Conceitos: o tortuoso caminho até chegar ao mercado

Citroen C3 Lumiere 1998
Citroen C3 2001

 

Citroën C3 Lumiere e C3

Inspirados no longevo 2CV, os franceses mostraram no Salão de Paris de 1998 o conceito que daria origem ao C3 em 2001. Mesmo perdendo alguns elementos (como as portas traseiras invertidas) e ganhando uma série de adornos e detalhes que tiraram a pureza de linhas do estudo original, o carro de produção tem muito em comum com ele, das formas de capô e grade à linha curva que serve de base às janelas.

 

Citroen C6 Lignage 1999
Citroen C6 2005

 

Citroën C6 Lignage e C6

Chama atenção nesse caso — além da semelhança entre os dois — o tempo que a marca levou para passar do conceito de 1999 ao modelo de produção de 2005: seis anos, praticamente toda uma geração para um automóvel. Mesmo assim, as linhas do C6 Lignage continuaram ousadas quando transpostas para o C6 de série, mesmo que tenha sido necessário adotar maçanetas, retrovisores e espaço para placa.

 

 

Citroen C-SportLounge 2005
Citroen DS5 2011

 

Citroën C-SportLounge e DS5

Outro caso peculiar pelo tempo decorrido entre a apresentação do estudo (Frankfurt, 2005) e o lançamento do carro definitivo (Xangai, 2011). Ao C-SportLounge foram acrescentados muitos detalhes até o DS5, como grade superior dianteira, vincos no capô, elemento junto aos faróis de neblina, maçanetas nas portas traseiras e as curvas do vinco lateral abaixo das janelas — o que o deixou algo congestionado em comparação ao “limpo” conceito. Como em outros estudos da marca, as portas traseiras abertas para trás perderam-se na transição.

 

Dodge Viper 1989
Dodge Viper 1992

 

Dodge Viper

O primeiro Viper pertence a uma fase em que vários conceitos da Chrysler chegaram à produção. O modelo do Salão de Detroit de 1989 era um tanto radical, como no para-brisa baixo e envolvente, mas sua essência foi mantida com êxito no carro de série, lançado em 1992. Na segunda geração a estratégia se repetiu: o conceito de 2000 previa o modelo de produção de 2003.

 

Dodge Neon 1991
Dodge Neon 1994

 

Dodge Neon

Capô curto, cabine ampla com grandes vidros e faróis ovalados são elementos visuais do sedã médio de 1994 que já estavam no modelo conceitual, mostrado três anos antes. As portas traseiras de abertura inversa às dianteiras foram descartadas.

 

Dodge Intrepid ESX 1996
Dodge Intrepid 1997

 

Dodge Intrepid ESX e Intrepid

O conceito ESX de 1996 antecipou em um ano a segunda geração do Intrepid, testando a aceitação do público a suas formas ousadas. Nem tudo saiu igual, porém: no estudo, elementos como para-lamas largos, janelas de perfil baixo e altura da tampa do porta-malas eram acentuados, além do tamanho das rodas e da ausência de retrovisores. Em termos técnicos, o ESX adotava propulsão híbrida com motor a diesel e duas unidades elétricas, o que o Intrepid de série nunca teria.

 

Fiat Trepiuno 2004
Fiat 500 2007

 

Fiat Trepiùno e 500

Quem viu o simpático estudo Trepiùno (referência aos três lugares mais um de emergência, ou tre più uno  em italiano) no Salão de Genebra de 2004 certamente não imaginou que a Fiat fosse explorar de forma tão intensa, em vários derivados, sua semelhança ao 500 produzido dos anos 50 a 70. As linhas foram mantidas no carro de série, lançado em 2007.

 

Ford Mustang II conceito 1963
Ford Mustang 1964

 

Ford Mustang II e Mustang

Embora o primeiro Mustang tenha sido um carro esporte de motor V4 central, apresentado em 1962, foi com o conceito Mustang II do ano seguinte que a Ford deu reais pistas do que chegaria ao mercado em abril de 1964 para se tornar um mito duradouro, já com 50 anos. Há muito em comum entre seus desenhos, mas a frente pontiaguda do estudo foi descartada.

 

Ford Probe III 1981
Ford Sierra XR4i 1983

 

Ford Probe III e Sierra

A série Probe de conceitos da Ford teve cinco versões, algumas bastante ousadas, prevendo um futuro que ainda não chegou. Mas o modelo III, do Salão de Frankfurt de 1981, parecia antecipar em apenas alguns anos as tendências de estilo ditadas pela aerodinâmica. Não deu outra: em 1982 nascia o Sierra com grande semelhança visual ao Probe III, incluindo o aerofólio traseiro com duas lâminas na versão esportiva.

 

Ford Mustang Mach III
Ford Mustang SVT Cobra 1996

 

Ford Mustang Mach III e Mustang

A história repetia-se 30 anos depois: o estudo Mach III de 1993 previa o padrão de estilo da geração do Mustang a ser lançada um ano depois, com linhas arredondadas e imponentes, mesmo que alguma moderação tenha sido aplicada entre um e outro (pena que também o motor tenha vindo moderado, sem os 450 cv do Mach III). A versão SVT Cobra, com faróis de neblina circulares, parece-se ainda mais com o conceito que os demais Mustangs.

 

Ford Ka 1994
Ford Ka 1997

 

Ford Ka

Tão parecidos, mas tão diferentes: quando o conceito Ka foi revelado, no Salão de Genebra de 1996, a Ford já tinha pronto um desenho mais anguloso, cheio de arestas, dentro da filosofia de estilo New Edge que passaria a vigorar em sua linha. O carro do salão visava, ao que tudo indica, a despistar a concorrência. Uma pista do que chegaria à produção foi dada pouco depois no evento de Turim com o Ghia Saetta (em azul no detalhe), um roadster  elaborado pelo estúdio de estilo cuja frente era praticamente igual à do Ka definitivo, lançado no mesmo ano em Paris.

 

Ford Triton 1995
Ford F-150 1996

 

Ford Triton e F-150

Antes de substituir a F-150 (então igual a nossa F-1000) por um modelo mais arredondado e talvez menos imponente, em 1996, a Ford testou reações com o conceito Triton no ano anterior. A versão final acabou com faróis e grade maiores e perdeu a tomada de ar do capô. Mais tarde, em 1997, o estudo Powerforce antecipou as linhas que chegariam à F-250 Super Duty (e à F-250 brasileira) no ano seguinte.

 

Conceitos: o tortuoso caminho até chegar ao mercado
Ford StreetKa 2003

 

Ford StreetKa

Para o Salão de Turim de 2000 o estúdio Ghia, pertencente à Ford, preparou uma versão roadster  conceitual para o Ka de primeira geração. A ideia foi bem-aceita e, três anos depois, ganhava as ruas com poucas alterações como a eliminação dos quebra-ventos, o acréscimo de um defletor no porta-malas e a simplificação do ousado interior do conceito. Só que a produção ficou a cargo de outro estúdio italiano, a Pininfarina.

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