenho e consumo

S10 Ranger Frontier Hilux
Aceleração
0 a 100 km/h 9,8 s 11,1 s 11,0 s 12,5 s
0 a 120 km/h 13,8 s 16,0 s 15,7 s 17,8 s
0 a 400 m 16,9 s 17,6 s 17,8 s 18,2 s
Retomada*
60 a 100 km/h 5,8 s 6,5 s 6,6 s 7,7 s
60 a 120 km/h 9,9 s 11,7 s 11,1 s 13,1 s
80 a 120 km/h 7,4 s 9,1 s 7,8 s 10,0 s
Consumo
Trajeto leve em cidade 10,9 km/l 10,8 km/l 12,4 km/l 12,4 km/l
Trajeto exigente em cidade 5,6 km/l 5,7 km/l 6,7 km/l 6,6 km/l
Trajeto em rodovia 11,6 km/l 9,9 km/l 11,8 km/l 11,1 km/l
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