Saveiro TSi 2000

Versão esportiva do pickup Volkswagen é campeã na
relação entre desempenho, estabilidade e preço

Texto e fotos: Fabrício Samahá
Procurando um carro novo, com boa presença entre a galera e capaz de sair na frente em semáforos ao menor custo possível? Comece a pensar no primeiro pickup leve (derivado de automóvel) esportivo produzido no Brasil: o Saveiro TSi. A mais nova versão do pickup Volkswagen custa, já com rodas de 15 pol. e imobilizador de motor, a partir de R$ 18.031 -- menos que um Gol 1.000 16V -- e oferece saudáveis 111,5 cv de potência. Uma relação de apenas R$ 162 por cv, talvez a melhor do mercado.

Motor 2-litros, rodas e suspensão esportivas e alguns toques na aparência fizeram o TSi, versão "brava" do consagrado Saveiro


O sucesso do Saveiro entre os jovens não é novidade: segundo a Volkswagen, 30% dos compradores têm menos de 29 anos e 35% são solteiros de alto poder aquisitivo (dois terços da classe A). Mas, em que pesem as iniciativas anteriores com o Fiat Fiorino LX -- com razoáveis 94 cv -- e com os próprios Saveiros Summer e Sunset, séries especiais de motor 1,8-litro que tiveram certo êxito, esses consumidores nunca haviam sido tão bem-atendidos por um modelo de série como agora nessa versão TSi.

A receita seguida pela VW não fugiu do que milhares de jovens faziam e fazem com o pickup logo ao sair da concessionária: motor mais potente, rodas de aro maior com pneus mais largos, suspensão mais firme e detalhes externos e internos mais esportivos. A novidade é que tudo isso vem de fábrica, isentando o proprietário de problemas com a garantia e (até certo ponto...) com as seguradoras. Outra vantagem em relação às séries limitadas do Saveiro antigo -- equipadas com o motor AP-1800S do Gol GTS -- é que o TSi utiliza o mesmo 2-litros do Gol e Parati, com bom torque em baixa rotação que lhe confere grande agilidade.

Lançado em outubro de 1997, e embora já aguarde uma reestilização frontal para meados de 1999, o atual Saveiro agrada pelas linhas esportivas. O recurso do pequeno vidro adicional nas laterais, confundido pelos incautos antes do lançamento com uma cabine estendida, dá equilíbrio e harmonia à cabine. Mas o grande comprimento da caçamba transparece ainda mais com o uso das portas pequenas, as mesmas do Gol cinco-portas. Na traseira, lanternas bonitas e delicadas (com as luzes de direção em tom fumê no TSi) contrastam com o excessivo e pouco estético emblema VW, o mesmo empregado na frente da Kombi. A identidade visual com a linha Gol certamente dispensaria esse artifício, condenado por onze entre dez "saveiristas".

Sem os bancos Recaro, opcionais, o interior traz poucas novidades; volante não é ajustável mas tem posição adequada


Como em todo pickup a aerodinâmica não é das melhores: Cx de 0,45. Concorre para isso a caçamba aberta e sua tampa, que não permite remoção rápida como no Ford Courier. Ao menos nesta versão "brava" a Volkswagen deveria oferecer cobertura marítima do compartimento, já disponível no Fiat Strada, que melhora o escoamento de ar na região e protege parcialmente a carga. Por outro lado há o revestimento plástico que evita a deterioração interna da caçamba em uso utilitário, favor de depreciação em pickups.

Além das belas rodas de 15 x 7 pol. e pneus Pirelli P700Z na medida 195/50, os mesmos do Gol GTI 16V, o TSi traz alguns detalhes de esportividade: faróis com duplo refletor (com quatro lâmpadas em facho alto, propiciando ótima iluminação) e de neblina; luz de neblina traseira, justificando a remoção da luz de ré da lanterna esquerda; antena de teto (um estorvo, devendo ser removida a cada parada para evitar furtos) e o logotipo da versão na grade, pára-lamas dianteiros e tampa traseira. No interior são opcionais bancos Recaro, com largos apoios laterais, e os pára-sóis recebem espelhos com tampa e iluminação no teto do veículo -- detalhe sofisticado, inspirado no Passat e nos Audis. No veículo avaliado os bancos eram convencionais, mas revelaram bom apoio em curvas e densidade correta.

Ao volante do TSi o motorista posiciona-se bem, com correta posição do volante (não há ajuste em altura) e espaço razoável para o deslocamento longitudinal do banco, mas nota-se a falta de elementos esportivos. O volante, quando dotado de bolsa inflável, é o quatro-raios do novo Golf, bem-desenhado mas muito sóbrio. Já o painel tem fundo preto e iluminação verde, como nas demais versões: adotar o fundo branco do Gol GTI, mesmo diferenciando o Saveiro dos outros TSi da linha, teria sido bem mais coerente. Outro aspecto que desagrada seu público-alvo é a qualidade modesta do sistema de áudio, com toca-fitas de painel removível compacto, dois falantes e dois tweeters.

Os "saveiristas" não vão aprovar: painel é o mesmo da versão GL, com fundo preto, e o volante com bolsa inflável tem desenho muito sóbrio


Boas e más soluções convivem no interior do Saveiro. Controles elétricos dos vidros possuem sistema um-toque, antiesmagamento e temporizador -- mas deveriam estar nos puxadores das portas e não no painel, onde parecem improvisados. A luz interna, também temporizada e com apagamento gradual, poderia desligar-se já na partida do motor, como no Golf. Há iluminação no porta-luvas, mas não luzes de leitura, e o comutador de farol alto/baixo não permite saber qual será ligado primeiro, propiciando ofuscamentos.

Ainda, há pouco espaço para objetos atrás do motorista e nenhum atrás do passageiro, onde se aloja o estepe -- mesmo que haja lugar para ele sob a caçamba, como adotado no Courier. Por falar em caçamba, traz apenas quatro ganchos de amarração de carga, pouco até para o transporte de veículos de lazer como moto e jet-ski. Notas positivas são as maçanetas cromadas, de bom aspecto e fáceis de encontrar no escuro; pára-brisa com faixa degradê, ainda relevada por muitos fabricantes; revestimento fonoabsorvente sob o capô e prático alarme de controle remoto que também trava portas e sobe vidros.

O conjunto mecânico da nova versão não traz surpresas. Reúne o conhecido motor 2-litros, agora desenvolvendo 111,5 cv em função de alterações na linha '99; o mesmo câmbio dos demais Saveiros, apenas com o diferencial alongado (de 4,11:1 para 3,89:1); e os mesmos freios e suspensão, esta recalibrada para maior rigidez. Os pistões de curso longo -- 92,8 mm, maior que o diâmetro dos cilindros, de 82,5 mm -- colaboram para o bom torque em baixos regimes do motor AP-2000, mas seria preciso adotar bielas mais compridas para ganhar em suavidade (
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As relações de marcha corretas garantem um comportamento ágil e levam a rotação do motor em velocidade final -- 174 km/h, dado do fabricante -- a 4.800 rpm, não muito distante do regime de potência máxima, de 5.250 rpm. Os números da Volkswagen apontam ganho de 6 km/h em velocidade, de 0,5 segundo na aceleração de 0 a 100 e perda média de 0,6 km/l no consumo em relação ao Saveiro GL 1.8.

A pequena janela na coluna harmoniza o estilo da região, mas a caçamba longa e o emblema VW na traseira desagradam


Rodando, o TSi vai despertar suspiros no fã-clube. O ronco esportivo mas não exagerado, o rodar firme, o peso correto da direção, a ótima aceleração e o tradicional câmbio Volkswagen transmitem sensação de esportividade e segurança. A estabilidade agrada, permitindo curvas bastante rápidas sem sustos, às custas de algum desconforto em piso irregular, nos quais a traseira pula e faz barulho. Recalibrar a suspensão posterior, mesmo com redução na capacidade de carga, seria boa atitude mas não se viabilizaria pela baixa produção da versão.

Iguais aos do Saveiro de 1,8 litro, os freios funcionam a contento e recebem apoio dos largos pneus. Contudo, sem a disponibilidade de sistema antitravamento (ABS), requerem atenção em freadas bruscas para que a traseira, de rodas bloqueadas, não fuja da trajetória como ocorreu numa simulação de freada pânica em nossa avaliação. Outra crítica, mais relacionada ao conforto e comum a toda a linha Gol com sistema assistido, vai para a direção de relação muito alta, que requer movimento além do normal para as manobras.

Deixa a desejar ainda o engate da marcha a ré, com uma trava adicional (desnecessária, pois já há bloqueio interno) a exigir esforço. E a VW poderia rever, numa futura remodelação interna, a posição pouco natural dos comandos de ventilação e saídas de ar centrais. Montadas abaixo do rádio, dificultam direcionar o ar condicionado para cima como convém. São detalhes que para alguns têm pouca importância, mas é também de detalhes -- e do desempenho a baixo custo -- que se faz todo o charme do Saveiro TSi.


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