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Parece coisa de traficante. Primeiro cria a dependência na
“freguesia”, depois passa a cobrar cada vez mais caro. Foi assim com
as instituições financeiras e o mercado de motos nos últimos 10
anos. Na virada do ano 2000 os bancos perceberam o crescimento do
mercado e despejaram rios de dinheiro na praça, com as taxas de
juros escorchantes de sempre, mas em planos tentadores como zero de
entrada e saldo em 60 meses.
Claro que essa festa com dinheiro dos outros refletiu-se nas vendas,
que cresceram em uma progressão jamais vista. Das 580 mil motos
vendidas em 2000, chegamos a um milhão em 2005 e dois milhões em
2011. Uma projeção fantástica em qualquer setor para um país
emergente.
Só que a festa com esbanjamento cobrou uma ressaca brava — muita
gente com acesso a dinheiro fácil levou a um patamar recorde de
inadimplência. Óbvio que os bancos foram os primeiros a tirar a mão
do acelerador, cortando o crédito. O setor passou a controlar com
lente de aumento a liberação de dinheiro e chegamos a 2012 com uma
absurda cifra de 80% das fichas de pedido de financiamento
reprovadas. Ou seja, de cada 10 pessoas que buscam crédito para
comprar moto, apenas duas o recebem. Cortaram a festa.
A consequência foi uma queda de vendas de 13% no primeiro semestre
de 2012 em relação a 2011, com a projeção de repetir a cifra de dois
milhões de unidades em 2012 sendo revista para algo perto de 1,8
milhão.
E, ao contrário da indústria automobilística, as fábricas das duas
rodas não têm como bater na porta do Estado e pedir isenção de
impostos, porque já são isentas de IPI (Imposto sobre Produtos
Industrializados), além dos benefícios da Zona Franca de Manaus. O
jeito é investir na velha modalidade de venda, ainda muito atuante
em especial no Norte e no Nordeste: o consórcio. Além, claro, de
sentar com as instituições financeiras para tentar reverter esse
quadro de pé no freio da liberação de crédito. Isso só o tempo
poderá confirmar. |
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Pedágio e transponder
Finalmente tive a oportunidade de perguntar aos fabricantes qual
sua posição a respeito da cobrança de pedágios nas rodovias. A
Abraciclo, associação que reúne 12 fabricantes de motos, afirmou que
está desenvolvendo uma padronização tanto para as cabines, no caso
das estradas que cobram pedágio de moto, quanto da passagem livre,
nas estradas onde a passagem é gratuita.
Já o transponder de abertura de cancela (vendido sob o nome
comercial Sem Parar) ainda esbarra em alguns problemas técnicos,
como a blindagem à prova d’água e contra vibração, além da já
conhecida dificuldade em fixar o emissor de sinal na moto de forma a
acionar os sensores de receptação.
Na verdade, quando os sistemas de transponder foram criados para os
automóveis, as concessionárias das rodovias não cobravam pedágio das
motos — portanto, não previram essa possibilidade. Sinceramente,
acho que ainda não encontraram uma solução pela mais simples falta
de interesse. Até que isso aconteça, os motociclistas continuarão
obrigados a parar e pegar a carteira, às vezes bem guardada, para
pagar tarifas que em alguns casos não passam de R$ 1,00. |
O jeito é
investir na velha modalidade de venda, ainda muito atuante em
especial no Norte e no Nordeste: o consórcio |