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Alberto observa por baixo o Corolla, que recorre a conceitos simples de suspensão: dianteira McPherson (centro) e traseira com eixo de torção

Se o cárter em posição bem projetada dispensa protetor metálico, o sensor de oxigênio (embaixo) fica em posição estranhamente exposta


 
Último período
7 dias 398 km
Distância em cidade 163 km
Distância em estrada 235 km
Consumo médio (gasolina) 9,3 km/l
Indicações do computador de bordo


Resumo
11 dias 562 km
Distância em cidade 307 km
Distância em estrada 255 km
Tempo ao volante 20h 11min
Velocidade média 28 km/h
Consumo médio (gasolina) 8,4 km/l
   Melhor marca média (gas.) 10,4 km/l
   Pior marca média (gas.) 6,8 km/l
Indicações do computador de bordo


Ficha técnica

 
Teste do Leitor

Atualização de 26/6/12

Até agora o mais polêmico modelo na estreia em Um Mês ao Volante  (leia os comentários ao relato inicial), o Toyota Corolla XRS já passou pela análise do colaborador Alberto Trivellato, da oficina Suspentécnica. Embora o tenha chamado de "velho conhecido", Alberto destaca que o "velho" não é por ser o modelo um assíduo frequentador da oficina, mas sim pelos bons anos de mercado no Brasil, onde começou a ser vendido em 1992 e fabricado em São Bernardo do Campo, SP, seis anos depois — e desde então já ganhou duas novas gerações.

Alberto comenta que a fama de solidez do sedã não é à toa. Bem projetado, bem construído e usando componentes de qualidade, o Corolla dificilmente "pede" oficina antes dos 50 mil quilômetros: "É comum vermos Corollas cujos proprietários rodaram mais de 30 mil km só com trocas de óleo, realizando 'zero' intervenção mecânica e nenhuma manutenção. O que mais observamos é o desgaste das buchas dos braços de suspensão, que não são vendidas em separado e obrigam à troca dos braços. Mesmo quando muito gastas, não causam barulho e assim nem todos os motoristas notam o defeito, que aumenta as folgas e prejudica o funcionamento ideal".

O experiente técnico levanta o Corolla XRS no elevador e aponta detalhes construtivos simples, mas bem realizados: "É um projeto antigo e clássico: eixo de torção atrás e McPherson na dianteira. As soluções técnicas são eficientes e simples, mas bem aperfeiçoadas". Apontando a parte dianteira, comenta a ausência do habitual protetor de cárter e revela: "Sabe por que não tem? Porque o cárter é elevado e antes dele há um anteparo natural, formado por uma chapa e um robusto gancho de reboque. E além de tudo é um carro alto, ou seja, pensaram em não estragar o fim de semana de quem vá passear no sítio ou no litoral com um carro que não é um fora-de-estrada".

O único ponto de fragilidade apontado é o sensor de oxigênio exposto, detalhe que não compromete. "Nota-se que o projeto não é recente pelo pouco cuidado com a aerodinâmica inferior, em especial na região do porta-malas e do para-choque traseiro, mas há cuidado com a passagem das linhas de combustível e freios e, sobretudo, na fixação de componentes de maneira robusta, tal como o filtro de combustível e o cânister. Destaco também o uso de materiais de qualidade, cujo bom exemplo vem das coifas das juntas homocinéticas: sua borracha bem mais grossa que o usual favorece a durabilidade", enumera Alberto.

A observação externa faz o colaborador torcer o nariz para os adereços aerodinâmicos da versão XRS, que parecem forçados para um sedã de linhas nada arrojadas: "Apesar dos anos sem grandes alterações, as formas do Corolla são agradáveis e prefiro desconsiderar essas saias e o aerofólio, que não mudam sua essência. O capricho construtivo se verifica na uniformidade das chapas, na boa pintura, nas emendas da carroceria e na regularidade dos vãos das portas. O tempo de produção ajuda o aperfeiçoamento de montagem e componentes".

Além da costumeira análise em sua oficina, foi solicitado a Alberto um convívio mais extenso que a habitual com esse carro. Após passar o fim de semana com o Corolla XRS, revelou suas impressões: "Comprovei em curtos percursos, que somaram quase 300 km, aquilo que já sabia. Ele é eficiente! O câmbio automático, mesmo limitado a quatro marchas, tem funcionamento suave e o carro vence a inércia facilmente, o que é agradável. As suspensões mostram calibragem adequada e enfrentam buracos inesperados sem 'doer na alma', sem dar pancadas".

Estabilidade foi outro ponto positivo para ele: "A rolagem da carroceria em curvas é pequena, discreta e as mudanças de trajetória acontecem de maneira natural, sem sustos. Até mesmo em uma curva a velocidade mais elevada do que o recomendável, o Corolla 'avisa' através dos pneus que gritam, mas o carro não parece estar saindo do controle. Todavia, um ponto negativo vem dos freios: tive dificuldade para modular corretamente a frenagem, pois o pedal parece não oferecer boa 'pegada' de início para depois dar uma 'alicatada' maior do que eu gostaria".

Sobre o motor de 2,0 litros, o colaborador não tem dúvidas ser um dos pontos altos do Corolla: "É suave, 'liso', com uma progressão que não obriga a apertar demais o acelerador. Segue o fluxo do trânsito ou da estrada com facilidade impressionante. Se não observarmos o velocímetro, o carro supera o limite da via sem percebermos, pois o silêncio a bordo e o conforto de marcha não indicam o excesso. Outro ponto positivo é o consumo: a média de 10,5 km/l de gasolina é boa para os 300 km que rodei, dos quais apenas 120 de estrada sossegada. No restante do tempo peguei trânsito pesado e, claro, cometi algumas provocações no acelerador para sentir o desempenho".

Alberto define o Corolla como um carro pouco empolgante, mas muito funcional: "Usar esse Toyota de maneira tranquila, rodando na faixa de 2.500 a 3.000 rpm, significa extrair dele o que há de melhor. Acima disso o motor 'grita' e a cabine é invadida por desconforto sonoro, como se o carro avisasse que não é para isso".

Internamente, apesar do acabamento definido como "pseudoesportivo", o colaborador elogia "as texturas agradáveis, sóbrias e a ergonomia adequada. Ressalva para o reflexo de parte do painel no para-brisa em dia de sol forte, o que incomoda a visão. A idade do projeto e sua simplicidade se verificam na ausência das costumeiras telas multifunção e de um simples sensor de estacionamento. Já os bancos são bons, apesar de rangerem mais que o devido, e correto também é o apoio de braço central".

Alberto encerra seu comentário sobre o Corolla com uma constatação: "Esse carro foi durante muito tempo um exemplo para as empresas concorrentes, sonho de coreanos e chineses. A razão é sua tremenda eficiência e funcionalidade. O tempo passou e hoje há carros que conseguiram alcançar esse padrão de 'irritante' eficiência em uso normal, irritante porque não empolga, não entusiasma. Para quem quer um carro confortável de baixo custo de manutenção e não se importa com a emoção ao volante, é ainda uma excelente opção".

Texto e fotos: Roberto Agresti

 
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Data de publicação: 26/6/12

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