Data de publicação: 5/6/12

Um passo à frente

A cobertura da Fórmula 1 por parte da TV Globo recebe uma melhoria
depois de muito tempo: boa notícia, apesar do cenário duvidoso

por Marcio Kohara

Eis que, depois de muitos anos, finalmente a Rede Globo de Televisão resolveu incrementar as transmissões de um dos produtos mais valorizados da cesta de atrações desportivas da casa, a Fórmula 1. Desde o domingo passado (3), a nave-mãe passou a abrir as transmissões da categoria com 20 minutos de antecedência — seja do treino oficial de sábado, seja da corrida no domingo — e a expectativa é de que a mudança seja mantida para as próximas etapas.

Além disso, teve a seu dispor algumas câmeras de bordo exclusivas, fora da programação mundial, que incrementaram a transmissão e levou toda a equipe para dentro de uma cabine no circuito, com direito a câmeras exclusivas. E mais: abriu espaço para algumas entrevistas ao vivo no grid de largada antes do início da corrida. É um aumento inédito para as transmissões da categoria, em se tratando de etapas fora do país.

O fato é que, até o Grande Prêmio da Espanha, as aberturas de transmissão se resumiam a cinco a dez minutos antes das transmissões — tempo suficiente para um abre rápido de transmissão e alguma declaração dos pilotos brasileiros. O mesmo acontecia no fechamento da transmissão, com no máximo a exibição do pódio. Ainda assim, é uma cobertura reduzida e até modesta se considerarmos o espaço que a Fórmula 1 tem no exterior. Afinal, há muito tempo os torcedores ingleses — e mais tarde de mercados tão grandes quanto como França e Itália — acompanham transmissões mais completas, cheias de informações e até mesmo com um narrador oficial com preparação e histórico de jornalista.

A transmissão inglesa, considerada padrão internacional de qualidade, abre cerca de uma hora antes da largada, com diversas informações e matérias sobre o evento, incluindo o famoso "grid walk", no qual o ex-piloto Martin Brundle sai entrevistando personagens presentes no grid de largada. E, depois da bandeirada, mais uma hora de programação dedicada, mostrando, além da coletiva oficial, outras entrevistas com os personagens da corrida, um balanço do que aconteceu, melhores momentos da prova e uma espécie de mesa redonda sobre o evento que acabou de ser realizado. 

Os motivos
Já faziam cerca de 20 anos depois da última ampliação significativa de espaço da Fórmula 1 na programação da TV Globo, quando a emissora passou a transmitir ao vivo a decisão da classificação, aos sábados. Surgiram também os miniprogramas de pré-temporada nos últimos anos, mas não são exatamente um espaço relevante na programação.

Por outro lado, o Sinal Verde  — tradicional miniprograma de 10 minutos, se tanto, que era exibido nas noites de sábado que precediam as corridas — foi extinto no decorrer dos anos, deixando uma lacuna nunca preenchida na programação, já que, no período da abertura das transmissões, não era possível condensar todas as informações que cabiam tão bem naquele programa. Era mesmo hora para a Globo tentar reinventar o modo com que trata seu produto. Até porque, em decorrência dos problemas da base do automobilismo nacional, a tendência é que as transmissões baseadas nos heróis brasileiros vencedores na categoria se destinem à extinção.

Curioso que, mesmo no canal por assinatura do grupo Globo, o Sportv, o espaço para a Fórmula 1, apesar de ser maior, não chega a ser tão destacado assim. O canal exibe treinos oficiais e entrevistas pós-corridas, ao vivo, e treinos classificatórios e corridas gravados. Além disso, há dois programas semanais da casa sobre automobilismo em geral, denominados de Linha de Chegada  — com um programa de entrevistas capitaneado por Reginaldo Leme e outro de notícias do automobilismo. Pouco ou nada que seja exclusivamente voltado à principal categoria do automobilismo.

Diz-se que os fatores que levaram a Rede Globo a investir mais nas transmissões foram a queda na audiência, nos últimos anos, e a consequente pressão de Bernie Ecclestone e dos patrocinadores, que exigiam maior exposição — algo que justificasse o enorme investimento feito no produto global. Se é verdade, não se sabe, mas essa maior atenção vem a cabo de uma eventual ameaça que a pretensa rival da emissora líder de audiência, a Record, poderia fazer na disputa pelos direitos de transmissão.

O Brasil ainda parece um mercado imaturo para o possível fechamento do sinal da categoria para um pacote pago exclusivo — movimento que a Grã-Bretanha experimenta a partir dessa temporada, com a transmissão de parte das corridas apenas pela rede Sky. Apesar de não ser mais a usina de audiência de outrora, a Fórmula 1 rende um bom dinheiro para os cofres da nave-mãe. Ainda por coma, é estratégica para as Organizações Globo, nesse momento que ocorre a perda dos direitos de transmissão dos Jogos Olímpicos de 2012 para a Record. O aumento de espaço da categoria na programação, inclusive com longas matérias especiais e entrevistas de pilotos estrangeiros em programas da casa — como a de Pastor Maldonado no Esporte Espetacular do último domingo —, mostra isso. 

Tomara que essa melhora na transmissão seja uma tendência. Afinal, como espetáculo de televisão, a Fórmula 1 tem melhorado muito nos últimos anos, e uma cobertura mais interessante por parte da emissora que detém os direitos de transmissão parece o mínimo que pode ser feito aos entusiastas pelo esporte a motor, mesmo que o atual nível de competitividade dos pilotos brasileiros não anime muito.

Já faziam cerca de 20 anos da última ampliação significativa, quando a emissora passou a transmitir a decisão da classificação
Coluna anterior
 
blog comments powered by Disqus

Página principal - Envie por e-mail

© Copyright - Best Cars Web Site - Todos os direitos reservados - Política de privacidade