Citroën DS5: um desenho para fugir aos padrões

Citroën DS5: um desenho para fugir aos padrões

 

Seguindo sua estratégia no passado, os franceses buscaram
diferenciação com esse hatch que lembra uma shooting brake

Texto: Edilson Luiz Vicente – Fotos: divulgação

 

Não é de hoje que a Citroën procura fazer modelos com estilo diferenciado da grande maioria e, com isso, conseguir destaque nos mercados em que atua. Sua história é repleta de casos assim, como o DS dos anos 50, o CX e o SM dos 70 e o XM dos 90. De uns 10 anos para cá, ela vem desenvolvendo um trabalho de estilo bastante ousado em seus modelos, sendo hoje brutal a diferença — e a melhora — de seus padrões de estilo em relação aos modelos de uma década atrás.

Talvez não seja exagero dizer que a Citroën é, hoje, a marca que mais tem praticado ousadia em termos de estilo — mais até que a Hyundai. E o ápice dessa atitude é o DS5, o topo da linha DS, linha de prestígio que a própria Citroën chama de “modelos de estilo”.

 

A linha que separa o bom senso do exagero é muito tênue e, por mais que possa agradar ao pessoal de Estilo usar e abusar do criatividade, saber a hora de parar é uma arte

 

Esse modelo recém-lançado no Brasil tem várias curiosidades. Uma delas é seu estilo ter sido apresentado em grande parte em 2005, na forma do carro-conceito C-Sport Lounge, para só entrar em produção ao fim de 2011. Mesmo após tanto tempo, não perdeu a essência do desenho apresentado naquela ocasião, o que é totalmente fora do comum, pois quanto mais tempo passa mais há a tendência de mudanças. Outra curiosidade está na grande dose de ousadia aplicada ao DS5, mais até que a percebida no modelo conceitual.

Talvez a maior curiosidade esteja em seu estilo provocar muitas sensações, algumas boas, outras nem tanto, a começar pelo tipo de carroceria adotado. Trata-se de um hatchback bem grande para nossos padrões (estamos acostumados a hatches apenas do segmento médio para baixo), mas tem um toque de minivan e, ao mesmo tempo, um certo ar de shooting brake — expressão sem tradução literal para o português, usada no inglês para denominar um meio-termo entre carro esportivo e perua, com silhueta bem singular. Essa fusão seria ótima se, ao mesmo tempo, não provocasse uma sensação de dúvidas a respeito de quão interessante ficou a mistura.

 

 

E não para por aí. O modelo é extremamente recheado de detalhes estéticos onde quer que se olhe, e então cabe um comentário: a linha que separa o bom senso do exagero é muito tênue e, por mais que possa agradar ao pessoal de Estilo usar e abusar do criatividade, saber a hora de parar é uma arte. A nosso ver, não foi exatamente o caso do DS5, pois não se trata de uma igreja barroca do século XVII.

A quantidade de detalhes estéticos provoca mais sensações: no geral o modelo é muito bonito, com aparência esportiva cativante e proporções um tanto diferentes do usual. Ao mesmo tempo, nada disso é suficiente para torná-lo um objeto de desejo. Tanto estilo foi aplicado e fica uma ponta de sensação de que o modelo tenta ser algo que não é. Seu estilo parece concebido não para definir o carro, mas apenas para ser diferenciado. Assim, é preciso um tempo para se acostumar, entender o que ele é e qual o propósito do DS5 para então gostar de seu estilo e seus atributos — ou não.

 

Citroën DS5: um desenho para fugir aos padrões

Citroën DS5: um desenho para fugir aos padrões  Não deixa de ser bonito, mas são detalhes demais. Somados à quantidade de detalhes constantes nas duas grades e mais nos faróis, é muita coisa.

Citroën DS5: um desenho para fugir aos padrões  Solução inteligente: como o foco principal é a linha de cintura, a superfície “pegadora de luz” e a saia lateral são bem simples e não chamam a atenção; apenas cumprem com sua função estética.

Citroën DS5: um desenho para fugir aos padrões  Como citado no texto, para onde se for olhar, podem-se observar detalhes — até uma simples moldura está toda trabalhada. Nesse caso ficou bem por causa da simplicidade apontada no item acima.

 

Citroën DS5: um desenho para fugir aos padrões

 

Citroën DS5: um desenho para fugir aos padrões  Interessante esse detalhe trabalhado na linha de cintura, que foge bastante do trivial, mas desnecessário por já haver a moldura cromada logo acima. Achar bonito ou não vai do gosto de cada um.

Citroën DS5: um desenho para fugir aos padrões  Outro item que foge ao trivial: a janela é de policarbonato. Assim, pode fazer toda essa conformação em uma única peça, o que o vidro não permitiria.

Citroën DS5: um desenho para fugir aos padrões  Lanternas traseiras com belos contornos e bem trabalhadas internamente, com uma peculiar cavidade na parte inferior. Contudo, são grandes demais, sobretudo quando comparadas com o tamanho das janelas.

Citroën DS5: um desenho para fugir aos padrões  Interessante solução estética, com um contorno bem feito. As ponteiras de escapamento são um pouco grandes, já o carro não é tão esportivo assim.

Próxima parte