Jeep Compass: para aventuras até o shopping

Avaliação

Para aventuras até o shopping

A Jeep adere aos utilitários urbanos com o Compass, que não convence pelo que custa; chega também o Wrangler com novo motor de 284 cv

Oferecer uma opção mais urbana, sem abandonar seus valores e tradições: esse parece ser o tom da divisão Jeep da Chrysler com os dois lançamentos que acabam de ser apresentados à imprensa. De um lado, a linha 2012 do conhecido jipe Wrangler e do Wrangler Unlimited vem com novos motor e câmbio; de outro surge o inédito Compass como modelo de entrada da marca.

Longe de ser uma novidade mundial — foi lançado nos Estados Unidos há cinco anos —, o Compass chega ao Brasil para servir como veículo de entrada da marca Jeep, embora o preço de R$ 100 mil esteja longe de ser chamado de “entrada”. A previsão é de vender 2.000 unidades este ano em um segmento dos mais disputados, que conta com Honda CR-V, Hyundai IX35, Kia Sportage, Mitsubishi ASX e Volkswagen Tiguan, entre outros.

Os equipamentos de série abrangem controle eletrônico de estabilidade e tração, seis bolsas infláveis (duas frontais, duas laterais dianteiras e duas cortinas laterais), freios com sistema antitravamento (ABS), pontos de ancoragem para cadeiras infantis, alarme, controlador de velocidade, ar-condicionado automático, apoios de cabeça dianteiros ativos, faróis e lanterna traseira de neblina, rodas de alumínio de 17 pol e teto solar com controle elétrico.

A remodelação visual para 2011, que lhe deu uma frente parecida com a do novo Grand Cherokee, deixou mais atraente esse utilitário de formas retilíneas. Chamam atenção os para-lamas destacados, as portas traseiras com maçanetas escondidas (estão nas colunas) e os pilares em forma de triângulo na parte posterior.

O interior não tem desenho muito inspirado e, pelo valor do carro, podia-se esperar um acabamento melhor. Faltam itens comuns até em veículos menores, como luz no espelho de cortesia do para-sol e regulagem de distância no volante. A Jeep também não previu revestimento interno em couro, mas isso é de solução simples pelas concessionárias. Por outro lado, o teto solar é um item agradável e o sistema de áudio traz disqueteira de painel para seis CDs, toca-DVDs, entradas auxiliar e USB, sistema Bluetooth e comando de voz. Bons detalhes são a lanterna de emergência de leds, portátil e recarregável, e os porta-copos dianteiros com iluminação.

O Compass oferece ampla visibilidade, a não ser pelas colunas traseiras, e posição de dirigir bem estudada. O espaço interno comporta uma família de cinco pessoas sem desconforto. Ponto negativo é o porta-malas pequeno, que ainda tem seu espaço prejudicado pelo estepe com a mesma medida dos pneus originais: apenas 328 litros até o topo do banco traseiro, ampliáveis a 1.269 litros com o banco rebatido e a carga até o teto. Aliás, até o tanque de combustível é modesto: 51 litros.

Mesmo trazendo a lendária marca Jeep no capô e a grade de sete elementos, o Campass não é um 4×4: tem tração apenas dianteira, algo até inesperado para um veículo da empresa. A estrutura é monobloco, a exemplo dos principais concorrentes, e ambas as suspensões são independentes, com uso do conceito multibraço no caso da traseira. O vão livre do solo, 205 mm, é mediano e confirma a proposta mais urbana.

Também atual é o motor de 2,0 litros, único oferecido no Brasil, dotado de bloco de alumínio, quatro válvulas por cilindro e variação do tempo de abertura das válvulas, tanto de admissão quanto de escapamento. Assim como o 2,4 usado pelo Fiat Freemont, ele é parte da Global Engine Manufacturing Alliance, ou GEMA, antiga associação entre Chrysler, Mitsubishi e Hyundai para desenvolvimento e produção de motores (em 2009 o grupo norte-americano assumiu a parte dos parceiros).

Potência e torque são adequados para sua cilindrada e a técnica empregada, mas surgem em regimes bem altos (156 cv a 6.300 rpm e 19,4 m.kgf a 5.100 rpm) e lidam com um peso importante, 1.424 kg, além da precária aerodinâmica típica dos utilitários, o que se reflete em desempenho modesto. A única caixa de câmbio disponível, a automática de variação continua Jatco CVT2, traz um modo sequencial com a simulação de seis marchas por meio de pontos de parada das polias.

O conjunto motor-câmbio não se mostrou muito estimulante na avaliação do Compass na região de Barueri, na Grande São Paulo. É preciso se acostumar com as características desse sistema, como o crescimento de giros nas subidas, sem que a velocidade aumente na mesma proporção, ou certa “preguiça” nas retomadas de velocidade. Em velocidade constante, mas com subidas e descidas, o motor sobe e desce de giros suavemente e contribui para o conforto.

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