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Provavelmente nunca se ouviu, ou se ouvirá, alguém que diga que seu
sonho de consumo em termos de automóvel é um Renault Logan. O estilo,
uma das principais armas que um carro tem para apaixonar as pessoas, não
foi mesmo uma prioridade no projeto desse modelo. E isso não é um
demérito; afinal, ele atingiu o objetivo a que se propõe nos mercados
para os quais foi idealizado.
O Logan foi projetado pela Dacia, braço romeno da Renault, para aumentar
a participação da marca francesa em mercados emergentes como os da
região leste da Europa. Esses mercados exigem três requisitos para que
um carro faça sucesso; espaço, robustez e economia. O desenho, assim, é
pensado muito mais em favor da função e do baixo custo de fabricação que
da beleza.
E a receita deu certo. Apesar de as dimensões externas não serem das
maiores, ao entrar num Logan tem-se a impressão de estar em um sedã de
porte médio para grande. Graças às linhas retas, ao teto alto e às
laterais com curvatura mínima, é fácil levar cinco pessoas em seu
interior. A sensação de amplitude ainda é beneficiada pela linha de
cintura baixa e a grande área envidraçada lateral, na contramão de
desenhos recentes. Além disso, o Logan tem um dos maiores porta-malas do
mercado e acomoda a bagagem de todos os ocupantes com facilidade.
Ao Brasil o Logan chegou em junho de 2007, já como modelo 2008, em três
versões. A mais simples, Authentique, estava disponível apenas com motor
1,0-litro flexível de 16 válvulas. Trazia só o básico; conta-giros,
para-choques na cor da carroceria, imobilizador do motor, tomada de 12V,
vidros verdes. Eram opcionais ar quente, ar-condicionado e desembaçador
do vidro traseiro. Nem mesmo regulagem interna dos retrovisores podia
equipá-lo!
A versão intermediária Expression dispunha tanto do mesmo propulsor
quanto, já em outubro de 2007, do 1,6-litro flexível de oito válvulas. E
trazia de série regulagem de altura para o banco do motorista, terceira
luz de freio, friso lateral, iluminação do porta-malas e espelho no
para-sol do passageiro. Seus opcionais eram ar-condicionado ou ar
quente, direção com assistência hidráulica, controle elétrico dos vidros
e travas com comando destas a distância.
Para finalizar, havia a versão de topo Privilège. Equipada com motor
1,6-litro flexível de 16 válvulas, oferecia, além dos itens das demais,
iluminação no porta-luvas, vidros elétricos traseiros, rodas de 15 pol,
maçanetas na cor da carroceria, melhor revestimento, faróis de neblina e
apoio de cabeça para todos os passageiros. O ar-condicionado permanecia
opcional e, junto com rádio/toca-CDs, rodas de alumínio de 15 pol e duas
bolsas infláveis frontais, formava o pacote Estilo. Não existiam freios
antitravamento ABS nem como opcional. A garantia de três anos ou 100.000
quilômetros era um atrativo de toda a linha.
Apesar do esforço de evitar na versão Privilège associar pobreza ao
estilo do carro, a simplicidade era notória. Como exemplos, os espelhos
retrovisores externos eram uma peça única, aplicável em ambos os lados,
o que prejudicava seu campo visual. Os materiais do interior eram
demasiado simples, com carpetes de pouca espessura, tecidos de toque
áspero e plásticos rígidos, e os puxadores das portas eram muito
desfavoráveis ao uso. Não foi previsto rebatimento do banco traseiro e,
ao lavar o para-brisa, a varredura pelo limpador não era automática —
tudo em nome da economia. Ao menos o volante era espumado e o painel
tinha agradável iluminação indireta em vermelho.
Na parte técnica, qualquer um dos motores podia rodar com gasolina sem
álcool, como a vendida em países vizinhos. O câmbio era exclusivo, com
melhorias em relação ao do Clio para que a alavanca não mais se
movimentasse conforme o uso do acelerador. Na versão Authentique não
havia barra estabilizadora na suspensão dianteira e os discos de freio,
sólidos, eram menores do que os das outras versões. Apenas o Privilège
tinha discos ventilados.
Em 2009 o Logan Authentique deixou de ser oferecido com motor 1,6 e, em
julho, tanto o motor 1,6 16V quanto a versão Privilège eram
descontinuados — sinal de que a proposta econômica do modelo era julgada
incompatível com o motor e o acabamento superiores, mais caros. No mês
seguinte era lançada a série limitada Up. Baseada na versão Expression,
tinha motor 1,0-litro, rodas de 15 pol e maçanetas na cor do carro. No
painel, aros cromados contornavam os instrumentos e havia rádio/toca-CDs
com MP3 e comandos no volante.
A linha Logan 2011 chegava com mudanças que fizeram bem ao visual. A
frente ficou menos antiquada com novos para-choque, faróis e grade. A
traseira recebia outras lanternas, tampa do porta-malas e para-choque. O
uso de apliques cromados adicionava refinamento ao Renault, tornando-o
mais agradável que a primeira versão. Os puxadores de porta estavam
maiores e os comandos dos vidros elétricos passavam do painel para as
portas.
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