| Quando o motor em marcha
normal, já alcançada a temperatura de funcionamento,
deixa escapar fumaça pelo escapamento, é sinal de que
algo não vai bem em sua mecânica. Pela cor e cheiro
desta fumaça e as circunstâncias em que ela se
desprende em maiores quantidades, pode-se deduzir, com
razoável precisão, a origem do defeito. Problemas nos anéis e
válvulas são duas das causas de consumo anormal de
lubrificante
A coloração da fumaça
lançada deve ser observada para o início do
diagnóstico. Se for branca ou cinza-azulada, o motor
está queimando óleo junto com a mistura -- por qualquer
deficiência mecânica, óleo lubrificante está
invadindo o espaço da câmara de combustão. Se a
coloração for negra, é indicativo de que a mistura
ar-combustível está demasiado rica em combustível e o
resultado é uma queima incompleta.
Nos momentos iniciais de funcionamento do motor, é
natural que saia um pouco de fumaça branca -- vapores
d'água --, sobretudo em modelos a álcool e sob baixa
temperatura externa. Após alguns minutos de
funcionamento, o escapamento está aquecido e a água
condensada evapora-se por completo.
O motor a combustão interna tem um ligeiro consumo de
óleo lubrificante considerado normal, pois suas folgas
internas permitem que haja ligeira perda. São questões
de ordem técnica nem sempre bem esclarecidas nas
oficinas e que acabam por gerar grandes dúvidas para o
usuário comum.
Primeiro vamos entender a principal ação do
lubrificante e depois os locais mais exigidos em termos
de atrito. A primeira e primordial função é
proporcionar um ambiente favorável ao funcionamento
termodinâmico desta máquina. O lubrificante,
interpondo-se entre as partes móveis submetidas ao
atrito constante, auxilia a troca térmica, evitando
assim, o contato metal/metal.
Nesta rotina constante acabam surgindo perdas de
lubrificante por evaporação (contato com as zonas
quentes) e por queima na câmara de combustão. Algum
consumo de óleo é natural, pois os atritos e as perdas
no interior da câmara de combustão fazem com que haja
perdas. A grande dificuldade dos profissionais é
fornecer um diagnóstico claro, conciso e objetivo.
Observado algum consumo no decorrer do uso do veículo,
não deve ser taxado como "queima de óleo". Os
fabricantes informam, no manual do proprietário, os
níveis considerados como aceitáveis no uso diário, em
função da aplicação do motor.
As principais causas de consumo excessivo são duas:
vazamentos internos e vazamentos externos. O correto
diagnóstico é de suma importância para identificar a
origem precisa do consumo.
Segundo os manuais de treinamento da Cofap e Metal Leve,
três gotas de óleo perdidas externamente a cada 30
metros totalizam dois litros de óleo a cada 1.000 km. Os
principais locais a serem observados quanto a vazamentos
são as juntas da tampa das válvulas, cárter, filtro de
óleo, retentores, bulbo de pressão de óleo e junta do
cárter.
Os mais graves vazamentos são os internos. Têm um
perfil similar a uma hemorragia interna, de difícil
diagnóstico e, geralmente, com um custo de reparação
elevado, requerendo maior detalhamento técnico do
profissional envolvido no reparo. O óleo que
"vaza" para a câmara de combustão é queimado
junto com a mistura ar-combustível e pode ser detectado
quando há presença de fumaça cinza-azulada na
tubulação de escapamento, ou turfas de fumaça em
desacelerações, que podem ser causadas por entupimento
da válvula de ventilação do cárter (PCV - Positive
Crankcase Ventilation).
Há necessidade de ventilar o cárter para equilíbrio de
pressão e para minimizar os efeitos da oxidação
através do calor, que produz resíduos, contamina e
dilui o lubrificante, alterando suas propriedades
químicas. As guias de válvulas, quando apresentam
folgas excessivas entre o diâmetro interno da guia e a
haste da válvula, geram dois casos distintos: na
válvula de admissão, a depressão no duto de admissão
gera uma força que impele o lubrificante para a câmara
de combustão, queimando junto com a mistura e
carbonizando as velas, válvulas e cabeça do pistão
(fazendo com que o motor perca potência de forma
apreciável); na válvula de escapamento haverá passagem
de óleo (arrasto) junto com os gases queimados.
Os vedadores ou selos das hastes das válvulas
danificados (por agressão química, por envelhecimento
ou por escoriação) permitem um fluxo extra de
lubrificante que vai adentrar a câmara de combustão. Os
anéis de pistão (segmento) mal montados ou desgastados
e o desgaste nas paredes dos cilindros são os maiores
responsáveis pelo consumo elevado de lubrificante.
É importante saber que os anéis de pistão ou mola de
segmento formam o que chamamos de "parede
móvel" do cilindro, não permitindo passagem de
mistura ar-combustível para o cárter e impedindo o
acesso do lubrificante à câmara de combustão. Devem
realizar as duas tarefas sem retirar todo o filme de
óleo das paredes do cilindro, o que acarretaria aumento
de atrito e conseqüente elevação de temperatura, até
a fusão dos componentes -- o grimpamento, quando se diz
que o motor funde.
Toda vez que o pistão desce durante o ciclo de admissão
é criada uma forte depressão no interior do cilindro e
na câmara de combustão, que tende a aspirar o óleo que
recobre as paredes dos cilindros e a película que
lubrifica válvulas e guias. Por isso, estes componentes
devem-se encontrar dentro dos valores de tolerância
requeridos pelo fabricante, a fim de evitar fugas de
lubrificante e altas taxas de emissões de poluentes.
As fugas de óleo para a câmara de combustão podem ser
detectadas através de análise com medidor de
compressão ou inserção de ar comprimido com o pistão
no PMS (ponto morto superior) e suas válvulas fechadas,
observando-se onde há fugas. Nos veículos providos de
superalimentação, retentores do eixo da turbina
danificados permitem uma passagem de óleo para a
admissão, aumentando o consumo de lubrificante.
No caso do leitor em particular, o consumo de um litro
por 1.000 km já começa a mostrar sinais de excesso,
sendo necessária uma análise criteriosa para um
diagnóstico preciso. O fato de o veículo ficar parado
por longo período pode ser um agravante. Usar o veículo
em trajetos curtos, onde a temperatura de funcionamento
não é atingida plenamente, faz com que haja
alterações dimensionais em alguns componentes mais
sensíveis, como retentores e selos de válvulas, que
não suportam o expande-contrai repetidas vezes.
É importante observar se o veículo não está
"fumando" (fumaça cinza-azulada na saída do
escapamento), podendo ser resultado de vazamento interno,
devido a desgastes dos anéis de pistão (compressão
indo para o interior do cárter e bombeando o óleo para
a câmara de combustão), ou externo (para o espaço
externo ou para o interior de algum componente, como uma
comunicação entre a galeria d'água e o lubrificante).
Sendo assim, sugerimos procurar um profissional
competente e equipado para oferecer tal diagnóstico.
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