

O
editor Fabrício Samahá foi mais um a considerar
exagerado o visual do XRS, mas a reconhecer
atributos do Corolla que a versão preserva



Detalhes
em vermelho e volante achatado buscam uma
esportividade que falta ao painel; conveniente é
sua fartura de espaços para objetos

Fabrício aprovou o motor de 2,0 litros e 153 cv,
considerado suave e
de bom desempenho; já o câmbio de quatro marchas
mereceu críticas |
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Atualização final - 17/7/12
Com exatos 4.265 quilômetros rodados em 31 dias, o Toyota Corolla XRS se despede
de nosso Um Mês ao Volante — certamente um dos mais polêmicos, pois
resultou em um recorde de mensagens dos leitores, nada menos do que 350 até o
momento em que fechamos este artigo final. Para nossa equipe foi uma surpresa
verificar que um Corolla, que não é teoricamente o tipo de modelo que desperta
paixões, motivou tantas manifestações, tanto positivas como negativas.
Ponto assinalado de maneira recorrente pelos leitores é a impropriedade da
escolha da Toyota de dotar seu sisudo sedã de componentes esportivos, tais como
aparatos aerodinâmicos — aerofólio, defletor dianteiro e saias laterais —, rodas
pintadas na cor grafite e interior com detalhes vermelhos. A sigla XRS remeteria
a uma esportividade que, de fato, esse Toyota não mostrou ter. E daí a gritaria
de parte da "torcida", que o julgou um embuste, uma versão que promete, mas não
entrega esportividade.
Do outro lado da arquibancada, admiradores do modelo clamaram por justiça,
evocando que o XRS não foi o primeiro, nem será o último carro a vir dotado de
adereços esportivos sem contar com modificações mecânicas que, efetivamente,
melhorem seu desempenho e seu comportamento dinâmico. Para eles, a essência de
todos os Corollas está presente no XRS e, portanto, trata-se apenas de mais uma
versão que em nada altera as qualidades consagradas do modelo.
E nossa equipe, como percebeu esse Toyota?
Para nós, acima do aspecto estético, está como ele realmente se comportou em
nossas mãos. É certo que a maioria de nós não aprovou o "traje" do modelo, seja
pela real inutilidade dos adereços, seja pelo resultado estético final. Contudo,
é unânime entre nós a opinião de que a versão XEi — de mecânica idêntica à da
XRS e que custa R$ 1.400 a menos — é mais conveniente, mais coerente com a
proposta original do Corolla.
Mas falávamos de como o automóvel se comportou em nossas mãos. Ao cabo dos
tantos quilômetros de variados percursos, impossível não verificar que o sucesso
mundial da Toyota terminou a maratona exatamente como começou, sem um barulhinho
a mais. A exceção se deu por conta da fragilidade dos defletores nas laterais do
para-choque dianteiro: o esquerdo já veio trincado e o da direita, que não
demorou a esbarrar sabe-se lá onde — valeta, lombada ou meio-fio —, resultou
avariado também. Sinal de que o dono de um XRS precisa tomar ao menos uma
precaução adicional em relação ao de outra versão.
O Corolla se comprovou um carro bastante eficiente: não é o sedã mais potente de
sua categoria, nem o mais bonito, tampouco o mais moderno, econômico ou barato,
mas incorpora fielmente a imagem de solidez que corre o mundo quando o tema é
Toyota.
De maneira sucinta, na opinião da equipe, é um carro para quem tem uma visão
pragmática do automóvel, para quem quer um vetor confiável em deslocamentos
urbanos ou rodoviários e que jamais vai querer abrir o capô, seja por causa de
um eventual problema, seja para admirar uma mecânica refinada. Não é excelente
em nada, tampouco medíocre; é mediano em tudo — frenagem, estabilidade, consumo,
desempenho, conforto, acabamento, estilo. Esse caráter sem altos, mas também sem
baixos, resulta no segredo de seu sucesso. E também no que irrita muito alguns,
atraindo fortemente outros.
Para encerrar nossa avaliação, um colaborador de excelência foi chamado ao
volante do XRS: o editor Fabrício Samahá, profundo conhecedor do modelo desde
duas gerações atrás, que rodou bons quilômetros com nosso avaliado do mês. Como
outros membros da equipe, Fabrício não gostou da estética do XRS. "Lembrou-me um
vovô usando piercing", ele brinca. "Saias e defletores não conseguiram fazer
esse sedã de linhas conservadoras parecer moderno ou esportivo. O resultado foi
apenas congestionar o visual, já não ajudado pelas lanternas traseiras saturadas
de formas e detalhes", acrescenta.
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