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Após mais de 100 horas e
4.700 km com o Polo I-Motion, a equipe se mostra satisfeita com
ele em vários aspectos, mas não com um: preço


Se o motor de 1,6 litro
atende bem às necessidades, pode melhorar o funcionamento da caixa
automatizada, que ainda produz algum "soluço" |
Atualização final - 3/8/10
Para
fechar com chave de ouro seu recorde de quilometragem entre os carros de
Um Mês ao Volante, o Polo Comfortline I-Motion cumpriu mais 676
quilômetros no fim de semana nas mãos do editor Fabrício Samahá. Tendo
avaliado Polos em diferentes versões desde seu lançamento, em 2002,
Fabrício reconheceu antigos atributos e colocou o
câmbio automatizado ASG à prova em
diferentes condições, pois viajou pelas rodovias Ayrton Senna e Carvalho
Pinto, que ligam São Paulo ao Vale do Paraíba, e rodou bastante por
estradas sinuosas e de serra naquela região.
E gostou? Sim, embora com ressalvas. Considerou-o mais suave nas
mudanças que os primeiros do gênero, aplicados a Stilo, Meriva e Linea,
embora não superior ao usado pela Fiat na linha Palio. "O escalonamento
das marchas definido para a versão I-Motion reduz o 'soluço' nas trocas
das marchas mais baixas, mas a VW ainda pode melhorar esse aspecto",
observou. Fabrício elogiou a rapidez das mudanças manuais quando se usa
o modo esportivo (tecla S) e a possibilidade de usar as "borboletas" do
volante mesmo com a alavanca seletora em modo automático. A atuação
manual cessa após alguns segundos sem uso.
O que não agradou? Ao contrário das caixas automáticas modernas, a
automatizada não percebe se o carro está em aclive, declive ou no plano.
"Com isso, em uma subida de serra, é comum ver o modo automático trocar
de marcha com frequência: pisa-se um pouco mais e ocorre redução;
alivia-se o acelerador e ela passa à marcha superior. Mas a presença do
modo manual contorna o problema. Além disso, nos declives, o ASG toma a
decisão correta de manter a marcha quando se deixa de acelerar, o que
produz freio-motor e poupa os freios", analisa Fabrício.
O editor assinalou que não gosta da posição de trocas manuais na
alavanca, com reduções para trás — prefere o esquema inverso, adotado na
linha Fiat Dualogic e em algumas caixas automáticas. "Gostos à parte, o
Polo continua um grande carro pequeno para quem dirige: boas respostas
do motor em qualquer faixa de rotação, um ronco levemente esportivo,
comportamento dinâmico dos melhores na classe sem penalizar o conforto
de rodagem, muitos itens de conveniência mesmo sem a adição de
opcionais. O retrovisor esquerdo biconvexo
é ótimo, assim como o computador de bordo com muitas funções", elogiou.
Mas o sedã da VW não ficou isento de algumas críticas.
"Para um carro de R$ 62 mil, há deslizes imperdoáveis. Exemplos: os
materiais plásticos não são compatíveis com esse preço, faltam cinto de
três pontos e encosto de cabeça na posição central do banco traseiro, o
porta-luvas é muito pequeno e, como já citado na seção, os assentos
dianteiros deveriam ser maiores. De resto, o espaço transversal do
interior é típico de carro pequeno, mas o Comfortline completo concorre
em preço com modelos médios", analisou Fabrício.
O editor compraria um Polo como esse para seu uso? Provavelmente não,
respondeu de pronto: "Nada contra o câmbio automatizado, que cumpre bem
seu papel de trazer conforto no uso urbano sem implicar perdas em
desempenho e consumo, além de ser oferecido a valor adequado. O problema
está no preço do próprio Polo. Na África do Sul o modelo desta geração,
que não existe mais na Europa, é vendido como carro de entrada da marca.
Aqui, a VW tem três modelos — duas gerações do Gol e o Fox — abaixo do
Polo e tenta posicioná-lo entre modelos maiores e mais potentes das
marcas concorrentes, papel em que ele não é bem-sucedido".
Continua |