|
É
fato que motos são veículos mais econômicos em relação aos carros,
em especial as pequenas na faixa de 125 a 200 cm³ de cilindrada. Por
isso algumas pessoas até esquecem aqueles velhos conselhos de
economia de gasolina que tanto martelaram em nossas cabeças na época
da crise do petróleo, nos anos 70 e 80.
E não é só a economia de gasolina — ou álcool, no caso das recentes
motos flexíveis em combustível — que pode fazer a alegria de seu
bolso. Nas motos, assim como nos carros, a forma de pilotar (ou
dirigir) afeta a durabilidade de muitos dos itens de manutenção.
Veja algumas dicas para proteger seu patrimônio.
Uma utilitária de 125 ou 150 cm³ costuma fazer mais de 30 km/l em
uso urbano, mas pode chegar a mais de 40 km/l. Uma atitude simples é
usar muito o câmbio, trocando marchas constantemente para manter o
motor sempre na rotação ideal de funcionamento — nem muito alta, nem
muito baixa. Nem precisa usar o conta-giros (que a maioria das
pequenas não tem): pode-se sentir pelo som e a vibração se o motor
já pode passar a uma marcha mais alta ou, pela falta de força e o
aumento das vibrações, se é hora de reduzir.
Como o Best Cars tem pregado sempre, em motores a quatro
tempos (padrão nas motos de hoje) é melhor usar grande abertura de
acelerador e menos rotação. Se estiver no plano a 4.000 rpm, por
exemplo, e aparecer uma subida, não reduza o câmbio de imediato:
acelere mais e talvez possa superar a inclinação na mesma marcha,
com menor consumo. Da mesma forma, não vale a pena "esticar" as
marchas mais do que o necessário para obter a aceleração que você
deseja.
Na época em que as motos carburadas eram o padrão, usava-se muito o
truque de acionar a embreagem bem antes de parar a moto, como se
estivesse em ponto-morto. Com a injeção eletrônica, o correto é
deixar a moto engrenada até quase parar e, aí sim, acionar a
embreagem.
Falando em embreagem, na motoescola você aprende a manter a marcha
engatada quando para em semáforos. Mas isso só vale se o terreno for
muito inclinado, porque o pé direito precisa acionar o freio
traseiro e não dá para tirar o pé esquerdo do chão para engatar a
marcha. No plano ou com pequena inclinação, o melhor é segurar a
moto no freio dianteiro e manter o câmbio em ponto-morto, liberando
a embreagem. Isso alivia todo o sistema e preserva a embreagem por
mais tempo. |
|
Desvio de comportamento
Uma das grandes diferenças entre carros e motos está no sistema
de freios. No carro o motorista aciona um pedal e a frenagem se
distribui nas quatro rodas. Na maioria das motos, o freio dianteiro
é separado do traseiro e cabe ao motociclista decidir quanta força
aplicar em cada um. Um dado revelado pela Honda surpreendeu: de cada
10 kits de freio vendidos no Brasil, oito são de freio traseiro e
dois são dianteiros. Deveria ser exatamente o inverso! Pelas
características dinâmicas das motos, o freio dianteiro deve gastar
primeiro, porque 70% da frenagem cabem à roda dianteira.
Infelizmente esse desvio comportamental se deve aos graves erros
cometidos pelos instrutores de motoescola, que ensinam a frear
apenas com o freio traseiro. Para não forçar demais nenhum dos
sistemas, o correto é sempre frear com os dois ao mesmo tempo, com
mais intensidade no freio dianteiro. E esqueça aquela ideia
antiquada de reduzir marchas com intensidade, levando o motor a alta
rotação, para frear usando o “freio-motor”. Reduza as marchas
suavemente, mantendo a rotação baixa até parar.
Outra diferença importante em relação aos carros são os componentes
da transmissão. A maioria das motos ainda usa sistema de corrente,
coroa e pinhão, que são itens de grande desgaste e cuja durabilidade
depende basicamente da manutenção. Esqueça os conselhos vindos de
fóruns e amigos porque existe muito erro de informação. Para
começar, não use qualquer tipo de solvente para limpar a corrente —
muito menos gasolina e querosene! A melhor forma de limpar é usar um
óleo fino em spray ou óleo diesel.
Depois, espere secar e aplique graxa branca em spray. Não use óleos
queimados nem graxa comum, porque eles permitem a aderência de areia
e terra, que se transformam em um eficiente rebolo. Não é preciso
lubrificar a corrente diariamente como alguns fazem, mas uma vez por
semana está ótimo ou sempre depois de pegar chuva. A areia misturada
com a água também é uma eficiente lixa. Já vi correntes durarem mais
de 60.000 km, assim como vi algumas (de qualidade) acabarem com
10.000 km: depende da manutenção e da forma de pilotar. Pilotos mais
suaves fazem o sistema de transmissão durar mais.
Outra dica: se a corrente apresentar desgaste excessivo, não corte
um elo, porque a corrente estendida pelo uso não casa bem com a
coroa e pinhão, fazendo com que se desgastem mais. E procure sempre
trocar o sistema todo — corrente, coroa e pinhão —, porque uma
corrente nova em uma coroa velha também dura menos.
Outro item que tem a durabilidade diretamente relacionada com a
forma de pilotagem são os pneus. Manter a calibragem aferida pelo
menos a cada 15 dias, pilotar suavemente e evitar terrenos
irregulares são as dicas mais valiosas para fazer os pneus durarem
mais. O principal fator de desgaste ainda é a massa (peso). Quem
roda muito com garupa acaba consumindo o pneu mais rápido: por isso,
aumente a pressão do pneu traseiro se esse é o seu tipo de uso mais
frequente. E não custa lembrar: é proibido uso e comercialização de
pneus remoldados para motos.
O item mais importante na durabilidade das peças de sua moto ainda é
você mesmo. Evite freadas bruscas e acelerações violentas que todos
os componentes durarão muito mais. |
Pelas
características dinâmicas das motos, o freio dianteiro deve gastar
primeiro, porque 70% da frenagem cabem à roda dianteira |