BMW Série 3: concessão ao meio ambiente

Avaliação

Concessão ao meio ambiente

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Entre novas conveniências e um estilo discutível, o Série 3 da BMW substitui o clássico motor de seis cilindros por um eficiente turbo

Texto: Fabrício Samahá – Fotos: Miguel Costa Jr.
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Comprimento e entre-eixos cresceram em relação ao anterior; em seu desenho sobressai a nova frente, com faróis que se ligam às grades
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O motor turbo de 2,0 litros e 245 cv do 328i substitui o 3,0 de 218 cv do antigo 325i; note na foto de perfil a “corcunda” algo exagerada do capô

Fotos: Fabrício Samahá
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Novo (branco) e anterior lado a lado: a filosofia de estilo foi mantida, com as novidades mais percebidas na frente e nas lanternas traseiras

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A sexta geração do BMW Série 3 (código F30), revelada na Europa em outubro do ano passado, chega ao mercado brasileiro com a missão de substituir o segundo modelo mais vendido da marca por aqui (superado apenas pelo X1 nos últimos anos), responsável por 35% das unidades que o fabricante coloca em nossas ruas. Trata-se do vice-líder entre os sedãs médios das marcas de prestígio, sendo o Mercedes-Benz Classe C o mais vendido deles desde 2008.

De imediato estão disponíveis as versões 328i e 335i. A primeira vem em quatro padrões de acabamento: básico, ao preço sugerido de R$ 171.400; Sport, por R$ 189.700; Luxury, de R$ 212.950; e Plus, por R$ 229.950. Todos trazem um novo motor turbo de 2,0 litros e quatro cilindros em linha. Já o 335i vem em pacote único Sport, ao preço de R$ 294.950, com o conhecido motor turbo de 3,0 litros e seis cilindros em linha. Comum a ambos é a caixa de câmbio automática de oito marchas. Em agosto chega a opção de entrada 320i por menos de R$ 130.000. Cupê, no próximo ano, e conversível em 2014 virão ampliar a oferta.

O 328i básico traz equipamentos de série como seis bolsas infláveis (frontais, laterais nos bancos dianteiros e cortinas para a cabeça dos ocupantes da frente e de trás), controle eletrônico de estabilidade e tração, faróis de xenônio para ambos os fachos, encostos de cabeça ativos nos bancos dianteiros, pneus que podem rodar mesmo vazios, rodas de 17 pol, revestimento interno em couro, ar-condicionado automático de duas zonas, câmera traseira de manobras, ajuste elétrico dos bancos dianteiros com duas memórias no do motorista, faróis e limpador de para-brisa automáticos, computador de bordo, teto solar com controle elétrico e sistema de áudio com toca-CDs, MP3, interface Bluetooth e tela de 6,5 pol.

Passando ao Sport levam-se rodas de 18 pol, bancos dianteiros de formato esportivo com filetes e costuras em vermelho (assim como o painel e o volante) e apliques de alumínio escovado no interior. Já o Luxury adota rodas de 18 pol com desenho tradicional e apliques de madeira no interior. Os itens exclusivos da versão Plus não foram informados, nem havia o carro para exposição no evento de lançamento.

Por sua vez, o 335i Sport traz — além do motor — rodas de 19 pol, sistema de áudio da renomada Harman Kardon, navegador por GPS com tela de 8,8 pol no painel, acesso à internet com serviços do Google, sensores de estacionamento também à frente, assistente de farol alto (comuta para facho baixo ao detectar veículo à frente ou no sentido oposto), iluminação direcional em curvas, direção com relação variável, pás no volante para trocas manuais de marcha, câmeras externas que simulam uma visão geral por cima do carro, projeção de informações em cores no para-brisa, mostradores de potência e torque em uso no momento e alerta para evasão da faixa de rolamento, além dos bancos esportivos.

Redesenhar um Série 3 deve ser sempre uma tarefa complicada para os projetistas da BMW, pois há tempos, no mínimo desde a geração E36 (leia boxe), esses carros parecem não ter onde evoluir em estilo, mecânica ou comportamento dinâmico a seu tempo. No que toca ao desenho, percebe-se que a frente foi alvo das maiores alterações, com faróis que encontram a dupla grade e nervuras centrais do capô mais espaçadas. A nosso ver, desagrada a “corcunda” formada quando se vê a frente de lado, talvez imposição das normas de segurança a pedestres na Europa.

Embora toda a carroceria seja nova, o restante lembra muito o da anterior. Continuam lá as formas côncavas das laterais, a “dobra de Hofmeister” no fim das janelas (a curva característica desenhada nos anos 60 pelo diretor de estilo Wilhelm Hofmeister e mantida em todo sedã BMW desde então), a borda arredondada da tampa do porta-malas e a forma básica das lanternas traseiras, que agora são mais “puxadas” para as laterais. No conjunto, a BMW conseguiu manter a identidade do Série 3 — talvez pudesse evitar a grande semelhança com o Série 5 — e propor algo inédito por meio dos faróis. No entanto, em nossa análise pessoal com o novo carro ao lado do anterior, parece ter havido involução em vez de um passo à frente.

Como tem acontecido a cada geração, o Série 3 cresceu bastante, nada menos que 93 mm em comprimento e 50 mm na distância entre eixos, enquanto a largura até diminuiu (em 6 mm), pois havia aumentado muito na geração anterior. Já as bitolas ganharam 37 mm na frente e 47 mm na traseira. Foi mantido o coeficiente aerodinâmico (Cx) 0,30 para o 335i, de pneus mais largos, enquanto o do 328i fica em 0,29.

Ambiente de trabalho O interior preserva o aspecto sóbrio em termos de desenho — a BMW parece projetá-lo sempre como ambiente de trabalho, alheio a ousadias de estilo. Painel e volante lembram os do anterior, assim como o já clássico quatro de instrumentos, no qual o vacuômetro analógico chega a parecer nostálgico (outros modelos da marca adotaram uma tela digital que permite eliminar o instrumento). Interessante é que o marcador de temperatura não é do líquido de arrefecimento, mas do óleo lubrificante.