Uma pitada de pimenta

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O visual sugere esportividade, mas conforto é o ponto alto do Toyota
Corolla XRS, que passou pela avaliação de 30 dias com a equipe

Texto e fotos: Roberto Agresti

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O editor Fabrício Samahá foi mais um a considerar exagerado o visual do XRS, mas a reconhecer atributos do Corolla que a versão preserva

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Detalhes em vermelho e volante achatado buscam uma esportividade que falta ao painel; conveniente é sua fartura de espaços para objetos

Fabrício aprovou o motor de 2,0 litros e 153 cv, considerado suave e
de bom desempenho; já o câmbio de quatro marchas mereceu críticas

Atualização final - 17/7/12

Com exatos 4.265 quilômetros rodados em 31 dias, o Toyota Corolla XRS se despede de nosso Um Mês ao Volante  — certamente um dos mais polêmicos, pois resultou em um recorde de mensagens dos leitores, nada menos do que 350 até o momento em que fechamos este artigo final. Para nossa equipe foi uma surpresa verificar que um Corolla, que não é teoricamente o tipo de modelo que desperta paixões, motivou tantas manifestações, tanto positivas como negativas.

Ponto assinalado de maneira recorrente pelos leitores é a impropriedade da escolha da Toyota de dotar seu sisudo sedã de componentes esportivos, tais como aparatos aerodinâmicos — aerofólio, defletor dianteiro e saias laterais —, rodas pintadas na cor grafite e interior com detalhes vermelhos. A sigla XRS remeteria a uma esportividade que, de fato, esse Toyota não mostrou ter. E daí a gritaria de parte da "torcida", que o julgou um embuste, uma versão que promete, mas não entrega esportividade.

Do outro lado da arquibancada, admiradores do modelo clamaram por justiça, evocando que o XRS não foi o primeiro, nem será o último carro a vir dotado de adereços esportivos sem contar com modificações mecânicas que, efetivamente, melhorem seu desempenho e seu comportamento dinâmico. Para eles, a essência de todos os Corollas está presente no XRS e, portanto, trata-se apenas de mais uma versão que em nada altera as qualidades consagradas do modelo.

E nossa equipe, como percebeu esse Toyota?

Para nós, acima do aspecto estético, está como ele realmente se comportou em nossas mãos. É certo que a maioria de nós não aprovou o "traje" do modelo, seja pela real inutilidade dos adereços, seja pelo resultado estético final. Contudo, é unânime entre nós a opinião de que a versão XEi — de mecânica idêntica à da XRS e que custa R$ 1.400 a menos — é mais conveniente, mais coerente com a proposta original do Corolla.

Mas falávamos de como o automóvel se comportou em nossas mãos. Ao cabo dos tantos quilômetros de variados percursos, impossível não verificar que o sucesso mundial da Toyota terminou a maratona exatamente como começou, sem um barulhinho a mais. A exceção se deu por conta da fragilidade dos defletores nas laterais do para-choque dianteiro: o esquerdo já veio trincado e o da direita, que não demorou a esbarrar sabe-se lá onde — valeta, lombada ou meio-fio —, resultou avariado também. Sinal de que o dono de um XRS precisa tomar ao menos uma precaução adicional em relação ao de outra versão.

O Corolla se comprovou um carro bastante eficiente: não é o sedã mais potente de sua categoria, nem o mais bonito, tampouco o mais moderno, econômico ou barato, mas incorpora fielmente a imagem de solidez que corre o mundo quando o tema é Toyota.

De maneira sucinta, na opinião da equipe, é um carro para quem tem uma visão pragmática do automóvel, para quem quer um vetor confiável em deslocamentos urbanos ou rodoviários e que jamais vai querer abrir o capô, seja por causa de um eventual problema, seja para admirar uma mecânica refinada. Não é excelente em nada, tampouco medíocre; é mediano em tudo — frenagem, estabilidade, consumo, desempenho, conforto, acabamento, estilo. Esse caráter sem altos, mas também sem baixos, resulta no segredo de seu sucesso. E também no que irrita muito alguns, atraindo fortemente outros.

Para encerrar nossa avaliação, um colaborador de excelência foi chamado ao volante do XRS: o editor Fabrício Samahá, profundo conhecedor do modelo desde duas gerações atrás, que rodou bons quilômetros com nosso avaliado do mês. Como outros membros da equipe, Fabrício não gostou da estética do XRS. "Lembrou-me um vovô usando piercing", ele brinca. "Saias e defletores não conseguiram fazer esse sedã de linhas conservadoras parecer moderno ou esportivo. O resultado foi apenas congestionar o visual, já não ajudado pelas lanternas traseiras saturadas de formas e detalhes", acrescenta.

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Data de publicação: 17/7/12

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