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Eis que, depois de muitos anos, finalmente a Rede Globo de Televisão
resolveu incrementar as transmissões de um dos produtos mais
valorizados da cesta de atrações desportivas da casa, a Fórmula 1.
Desde o domingo passado (3), a nave-mãe passou a abrir as
transmissões da categoria com 20 minutos de antecedência — seja do
treino oficial de sábado, seja da corrida no domingo — e a
expectativa é de que a mudança seja mantida para as próximas etapas.
Além disso, teve a seu dispor algumas câmeras de bordo exclusivas,
fora da programação mundial, que incrementaram a transmissão e levou
toda a equipe para dentro de uma cabine no circuito, com direito a
câmeras exclusivas. E mais: abriu espaço para algumas entrevistas ao
vivo no grid de largada antes do início da corrida. É um aumento
inédito para as transmissões da categoria, em se tratando de etapas
fora do país.
O fato é que, até o Grande Prêmio da Espanha, as aberturas de
transmissão se resumiam a cinco a dez minutos antes das transmissões
— tempo suficiente para um abre rápido de transmissão e alguma
declaração dos pilotos brasileiros. O mesmo acontecia no fechamento
da transmissão, com no máximo a exibição do pódio. Ainda assim, é
uma cobertura reduzida e até modesta se considerarmos o espaço que a
Fórmula 1 tem no exterior. Afinal, há muito tempo os torcedores
ingleses — e mais tarde de mercados tão grandes quanto como França e
Itália — acompanham transmissões mais completas, cheias de
informações e até mesmo com um narrador oficial com preparação e
histórico de jornalista.
A transmissão inglesa, considerada padrão internacional de
qualidade, abre cerca de uma hora antes da largada, com diversas
informações e matérias sobre o evento, incluindo o famoso "grid walk",
no qual o ex-piloto Martin Brundle sai entrevistando personagens
presentes no grid de largada. E, depois da bandeirada, mais uma hora
de programação dedicada, mostrando, além da coletiva oficial, outras
entrevistas com os personagens da corrida, um balanço do que
aconteceu, melhores momentos da prova e uma espécie de mesa redonda
sobre o evento que acabou de ser realizado. |
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Os motivos
Já faziam cerca de 20 anos depois da última ampliação
significativa de espaço da Fórmula 1 na programação da TV Globo,
quando a emissora passou a transmitir ao vivo a decisão da
classificação, aos sábados. Surgiram também os miniprogramas de
pré-temporada nos últimos anos, mas não são exatamente um espaço
relevante na programação.
Por outro lado, o Sinal Verde — tradicional
miniprograma de 10 minutos, se tanto, que era exibido nas noites de
sábado que precediam as corridas — foi extinto no decorrer dos anos,
deixando uma lacuna nunca preenchida na programação, já que, no
período da abertura das transmissões, não era possível condensar
todas as informações que cabiam tão bem naquele programa. Era mesmo
hora para a Globo tentar reinventar o modo com que trata seu
produto. Até porque, em decorrência dos problemas da base do
automobilismo nacional, a tendência é que as transmissões baseadas
nos heróis brasileiros vencedores na categoria se destinem à
extinção.
Curioso que, mesmo no canal por assinatura do grupo Globo, o Sportv,
o espaço para a Fórmula 1, apesar de ser maior, não chega a ser tão
destacado assim. O canal exibe treinos oficiais e entrevistas
pós-corridas, ao vivo, e treinos classificatórios e corridas
gravados. Além disso, há dois programas semanais da casa sobre
automobilismo em geral, denominados de Linha de Chegada —
com um programa de entrevistas capitaneado por Reginaldo Leme e
outro de notícias do automobilismo. Pouco ou nada que seja
exclusivamente voltado à principal categoria do automobilismo.
Diz-se que os fatores que levaram a Rede Globo a investir mais nas
transmissões foram a queda na audiência, nos últimos anos, e a
consequente pressão de Bernie Ecclestone e dos patrocinadores, que
exigiam maior exposição — algo que justificasse o enorme
investimento feito no produto global. Se é verdade, não se sabe, mas
essa maior atenção vem a cabo de uma eventual ameaça que a pretensa
rival da emissora líder de audiência, a Record, poderia fazer na
disputa pelos direitos de transmissão.
O Brasil ainda parece um mercado imaturo para o possível fechamento
do sinal da categoria para um pacote pago exclusivo — movimento que
a Grã-Bretanha experimenta a partir dessa temporada, com a
transmissão de parte das corridas apenas pela rede Sky. Apesar de
não ser mais a usina de audiência de outrora, a Fórmula 1 rende um
bom dinheiro para os cofres da nave-mãe. Ainda por coma, é
estratégica para as Organizações Globo, nesse momento que ocorre a
perda dos direitos de transmissão dos Jogos Olímpicos de 2012 para a
Record. O aumento de espaço da categoria na programação, inclusive
com longas matérias especiais e entrevistas de pilotos estrangeiros
em programas da casa — como a de Pastor Maldonado no Esporte
Espetacular do último domingo —, mostra isso.
Tomara que essa melhora na transmissão seja uma tendência. Afinal,
como espetáculo de televisão, a Fórmula 1 tem melhorado muito nos
últimos anos, e uma cobertura mais interessante por parte da
emissora que detém os direitos de transmissão parece o mínimo que
pode ser feito aos entusiastas pelo esporte a motor, mesmo que o
atual nível de competitividade dos pilotos brasileiros não anime
muito. |
Já faziam cerca
de 20 anos da última ampliação significativa, quando a emissora passou a
transmitir a decisão da classificação |