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Na
coluna anterior,
comentamos como o motociclista deve proceder em dias chuvosos quanto
às vestimentas e à pilotagem. Como o assunto é bastante abrangente,
deixamos para esta edição a segunda parte das dicas.
Quando a chuva parece já estar aborrecendo o suficiente, a noite cai
e o motociclista descobre que nada é tão ruim que não possa piorar.
Para começar, a visibilidade diminui ainda mais e a velocidade de
cruzeiro deve ser menor. Para quem estiver com moto equipada com
pisca-alerta, uma advertência: por mais escuro que esteja, nunca
trafegue com o pisca-alerta ligado. Além de ser ilegal, os
motoristas que vêm atrás podem achar que a moto está parada e
provocar uma mudança de direção desnecessária e perigosa, já que
normalmente os veículos parados em estradas devem estar no
acostamento.
Agora, se a chuva e a escuridão estiverem incomodando demais, pode
ser que o motociclista passe por uma região serrana e encontre
neblina — viu como tudo pode piorar? Nesse caso, deve-se resistir à
tentação e usar somente o farol baixo, porque o farol alto espalha o
facho luminoso e provoca um véu branco, diminuindo e atrapalhando a
visão da estrada. O melhor caminho a seguir é reduzir ainda mais a
velocidade e procurar seguir as faixas limitadoras da estrada, se
houver, sempre pelo lado direito da pista.
Existem motociclistas que depois de passarem por essas situações não
podem nem ouvir falar em viajar com chuva, mas a cada nova
experiência — que nem sempre é tão agradável — o motociclista passa
a conhecer melhor suas possibilidades e limitações como piloto, além
de conhecer ainda mais seu veículo de duas rodas. São essas
experiências que levam o motociclista a encarar uma viagem ou
passeio de moto com mais segurança: a segurança de quem dificilmente
será pego de surpresa por uma situação desconhecida.
A importância dos pneus
Em se tratando de piso molhado, uma das vantagens da moto como
veículo sobre os automóveis são os pneus. Além de ter apenas dois
pontos de contato, o formato do pneu é semelhante ao de uma lâmina,
que corta a fina camada de água, dificultando muito a ocorrência de
aquaplanagem.
Além disso — quem se lembra das aulas de Física? —, quanto menor a
área, maior a pressão. Como a área de contato dos pneus com o solo é
muito pequena, a pressão sobre o piso é maior, cortando a água. Mas
isso depende basicamente da profundidade dos sulcos dos pneus! Os
pneus dos carros sofrem mais facilmente a aquaplanagem porque são
largos e planos, e quanto maior a área, menor a pressão sobre o
solo.
Dica importante: existe um preconceito muito difundido sobre pneus
na chuva. Muita gente esvazia um pouco os pneus para "melhorar a
aderência". Isso é uma tremenda bobagem, porque se os pneus
estiverem murchos os sulcos se fecham e a drenagem de água é menor.
Também não vá encher o pneu mais que o necessário: a calibragem
original já prevê o uso no seco e no molhado. Outro cuidado é que o
pneu dianteiro é desenhado para cortar a camada de água, e o
traseiro, para tracionar. Por isso eles devem ser sempre do mesmo
modelo. Observe ainda que há pneus direcionais, com sentido
determinado para rotação, que vem indicado nas laterais: atenção
para não montá-los em posição invertida. |
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Da
mesma forma que os pneus têm importância vital na estabilidade da
moto com piso molhado, a moto também pode ser preparada para rodar
na chuva com mais segurança.
Normalmente, a motocicleta tende a afundar de frente nas frenagens e
de traseira nas acelerações. Para evitar esse afundamento, a
suspensão reage às forças que empurram a moto para baixo,
empurrando-a de volta para cima. É isso que garante a estabilidade
quando o piso está seco. Mas, na chuva, a reação deve ser mais suave
para a moto não derrapar. A solução é regular tanto a suspensão
traseira quanto a dianteira (e também o sistema antimergulhante,
quando houver) na posição mais macia: assim a moto fica mais
estável.
Nas motos de corrida existem centenas de regulagens, que as deixam
tão estáveis para dirigir na chuva que o piloto praticamente pilota
da mesma forma que no seco, mas com mais suavidade. Nas motos de
passeio essas regulagens são limitadas e, em alguns casos, difíceis
de acessar; por isso nem sempre é possível interferir na moto.
Uma das grandes lições que a pista pode oferecer ao piloto de rua é
a sensibilidade ao pilotar. Quando digo que a pilotagem não muda
muito na chuva, não é para entrar numa curva de 180º inclinando da
mesma forma que faria se o piso estivesse seco. O que quero dizer é
que a postura do piloto em cima da moto será a mesma e a
distribuição de força na frenagem continuará igual. Contudo, a
sensibilidade é muito maior e os limites têm de ser muito menores.
Outro alerta: as faixas pintadas no asfalto, que são feitas de
material plástico e muito lisas, diminuem o coeficiente de atrito
drasticamente. Quando o motociclista trafega no trânsito, num
corredor de automóveis, está correndo um sério risco porque, na hora
de frear, pode fazê-lo justamente quando o pneu estiver em cima da
faixa — a derrapagem é quase certa. Os motociclistas geralmente nem
entendem porque derraparam. E procure ficar longe das faixas brancas
de pedestres: na hora de frear use a parte escura, só de asfalto.
Também deve ser evitado o trecho do asfalto muito perto das
sarjetas. Quando chove, a água levanta o óleo da pista e, como esses
elementos não se misturam, a água carrega o óleo para a sarjeta,
porque as ruas são levemente inclinadas para a água escorrer pelos
cantos.
Finalizando, a conduta do motociclista na chuva deve ser a mais
suave possível. Quando o motociclista é pego pela chuva, geralmente
fica tenso, nervoso — e é justamente nessas condições que se assusta
mais fácil e tem reações bruscas, rápidas. Aí é que acontecem os
erros.
Para evitar a tensão, o motociclista deve se conformar com que vai
chegar ao destino completamente molhado e pilotar com mais calma.
Mesmo porque não faz a menor diferença tomar cinco minutos de chuva
a 100 km/h ou 10 minutos a 50 km/h, não é? |
Muita gente
esvazia um pouco os pneus para "melhorar a aderência": é bobagem,
porque os sulcos se fecham e a drenagem de água é menor |