Grand Siena vs. Versa: questão de abordagem

Grand Siena vs. Versa: questão de abordagem
Grand Siena vs. Versa: questão de abordagem


Derivados de hatches, eles têm desenho próprio e maior entre-eixos, mas as diferenças
são maiores do Versa para o March que do Grand Siena em relação ao novo Palio

Concepção e estilo

O Grand Siena baseia-se na segunda geração do Palio, revelada no fim do ano passado depois de sucessivas reestilizações aplicadas ao hatch original de 1996. Dessa vez a Fiat resolveu buscar uma colocação de mercado um pouco mais alta para o sedã por meio de frente própria, acabamento diferenciado e entre-eixos mais longo — a mesma estratégia que lhe havia dado o Linea a partir do Punto.

E pela mesma estratégia nasceu o Versa, um Nissan fabricado no México para ser vendido nos Estados Unidos como um dos carros mais baratos daquele mercado. Embora derivado do March, o sedã tem todos os painéis de carroceria diferenciados — até as portas e colunas dianteiras, que em muitos casos, como no Grand Siena, são aproveitadas do hatch. Curioso é que Versa sempre foi o nome para os norte-americanos do carro que conhecemos como Tiida, um modelo maior oferecido como hatch e sedã. Aqui eles convivem, mas nos EUA o Tiida sedã ficou no passado.

 

Grand Siena vs. Versa: questão de abordagem

Grand Siena vs. Versa: questão de abordagem


As formas do Fiat são mais equilibradas, embora lhe falte a identidade da
marca; no Nissan a traseira parece baixa e as partes não se combinam

 

O Grand Siena mostra linhas discretas, mas equilibradas, com um bom trabalho de desenho em especial na vista de perfil. Poderia ter a identidade Fiat mais evidente na parte dianteira, além de mostrar semelhança exagerada com o Voyage em numerosos elementos visuais, mas isso não tira o mérito do estilo. O mesmo não pode ser dito do Versa, no qual as formas não “conversam” entre si. Há elementos retilíneos e curvos lado a lado — como grade e faróis —, a linha de teto em declínio é estranha e a traseira dá a impressão de ser longa e baixa demais, como se pertencesse a outro carro (saiba mais nas Análises de Estilo do modelo da Fiat e da Nissan).

Há empate técnico em coeficiente aerodinâmico (Cx), 0,318 no Versa e 0,32 no Grand Siena, e nem mesmo a área frontal (estimada) serve para desempatar, pois a diferença é mínima. Na multiplicação dos índices, o Nissan termina com 0,753 e o Fiat com 0,755 — ou seja, o ar não seria capaz de dizer por qual deles passou com mais facilidade…

Conforto e conveniência

Não há como negar: o interior do Grand Siena agrada bem mais aos olhos que o do Versa. A Fiat caprichou no trabalho visual dessa versão Essence, com uma bela combinação de tons que inclui um bronze em elementos do painel e um bege na parte superior dos bancos — bem-vinda alternativa aos revestimentos sempre pretos ou escuros do mercado nacional. Há também filetes cromados de bom aspecto, embora os dos difusores de ar superiores causem reflexo do sol em certas condições. No Nissan, o painel similar ao do March tem aparência um tanto pobre e quase não existem peças no interior que não venham em preto. Estética à parte, os materiais das cabines são semelhantes, com plásticos rígidos (mas com boa montagem) e tecidos de revestimento simples.

 

Grand Siena vs. Versa: questão de abordagem
Grand Siena vs. Versa: questão de abordagem


Se nenhum é luxuoso ou usa materiais caros, o Grand Siena mostra cuidado
maior com a aparência com a agradável combinação de tons e texturas

 

O motorista encontra boa posição nos dois modelos, com alinhamento adequado entre banco, volante e pedais (embora no Grand Siena a direção fique um pouco mais à direita), apoio suficiente em curvas e local apropriado para o pé esquerdo. Existe nos dois a regulagem de altura para assento e volante (não em distância), enquanto este último revela melhor apoio para os polegares no Fiat, com raios mais altos, além de vir revestido em couro. Incomodam no Nissan a dura liberação do ajuste do volante e o fato de seu encosto não acompanhar a mudança de altura feita no assento, arranjo que não víamos mais desde o fim do Fiat Stilo e da primeira geração do Ford Focus. A reclinação de seus bancos é feita por alavanca; a do concorrente, por botão giratório. No Grand Siena poderia melhorar o pedal de acelerador, que exige deixar o pé muito à horizontal para uso do curso total.

A versão SL do Versa tem um quadro de instrumentos específico, com iluminação permanente (em branco, mesmo tom do concorrente, em vez do laranja do March) e mostrador digital para temperatura do motor e nível de combustível, sem que isso prejudique a leitura. Como o painel bem legível do Grand Siena, ele traz um computador de bordo que informa consumo em nosso padrão (km/l), mas o do Fiat oferece duas medições, configuração de funções e alerta programável para excesso de velocidade.

Nos dois sedãs o sistema de áudio lê MP3 e oferece qualidade mediana. O do Grand Siena possui entradas USB e para Ipod, além de interface Bluetooth para telefone celular, enquanto o do Versa dispõe apenas de conexões auxiliar e para Ipod. A favor do Fiat estão os comandos de áudio no volante e o funcionamento mesmo com a ignição desligada. Também preferível no Grand Siena é seu controle elétrico de vidros com função um-toque e sensor antiesmagamento para todos, temporizador, abertura e fechamento com comando a distância — nada disso existe no Versa, que tem um-toque só para descer a janela do motorista.

 

Grand Siena vs. Versa: questão de abordagem
Grand Siena vs. Versa: questão de abordagem


Os quadros de instrumentos são fáceis de ler, apesar dos mostradores digitais
do Versa; ruim é selecionar as funções de seu computador de bordo

 

O Grand Siena leva outras vantagens em conveniência, como faixa degradê no para-brisa, mostrador de temperatura externa, quatro luzes de leitura (no Versa, apenas luzes gerais na frente e no centro), alerta específico de qual porta está mal fechada (no Nissan há um aviso geral), alças de teto na parte traseira, alarme com proteção por ultrassom, luz de aviso para atar cinto, um ótimo comutador de faróis (do tipo que só se puxa e com batente bem definido, para não passar ao facho alto sem querer ao relampejar com o baixo aceso), bolsas em ambos os encostos dianteiros (só no direito, no Versa), porta-óculos de teto e as opções de controlador de velocidade, retrovisor interno fotocrômico, comando automático para faróis e limpador de para-brisa e sensores de estacionamento na traseira. Oferece ainda um amplo teto solar, com seção dianteira móvel e traseira fixa, mas o carro avaliado não o trazia.

A favor do Versa estão apenas maçanetas cromadas (fáceis de encontrar à noite), tampa no espelho do para-sol do passageiro (sem iluminação em ambos os carros), janelas traseiras que descem por inteiro e bocal externo do reservatório de gasolina para partida a frio, junto ao para-brisa, o que dispensa abrir o capô. E os dois contam com itens como comando interno do bocal de abastecimento, vários porta-copos e difusores de ar bem posicionados — nota-se capricho nesse item no Grand Siena, em oposição aos difusores baixos e ineficazes da geração anterior. Vale notar que o Versa vem “depenado” para cá, pois nos EUA oferece Bluetooth, controlador de velocidade e até navegador integrado ao painel.

Merecem correção no Nissan o comando de seleção nada prático do computador de bordo, pelo mesmo botão que zera o hodômetro parcial; as portas, que só se desbloqueiam quando o motorista retira a chave do miolo de ignição e não se abrem se travadas; as alavancas que abrem capô e tampa do tanque, difíceis de ver e diferenciar na parte inferior do painel; e o bloqueio de vidros traseiros (para evitar seu uso por crianças), burro como habitual nas marcas japonesas, pois trava também os botões da porta do motorista que acionam esses vidros e o do passageiro da frente. Poderia melhorar em ambos os carros o espaço para pequenos objetos.

 

Grand Siena vs. Versa: questão de abordagem
Grand Siena vs. Versa: questão de abordagem


A favor do Fiat, capacidade de bagagem pouco maior: 520 ante 460 litros do Nissan

 

Onde o Versa vence por larga margem é em espaço para pernas no banco traseiro, que chega a impressionar, pois supera até modelos do segmento médio (no Grand Siena é apenas razoável, típico de um carro de seu tamanho). Também cômoda é a posição de seu encosto, mais reclinada que o habitual. Não se engane, porém: ele ainda é um sedã compacto em termos de largura, como fica evidente quando três adultos se sentam atrás, com tanto aperto quanto no Fiat. Este ainda é melhor quanto à altura útil, aspecto que no Nissan é prejudicado pelo declínio rápido do teto, e incomoda menos eventual quinto ocupante pela conformação do banco.

O Grand Siena oferece maior capacidade de bagagem, 520 litros contra 460 do oponente. Em ambos a tampa usa braços econômicos, em vez das mais funcionais articulações pantrográficas, e pode ser aberta pelo controle remoto da chave, mas no Fiat se precisa puxar a tampa com a mão no início, enquanto a do Nissan se ergue até a metade, mais prático. Também superior neste último é a forração interna da tampa. Os estepes ficam por dentro e usam roda de aço com pneu de 15 pol — correto para o Versa e errado para o Grand Siena, que usa 16 pol nas demais rodas.

Próxima parte