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Parceria de sucesso: as criações
da Ghia para a Chrysler nos anos 50
A década de
1950 foi mesmo a era de ouro para os "carros de sonho", como então eram
conhecidos os carros-conceito de hoje. Numerosos estudos foram apresentados no
período pelos maiores fabricantes dos Estados Unidos, como os projetos do
estúdio italiano
Ghia feitos para a Chrysler.
Foi ainda em 1949 que C. B. Thomas, presidente da divisão de exportações da
Chrysler, encomendou a Pinin Farina e Ghia carrocerias especiais para um sedã da
marca Plymouth do grupo. Dois belos desenhos resultaram dali, mas a proposta da
Ghia sobressaiu, o que levou a Chrysler a contratá-la para desenvolver
carros-conceito.
O primeiro foi o K-310, apresentado em novembro de 1951. A letra K
homenageava K. T. Keller, presidente da Chrysler, que havia dado o aval para sua
criação, enquanto 310 era a potência do motor. O cupê de cinco lugares tinha
linhas arredondadas, tipicamente europeias, e um desenho frontal que lembrava os
para-lamas destacados da carroceria comuns alguns anos antes. O vidro traseiro
era bastante envolvente, em três partes, e a tampa do porta-malas sugeria a
forma de um estepe que na verdade não estava ali. Não havia
lanternas na extremidade traseira, pois elas vinham salientes sobre os
para-lamas.
O K-310 usava o chassi do Chrysler Saratoga, com entre-eixos de 3,19 metros, e
motor Hemi V8 de 331 pol³ (5,45 litros) preparado para obter 310 cv. Muitas das
soluções de estilo do cupê foram estendidas ao C-200, revelado em abril de 1952,
mas agora se tratava de um conversível para seis pessoas.
No mesmo ano aparecia o cupê Chrysler SS (Styling Special). A combinação de capô
longo e cabine recuada dava-lhe as proporções de um grã-turismo europeu,
enquanto a ampla grade destacava o V8 ali atrás e os para-lamas
ficavam em evidência. Dessa vez o doador do chassi, com entre-eixos de 3,02 m,
era o New Yorker.
Thomas gostou tanto do estilo que pediu
para seu uso um exemplar, que
foi chamado de Thomas Special. Uma das alterações foi a inclusão de um
porta-malas com tampa: no SS, a bagagem tinha de ser colocada por dentro da
cabine. O comprimento foi aumentado em 25 cm. Não só o executivo aprovou a criação da Ghia, como também
a Société France Motors,
representante da Chrysler em Paris, que encomendou 400 carros com tal desenho ao
estúdio entre 1953 e 1954. Vendidos como GS-1 (Ghia Special), eles tinham
motor V8 331 e câmbio automático.
E então veio o D'Elegance, ponto alto dessa parceria entre italianos e
norte-americanos. Com elementos de desenho herdados dos antecessores, o cupê de
quatro lugares revelado em outubro de 1952 mostrava linhas suaves e harmoniosas,
que destacavam os para-lamas traseiros e reduziam a área envidraçada para um ar
mais esportivo. O estepe na tampa estava de volta.
A grade dianteira serviu de inspiração para a do
Chrysler 300 do
fim da década, enquanto as lanternas traseiras foram aproveitadas no
Imperial já
em 1955. O motor V8 Hemi de 354 pol³ (5,8 litros) desenvolvia 280 cv, enviados à
caixa automática Torqueflite, e o entre-eixos do chassi do New Yorker foi
reduzido para 2,92 metros. O carro das fotos, leiloado no ano passado pela
empresa RM Auctions, apurou US$ 946 mil.
E se as formas do D'Elegance lhe parecem conhecidas, é fácil saber por quê.
Giovanni Savonuzzi, autor do desenho, usou-o como base para criar um carro
esporte bem mais compacto, mas não menos elegante, que chegaria ao Brasil na
década seguinte: o Volkswagen Karmann-Ghia.
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O Chrysler D'Elegance, nas
fotos acima, é o ponto alto de uma parceria entre a marca
norte-americana e o estúdio italiano Ghia nos anos 50


O K-310 deu início à
cooperação; note o vidro traseiro envolvente e o falso estepe na
traseira; o nome homenageia Keller e indica a potência


O conversível C-200 (em
tom claro, em cima, junto do D'Elegance) era derivado do K-310; o
modelo fechado SS (embaixo) vinha no mesmo ano Texto: Fabrício Samahá -
Fotos: divulgação
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