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Oldsmobile Aerotech: os sensacionais
protótipos que bateram recordes a 400 km/h
Quando se
pensa em Oldsmobile, a divisão da General Motors extinta em 2004, costumam vir à
mente carros familiares de pouca expressão ou, quando muito, alguns modelos de
alto desempenho de seu passado. Poucos associam a marca a seu ousado projeto de
carro-conceito para altíssimas velocidades: o Aerotech.
Ao contrário dos estudos que nascem em departamentos de Estilo, não raro sem
mecânica, o Aerotech resultou do empenho de engenheiros da Olds que viram nele
uma forma de promover o motor Quad 4, que estava por ser lançado em automóveis
de série. Esse quatro-cilindros de 2,3 litros com duplo comando e quatro
válvulas por cilindro oferecia potência e torque expressivos, próximos aos de um
V6 de 2,5 litros da Honda, por exemplo.
Sob comando do engenheiro chefe Ted Louckes, passou-se a desenvolver um
protótipo esporte com chassi de Fórmula CART, carroceria de fibra de carbono
(material incomum na época) e o Quad 4 em versão de 2,0 litros com turbo que,
com extrema preparação, alcançaria 900 cv.
Ed Welburn, então projetista chefe assistente da divisão, esboçou as linhas do
Aerotech e levou à diretoria. Aprovado já no primeiro esboço, o carro mostrou
uma eficiente aerodinâmica nos testes de túnel de vento. Suas linhas eram
fluidas ao extremo, com um mínimo de elementos que interferissem na passagem do
ar. A GM pretendia encobrir as rodas, mas a Goodyear alegou que isso manteria os
pneus muito quentes em uso prolongado em velocidade.
Um dos segredos do Aerotech em termos de aerodinâmica não estava à vista:
painéis ajustáveis no assoalho permitiam aumentar ou reduzir a
sustentação negativa conforme as condições de
uso previstas. A solução deu-lhe grande estabilidade nos testes no circuito da
GM em Mesa, Califórnia, nos quais o piloto de F-Indy A. J. Foyt superou 350
km/h. Seguiu-se a construção de um segundo Aerotech com traseira mais curta e
motor de 2,0 litros com dois turbos que, embora a Olds não divulgasse com
precisão, teria mais de 1.000 cv.
No circuito de Fort Stockton, no Texas, em 26 de agosto de 1987, o modelo de
traseira longa alcançou impressionantes 442 km/h na milha lançada (medição em
1,6 km iniciada já em velocidade). No dia seguinte, a medição oficial de Foyt em
dois sentidos registrou o recorde de 430,2 km/h, enquanto o carro de traseira
curta firmou 413,7 km/h. Ambos deixavam bem para trás o recorde anterior de
403,7 km/h obtido pelo Mercedes-Benz
C111-IV.
O desempenho do Aerotech foi explorado pela Oldsmobile em eventos, exposições e
na publicidade (o anúncio ao lado considerava a marca a "companhia com movimento
mais rápido do mundo"), mas o êxito caiu no esquecimento por cinco anos. Só
voltou à mente da GM quando, em 1992, a Olds estava por lançar o motor V8 de 4,0
litros e 32 válvulas que equiparia o sedã Aurora. Decidiu-se por um novo projeto
Aerotech, dessa vez voltado a recordes de velocidade em provas de longa duração. |


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