Argo, Fiesta, 208 e Polo: uma categoria se redefine

Apesar das diferenças de idade, o mais novo (Polo) não parece o mais moderno do grupo e o mais antigo (Fiesta) demorou a envelhecer

 

Concepção e estilo

O único projeto brasileiro entre os três é o Argo, desenhado aqui para suceder ao Palio e ao Punto, com ligeira inspiração no estilo do Tipo europeu. O Polo, apresentado há meses na Alemanha, representa a sexta geração do hatch lançado em 1975, que no Brasil teve só um antecessor (de 2002 a 2014), além do sedã Polo Classic (1996 a 2002). O 208 apareceu em 2011 na França e ganhou produção nacional em 2013, com atualizações de estilo três anos depois. O mais antigo é o Fiesta: passou em 2008 a esta sexta geração na Europa (onde já tem 41 anos de história), chegou ao Brasil como hatch em 2011, mudou de frente e foi nacionalizado em 2013 e agora recebeu mudanças sutis. Os europeus ganharam há um ano sua sétima geração.

 

 

Argo e 208 mostram desenhos modernos e bem resolvidos. O mesmo pode ser dito do Polo, mas a fábrica poderia ter optado por linhas menos discretas e criar uma traseira não tão parecida com a do Gol. Por isso, o mais novo não parece sê-lo. O Fiesta foi exemplo de estilo atraente e ousado ao chegar ao mercado. O tempo deixou sua marca e as poucas alterações para 2018 não ajudam a renovar seu apelo; mesmo assim, o tempo que levou para envelhecer indica a qualidade do desenho.

O melhor coeficiente aerodinâmico (Cx) divulgado é o do Peugeot, 0,32, ante 0,33 do Ford e 0,344 do VW. O do Fiat não foi informado. Um ponto alto do Polo está nos vãos mínimos e perfeitos entre os painéis de carroceria, típicos de carros de segmento superior. Os outros estão bem nesse aspecto, mas um pouco atrás — boa notícia para o Argo, que supera o padrão usual da marca.

 

Os carros andam todos parecidos? Não esses, que se distinguem bem de frente ou de traseira, mas a semelhança do Polo ao Gol por trás incomoda a muitos

 

Conforto e conveniência

O 208 tem as soluções internas mais ousadas, com o quadro de instrumentos lido por cima do pequeno volante. Como no Argo, a tela central do sistema de áudio sobressai do painel como um tablet — diferente do Polo, que a integra ao conjunto, e do Fiesta, que a coloca em uma caixa. O VW abusa das formas retilíneas por onde quer que se olhe — boa parte dos elementos não pareceria estranha dentro de um Gol dos anos 80. O avaliado não trazia o quadro de instrumentos digital e configurável, opcional.

 

Se o 208 tem as soluções internas mais ousadas, o Polo abusa das formas retilíneas: boa parte dos elementos não pareceria estranha dentro de um Gol dos anos 80

 

O Fiat e o Ford tinham revestimento de bancos em material sintético que simula couro (a primeira anuncia “couro ecológico”, a outra fala em couro parcial), também disponível como opção ao Polo. Este e o Peugeot usam tecidos de bom padrão. Todos têm plásticos rígidos, que no Argo e no 208 agradam mais pelo aspecto: Polo e Fiesta são espartanos para esta faixa de preço. No Griffe havia algumas rebarbas ausentes de versões anteriores.

Visual à parte, o Polo oferece ao motorista um banco bem acertado em formato, densidade, apoios laterais e para coxas. Os outros deixam a desejar em algum aspecto: Fiesta e Argo apoiam mal as coxas; o 208 tem assento e encosto muito retos e duros. Todos oferecem volante bem desenhado e regulável em altura e distância, ajuste do banco em altura e apoio adequado ao pé esquerdo.

 

Diferentes arranjos para integrar, ou não, a tela central de áudio ao painel; formas retas dão ar antiquado ao Polo por dentro; soluções do 208 são originais

 

O Argo traz como opção o quadro de instrumentos mais farto em informações: o mostrador digital indica temperatura do óleo do motor (também no Polo) e da transmissão, tensão da bateria e horas de uso do motor. Todos têm computador de bordo, que no VW usa três medições (desde zerado, desde a partida e desde o abastecimento), no Fiat e no Peugeot duas e no Ford só uma. Este último mostra aspecto defasado e não vem com repetidor digital do velocímetro.

 

 

Com as atualizações promovidas a 208 e Fiesta para 2018, os quatro trazem sistemas de áudio de moderna geração, compatíveis com telefone por Bluetooth, Android Auto e Apple Car Play. A tela de 8 pol do Polo tem sensor de aproximação, que abre menus quando o dedo está perto de tocar a tela; o 208 e o Argo usam de 7 pol, e o Fiesta, de 6,5 pol, todas sensíveis ao toque. O VW vem ainda com toca-DVDs e entradas de cartão SD no porta-luvas. Toca-CDs foi abolido no 208 e no Argo. A qualidade de áudio é boa, mas não ótima, nos quatro carros.

Apesar do conveniente comando por voz, o sistema Sync 3 do Fiesta continua trabalhoso para acesso às pastas de um dispositivo como pendrive. Sua tela, talvez improvisada após o projeto do painel, fica mais à direita (também a do Argo) e mais distante do que o ideal e vem emoldurada de maneira que dedos com unhas longas têm dificuldade em tocar os comandos. No 208 a única tomada USB (os rivais têm duas) subiu do console para o próprio aparelho, o que é menos estético. Navegador integrado vem no Polo e no Fiesta; nos demais usa-se aplicativo do telefone.

 

Bancos bem desenhados e maior espaço interno favorecem o Polo; Argo e Fiesta traziam material que simula couro; note os difusores de ar baixos no Polo e no 208

 

O conteúdo de conveniência é amplo nos quatro: alarme volumétrico (ultrassom), alerta para uso de cinto, ar-condicionado automático, câmera traseira de manobras, comandos de áudio no volante, controlador de velocidade, controle elétrico de vidros com função um-toque (apenas o do motorista no 208), faróis e limpador de para-brisa automáticos, mostrador da temperatura externa, preaquecimento de álcool para partida a frio (dispensado no Polo pela injeção direta, sem tanque auxiliar da mesma forma), sensores de estacionamento na traseira e volante revestido em couro. Com exceção do 208, vêm ainda com assistente de saída em rampa (faz pouca diferença com caixa automática), chave presencial para acesso e partida, comando a distância para abrir e fechar vidros e retrovisor interno fotocrômico.

Detalhes favoráveis ao Argo são alerta programável para excesso de velocidade, para-brisa com faixa degradê, rebatimento elétrico dos retrovisores e três alças de teto (nos rivais, nenhuma). Ele é o único também com parada/partida automática do motor. O 208 sobressai por apoio de braço central na frente (curioso não vir no Argo Precision, pois o Drive 1,3 oferece), ar-condicionado de duas zonas, limitador de velocidade e teto envidraçado (o forro manual fecha os raios solares por inteiro, diferente do usado no 2008, mas há certa perda de espaço para cabeça no banco traseiro).

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