Consultório de Preparação


por Iran Cartaxo


Um Opala 4,1 para fazer Mitsubishi comer poeira


Possuo dois Opalas 4.1, um automático e um manual, ambos a gasolina. Gostaria de saber como aumentar consideravelmente o desempenho do automático e como atingir 500 cv com o manual, desde que seja possível andar na rua com ele. Por acaso seria possível andar junto com um 3000 GT VR4 nitrado? Se não for, o que mais pode ser feito?

André Fernandes
afernandes@sti.com.br


A preparação proposta por você é realmente desafiante, André. O motor de 4,1 litros dos últimos Opala (tentamos contatá-lo para obter o ano do carro, mas os e-mails retornaram) possui 121 cv. Atingir 500 cv representa um acréscimo de 310% na potência original do carro, que passará a desenvolver mais de 120 cv/l. Com potência específica tão elevada o uso do carro em rua será quase impossível -- eu disse quase!

Você nos passou a impressão de ter uma rixa com um carro em especial, o qual pretende superar. Cabe-nos lembrar que rachas de rua são extremamente perigosos e proibidos por lei, logo o embate deve ser realizado em local apropriado, como um autódromo.

As curvas de potência (as mais altas) e de torque estimadas para o Opala 4,1 original (em azul), com turbo a 1,5 kg/cm2 (em verde) e com o turbo e uma preparação bastante pesada (em vermelho)

Clique aqui para ver as curvas de potência e torque ampliadas


Um Mitsubishi 3000 GT VR4 com preparação típica de óxido nitroso deve desenvolver cerca de 435 cv, mas uma afirmação precisa só pode ser feita sabendo-se o diâmetro dos injetores de nitro utilizados. Para superar o desempenho desse carro, que tem melhor aerodinâmica, chassi e tração, o Opala deverá desenvolver 550 cv e não 500 cv como você julgou, André.

Para suportar toda essa potência sem que o carro desmonte numa arrancada ou fique patinando sem sair do lugar, é preciso um completo reprojeto do Opala, com reforços no chassi, suspensão, freios, câmbio, etc. Uma preparação deste nível pode ultrapassar os R$ 20.000 -- sem contar os gastos com o motor.

Só o uso de turbo permitirá atingir tal potência sem impossibilitar o uso em rua. Além disso, será preciso substituir comando de válvulas e carburador, para que uma pressão de 1,5 kg/cm² seja suficiente. Para que o motor não seja literalmente destruído pelo veneno na primeira acelerada, é necessário refazê-lo com a troca de pistões, bielas e virabrequim por peças forjadas, a substituição das válvulas, tuchos, molas de válvulas, junta e parafusos do cabeçote, e ainda as bronzinas, rolamentos, pinos dos pistões, etc. apropriados a tal regime de trabalho. Esta preparação deve sair por cerca de R$ 15.000.

O veneno necessário para levar o velho e bom GM 4,1 aos 550 cv é o seguinte: turbo bipulsativo aliado a um grande intercooler, regulado para 1,5 kg/cm²; troca do carburador original por três Weber 40; comando com 40° a mais de duração da abertura e 1,4 mm a mais de levantamento das válvulas; redução da taxa de compressão em 1 ponto; emprego de sistema de ignição com velas mais frias, bobina de maior potência, cabos de vela melhores e potenciador de centelha.

Uma receita mais leve e barata, adequada a seu outro Opala, envolve apenas turbo e intercooler a 1,5 kg/cm², com redução da taxa de compressão em 1 ponto. O desempenho estimado para ambas as preparações é o seguinte:

  Original Turbo a 1,5 kg/cm2 Turbo + preparação pesada
Potência máxima 121 cv 313 cv 550 cv
Rotação de potência máxima 3800 rpm 3700 rpm 4900 rpm
Velocidade máxima 173 km/h 238 km/h 287 km/h
Rotação à velocidade máxima 4250 rpm 5850 rpm 7040 rpm
Aceleração de 0 a 100 km/h 12,3 s 5,7 s 4,2 s
Torque máximo 29,0 mkgf 75,1 mkgf 64,2 mkgf
Rotação de torque máximo 2000 rpm 1950 rpm 2600 rpm
Alongamento recomendado
na relação de transmissão
- 56,9 % 42,9 %
Aumento recomendado na
injeção de combustível
- 125,0 % 125,0 %
Aceleração longitudinal no
interior do veículo
0,51 g 1,31 g 1,90 g
A margem de erro é de 5% (para cima ou para baixo), considerando-se instalação bem-feita. Calculamos a aceleração de 0 a 100 km/h e a aceleração longitudinal máxima (sentida no interior do automóvel) a partir da eficiência de transmissão de potência ao solo do carro original. Para atingir os resultados estimados pode ser necessária a recalibragem da suspensão, reforços no monobloco e/ou o emprego de pneus mais largos. A velocidade máxima estimada só será atingida com o ajuste recomendado da relação final de transmissão. Os resultados de velocidade são para velocidade real, sem considerar eventual erro do velocímetro. A rotação à velocidade máxima é calculada considerando a relação atual de transmissão.
Algoritmo de simulação de preparação de motores desenvolvido pelo consultor
Iran Cartaxo, de Brasília, DF.


Não há grande diferença entre o desempenho do Opala com o câmbio manual e com o automático. Concorre para isso o uso do mesmo número de marchas (quatro) em ambas as transmissões. Câmbios automáticos suportam bem algum aumento de potência, mas pode ocorrer que o sistema de troca de marchas se desajuste com a nova curva de torque do motor. O câmbio manual também exigirá um grande alongamento das relações, como se conclui pela disparidade entre a rotação de potência máxima (4.900 rpm) e a que teria de ser atingida na velocidade máxima com a transmissão original (7.040 rpm!).

Observando o gasto da preparação e o resultado obtido -- e caso o leitor não seja um apaixonado por Opala --, vale considerar a aplicação deste dinheiro, junto do valor do carro atual, na compra de um Mustang ou carro semelhante usado, que suportará mais facilmente os 550 cv. Se, porém, a paixão do leitor for mesmo os Opala, o 3000 GT nitrado que se cuide... Com as preparações que simulamos para cada um, será superado em aceleração (4,2 segundos contra 4,4) e velocidade final (287 km/h contra 273 km/h). Não se esqueça de nos contar como foi!



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