Data de publicação: 16/6/12

Como fazer a moto gastar menos

Motocicletas já são econômicas, mas podem ser mais ainda
se você seguir algumas dicas de pilotagem e manutenção

por Geraldo Tite Simões

É fato que motos são veículos mais econômicos em relação aos carros, em especial as pequenas na faixa de 125 a 200 cm³ de cilindrada. Por isso algumas pessoas até esquecem aqueles velhos conselhos de economia de gasolina que tanto martelaram em nossas cabeças na época da crise do petróleo, nos anos 70 e 80.

E não é só a economia de gasolina — ou álcool, no caso das recentes motos flexíveis em combustível — que pode fazer a alegria de seu bolso. Nas motos, assim como nos carros, a forma de pilotar (ou dirigir) afeta a durabilidade de muitos dos itens de manutenção. Veja algumas dicas para proteger seu patrimônio.

Uma utilitária de 125 ou 150 cm³ costuma fazer mais de 30 km/l em uso urbano, mas pode chegar a mais de 40 km/l. Uma atitude simples é usar muito o câmbio, trocando marchas constantemente para manter o motor sempre na rotação ideal de funcionamento — nem muito alta, nem muito baixa. Nem precisa usar o conta-giros (que a maioria das pequenas não tem): pode-se sentir pelo som e a vibração se o motor já pode passar a uma marcha mais alta ou, pela falta de força e o aumento das vibrações, se é hora de reduzir.

Como o Best Cars tem pregado sempre, em motores a quatro tempos (padrão nas motos de hoje) é melhor usar grande abertura de acelerador e menos rotação. Se estiver no plano a 4.000 rpm, por exemplo, e aparecer uma subida, não reduza o câmbio de imediato: acelere mais e talvez possa superar a inclinação na mesma marcha, com menor consumo. Da mesma forma, não vale a pena "esticar" as marchas mais do que o necessário para obter a aceleração que você deseja.

Na época em que as motos carburadas eram o padrão, usava-se muito o truque de acionar a embreagem bem antes de parar a moto, como se estivesse em ponto-morto. Com a injeção eletrônica, o correto é deixar a moto engrenada até quase parar e, aí sim, acionar a embreagem.

Falando em embreagem, na motoescola você aprende a manter a marcha engatada quando para em semáforos. Mas isso só vale se o terreno for muito inclinado, porque o pé direito precisa acionar o freio traseiro e não dá para tirar o pé esquerdo do chão para engatar a marcha. No plano ou com pequena inclinação, o melhor é segurar a moto no freio dianteiro e manter o câmbio em ponto-morto, liberando a embreagem. Isso alivia todo o sistema e preserva a embreagem por mais tempo.

Desvio de comportamento
Uma das grandes diferenças entre carros e motos está no sistema de freios. No carro o motorista aciona um pedal e a frenagem se distribui nas quatro rodas. Na maioria das motos, o freio dianteiro é separado do traseiro e cabe ao motociclista decidir quanta força aplicar em cada um. Um dado revelado pela Honda surpreendeu: de cada 10 kits de freio vendidos no Brasil, oito são de freio traseiro e dois são dianteiros. Deveria ser exatamente o inverso! Pelas características dinâmicas das motos, o freio dianteiro deve gastar primeiro, porque 70% da frenagem cabem à roda dianteira.

Infelizmente esse desvio comportamental se deve aos graves erros cometidos pelos instrutores de motoescola, que ensinam a frear apenas com o freio traseiro. Para não forçar demais nenhum dos sistemas, o correto é sempre frear com os dois ao mesmo tempo, com mais intensidade no freio dianteiro. E esqueça aquela ideia antiquada de reduzir marchas com intensidade, levando o motor a alta rotação, para frear usando o “freio-motor”. Reduza as marchas suavemente, mantendo a rotação baixa até parar.

Outra diferença importante em relação aos carros são os componentes da transmissão. A maioria das motos ainda usa sistema de corrente, coroa e pinhão, que são itens de grande desgaste e cuja durabilidade depende basicamente da manutenção. Esqueça os conselhos vindos de fóruns e amigos porque existe muito erro de informação. Para começar, não use qualquer tipo de solvente para limpar a corrente — muito menos gasolina e querosene! A melhor forma de limpar é usar um óleo fino em spray ou óleo diesel.

Depois, espere secar e aplique graxa branca em spray. Não use óleos queimados nem graxa comum, porque eles permitem a aderência de areia e terra, que se transformam em um eficiente rebolo. Não é preciso lubrificar a corrente diariamente como alguns fazem, mas uma vez por semana está ótimo ou sempre depois de pegar chuva. A areia misturada com a água também é uma eficiente lixa. Já vi correntes durarem mais de 60.000 km, assim como vi algumas (de qualidade) acabarem com 10.000 km: depende da manutenção e da forma de pilotar. Pilotos mais suaves fazem o sistema de transmissão durar mais.

Outra dica: se a corrente apresentar desgaste excessivo, não corte um elo, porque a corrente estendida pelo uso não casa bem com a coroa e pinhão, fazendo com que se desgastem mais. E procure sempre trocar o sistema todo — corrente, coroa e pinhão —, porque uma corrente nova em uma coroa velha também dura menos.

Outro item que tem a durabilidade diretamente relacionada com a forma de pilotagem são os pneus. Manter a calibragem aferida pelo menos a cada 15 dias, pilotar suavemente e evitar terrenos irregulares são as dicas mais valiosas para fazer os pneus durarem mais. O principal fator de desgaste ainda é a massa (peso). Quem roda muito com garupa acaba consumindo o pneu mais rápido: por isso, aumente a pressão do pneu traseiro se esse é o seu tipo de uso mais frequente. E não custa lembrar: é proibido uso e comercialização de pneus remoldados para motos.

O item mais importante na durabilidade das peças de sua moto ainda é você mesmo. Evite freadas bruscas e acelerações violentas que todos os componentes durarão muito mais.

Pelas características dinâmicas das motos, o freio dianteiro deve gastar primeiro, porque 70% da frenagem cabem à roda dianteira
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