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Matra, outro fabricante nacional

O Brasil tem mais um fabricante a ser incluído na ampla relação que o torna o detentor da lista mais variada do planeta. Agora são 19, com a Matra Veículos do Brasil, inteiramente nacional em capital e propósitos, que inaugurou sua pequena usina em Ibati, no norte do Paraná, dentro dos estímulos de atração industrial oferecidos pelo estado.

O produto da Matra é um picape, de projeto simplório, para aplicações rústicas. Líder e empreendedor do projeto, o plantador de grãos Nivaldo Rubens Trama, vivenciador da vida rural, entendeu de suprir uma lacuna no mercado, a do veículo de construção simplificada, sem luxos ou confortos, mas adequado a serviços ásperos nas fazendas, locais sem pavimentação.

Rusticidade

O projeto segue este rumo de trabalho duro, o mesmo caminho anteriormente trilhado pelo picape Jeep, da Willys, depois F-75, assumido pela Ford, e do Toyota Bandeirante, recém-saído de produção: chassi em longarinas paralelas, eixos rígidos, suspensão por feixes de molas semi-elíticas, opção de sistema de tração nas quatro rodas. Em todos a motorização é diesel, Maxion, de ciclo rápido, quatro cilindros, 2,5 litros, com turbo e intercooler, produzindo 115 cv de potência e 29 m.kgf de torque.

Confortos como os freios a disco frontais e a direção assistida hidraulicamente, hoje quase padrão nos veículos nacionais, serão opcionais, como forma de conter custos, informa Ezelino Xavier Franco Junior, gerente nacional de vendas. A cabine com apenas dois lugares é moldada em fibra de vidro, segundo o fabricante bem adequada ao uso projetado, que são as estradas de terra. Para tal função, a tomada de ar é colocada em grande altura, e o sistema de filtragem de ar é para serviços sob poeira, assegurando longa vida para o motor.

As pretensões de mercado são contidas em 130 unidades mensais, e a produção se inicia com 50 Matras ao mês. Informa a empresa que o experiente André Beer, ex-vice-presidente da General Motors, viu o projeto, gostou, e projetou uma absorção de 200 veículos por mês neste específico segmento de mercado.

A Matra é por definição uma montadora, comprando quase todas as peças fora de suas cercas. O motor é Maxion, a transmissão de cinco marchas à frente é Eaton, os diferenciais são fornecidos pela Dana, e a caixa de transferência -- a unidade que transmite força por acionamento mecânico para acionamento dos dois eixos simultaneamente -- é de projeto próprio.

Com a pretensão de substituir o antigo picape Jeep e o Toyota Bandeirante, o Matra tem estilo e formulação de tecnologia de décadas passadas, lembrando muito veículos igualmente toscos e com o mesmo direcionamento, como os utilitários portugueses UMM e o romeno ARO.

Para registro histórico, a marca nada tem a ver com pequena fábrica anteriormente existente em Santa Catarina, especializada em caminhões e ônibus reforçados a partir de estruturas mecânicas da General Motors, ou com a francesa, ex-participante da Fórmula 1 e vitrine de tecnologia construtiva (leia história do esportivo Bagueera).

Valor e rede

Preços, de R$ 31 mil a R$ 39 mil, dependendo da configuração -- maior distância entre eixos, tração nas quatro rodas, etc. A rede de distribuição já conta com 24 postos, sendo 23 revendedores de tratores e um prestador de serviços em freios, e a venda do novo produto significa, no entender da Matra