Cronos, City e Virtus: três idiomas em sedã compacto

Cronos
Cronos
City
City
Virtus
Virtus

 

As três marcas conseguiram bons desenhos para esses sedãs compactos; a frente do Cronos difere da usada no Argo; a do City acaba de ser atualizada

 

Concepção e estilo

São carros diferentes na origem. O mais antigo City, lançado aqui em 2014, deriva do Fit de terceira geração e existe em outros mercados, em geral asiáticos. O Virtus nasceu de uma costela do Polo de sexta geração, que surgiu na Europa no ano passado, e ganhou o mercado brasileiro em primazia — embora tenha grande chance de aparecer em outros que gostam de sedãs desse porte, como o sul-africano. O Cronos, fabricado na Argentina, foi criado para o Brasil e outros países sul-americanos como o Argo que lhe serviu de base.

Diante das proporções pouco favoráveis de um sedã compacto, as três marcas conseguiram um bom trabalho de estilo, por meio de queda suave do vidro traseiro e tampa de porta-malas curta. O Virtus evidencia o fato de ser mais longo, talvez em excesso na traseira. O Cronos parece mais compacto, como realmente é, e causa controvérsia pelo desenho frontal. No meio do ciclo dessa geração, o City fica um pouco atrás em atualidade. Os vãos entre painéis de carroceria são pequenos e exatos nos três, algo em que o Cronos foge ao padrão da marca. Apenas o Virtus tem o coeficiente aerodinâmico (Cx) divulgado: 0,326.

 

Cronos
Cronos
City
City
Virtus
Virtus

 

Apenas o Honda também existe em mercados distantes do nosso; o VW deriva do Polo europeu e o Fiat vem de um hatch (Argo) que só existe na América do Sul

 

Conforto e conveniência

Os interiores mostram boa qualidade de montagem e apliques que valorizam a aparência, mas não são luxuosos em materiais: plásticos rígidos dominam o ambiente, com aspecto mais simples no caso do Virtus. Este usa revestimento de bancos em um tecido suave e agradável, algo raro no mercado atual; o City vem com couro e o Cronos pode receber material sintético que o imita (também disponível no Virtus). O Fiat agrada mais pelo desenho interno, retilíneo em excesso no VW e no Honda.

 

No Virtus com quadro de instrumentos digital, a tela colorida de alta resolução pode exibir mostradores e outras informações de diversas maneiras

 

Nos três, o motorista dispõe de banco bem desenhado e posição de dirigir adequada, além de regulagens do volante em altura e distância. O Cronos Precision usa um banco melhor que o da versão de 1,35 litro, com mais apoio lombar e desenho superior. O mesmo apoio parece algo excessivo no City.

Nosso Virtus trazia o quadro de instrumentos digital e configurável, opcional na versão. A tela de 12,3 polegadas, colorida e de alta resolução, pode apresentar os mostradores em tamanho normal ou reduzido e preencher a área central com várias informações, como computador de bordo e um elaborado mapa de navegação. Este pode tomar quase toda a tela, se desejado, e o miolo do velocímetro e do conta-giros também admite diversas informações. Tudo é selecionado por botões no volante.

 

Cronos
Cronos
City
City
Virtus
Virtus

 

Diferentes estilos internos, mas com boa posição do motorista em comum; o quadro de instrumentos digital é opção no Virtus

 

Há efeitos que agradam, como os dígitos ficarem maiores na região usada no momento (por exemplo, 120 km/h e 2.000 rpm). Ao desligar o motor, são mostradas informações do trajeto. A excelente visualização faz desse quadro um dos melhores digitais que já experimentamos.

 

 

No Cronos, a seção central digital também traz variedade de informações, incluindo repetidor do velocímetro e algumas ausentes do VW, como voltímetro, horas de funcionamento do motor e temperatura do óleo da transmissão. Os instrumentos em si são analógicos e bem legíveis, como os do City, cuja parte digital se resume a hodômetros e um computador de bordo simples. Todos indicam consumo em duas medições ou, no caso do Virtus, três — desde a partida, desde o abastecimento e desde que foi reiniciado.

Os sistemas de áudio usam telas de 8 pol no VW (opcional, sendo a de série de 6,5 pol) e 7 nos demais, sensíveis ao toque e montadas em boa posição para acionamento e leitura, e oferecem integração a celular por Android Auto e Apple Car Play e conexões USB (duas) e Bluetooth. Toca-CDs e entradas de cartão SD só existem no Virtus com o sistema opcional; ele e o City têm navegador integrado. Os principais comandos têm botões físicos no Honda e no Fiat; neste, os controles do volante ficam atrás dele, menos intuitivos.

 

Cronos
Cronos
Fiat Cronos Precision banco2
City
City
Honda City EXL banco2
Virtus
Virtus
VW Virtus Highline banco2

Espaço traseiro, sobretudo para as pernas, é um ponto de vantagem para o Virtus

 

Curioso no VW é haver suporte de celular no topo do painel com tomada USB, que só recarrega a bateria, sem receber dados. Assim, caso se queira manter o telefone ali e conectá-lo por USB, o cabo ficará pendurado bem diante da tela. Na verdade, esse suporte parece uma boa ideia que chegou atrasada: faria mais sentido quando não havia integração a celular no sistema.

Os três carros estavam equipados com alerta para uso de cinto, ar-condicionado automático (de uma só zona), câmera traseira de manobras, comando a distância para abrir e fechar vidros, controlador de velocidade, controle elétrico de vidros com função um-toque para todos e temporizador, mostrador de temperatura externa e partida a frio sem tanque auxiliar de gasolina (Cronos e City têm preaquecimento de álcool, e o Virtus, injeção direta que o dispensa).

Entre os detalhes, sobressaem no Cronos alerta programável para excesso de velocidade, comando central de travamento das portas (acessível ao passageiro; o dos rivais fica na porta do motorista) e retrovisores externos com luz de cortesia (ilumina o piso ao chegar ao carro) e rebatimento automático (os do Honda rebatem por botão). O City tem a seu favor apoio de braço central atrás (só na frente nos rivais e baixo demais no Virtus), câmera traseira com três ângulos de visualização e maçanetas internas cromadas — mais fáceis de achar no escuro que as prateadas dos oponentes.

Próxima parte