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Seis Horas de Spa-Francorchamps, disputada no último fim de semana
na lendária pista belga, foi a segunda etapa do incipiente
Campeonato Mundial de Endurance da FIA (Federação Internacional do
Automóvel). Foi a última prova antes da principal competição do ano,
a 24 Horas de Le Mans, na França. E, confirmando o amplo
favoritismo, a Audi venceu a etapa, deixando os concorrentes comendo
poeira. Mas a etapa belga do Mundial não se passou sem surpresas — e
a principal delas foi a marca alemã das quatro argolas ter vencido a
corrida com o "carro errado".
Carro errado? Pois é. O fato é que a grande aposta dos alemães é seu
novo representante, a quem se confia o sucesso futuro dos alemães em
Le Mans, e que já estreou nesse fim de semana em Spa. O
Audi R18 E-Tron
Quattro, de propulsão híbrida, é o sucessor do campeão R18 TDi,
vencedor da última edição do clássico de verão francês. Apesar de
todo o auê em torno de sua estreia, porém, o carro novato —
comandado pelo trio Andre Lotterer/Marcel Fassler/Benoit Treuluyer —
não resistiu ao ataque do veterano modelo turbodiesel, agora
rebatizado de R18 Ultra e comandado por Romain Dumas/Marc Gene/Loic
Duval, que acabaram vencedores da corrida.
A decepção ficou por conta dos favoritos Dindo Capello/Allan McNish/Tom
Kristensen que, apesar de serem os vencedores da etapa de abertura
do campeonato e terem à disposição o outro R18 E-Tron, ficaram
apenas com a quarta colocação, atrás do outro R18 turbodiesel. De
toda forma, ter quatro carros nas quatro primeiras colocações — sem
registro de abandonos — é um feito considerável em qualquer
categoria. |
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Sem oponentes, por enquanto
O favoritismo alemão é considerado amplo até mesmo porque, no
momento, a disputa praticamente inexiste. A expectativa que existia
para essa primeira temporada do WEC (World Endurance Championship)
residia muito em como seria a disputa entre Audi e Peugeot, que
abrilhantou as últimas edições da 24 Horas de Le Mans e dos
campeonatos de endurance disputados em torno da corrida francesa. É
o caso do ILMC (International Le Mans Cup, realizado no ano passado
e embrião do WEC) e das versões continentais, a Le Mans Series
europeia e a ALMS norte-americana.
O problema é que os franceses resolveram deixar o campeonato logo no
início do ano, pouco antes do pontapé inicial da temporada. O
campeonato então sofreu um duro golpe e perdeu muito da graça que
teria a briga entre os gigantes.
Para suprir a falta da Peugeot, a Toyota foi confirmada como equipe
oficial que enfrentaria a Audi -- cumprindo uma cláusula contratual
que exige pelo menos duas representações oficiais no campeonato.
Mas, nas duas primeiras etapas do Mundial, os japoneses nem sequer
conseguiram colocar na pista seu representante, o TS030 Hybrid. Na
primeira etapa, a 12 Horas de Sebring, a ausência era programada,
mas nesse fim de semana a falta foi causada por um forte acidente
que acabou atrasando o cronograma dos japoneses. De toda forma, a
Toyota terá tudo pronto para sua estreia justamente na joia da coroa
do campeonato mundial, Le Mans.
Enquanto a estreia oficial dos nipônicos não acontece, as equipes
privadas, como a Rebellion, a Pescarolo e a Strakka, vão tentando
dificultar as coisas para a Audi. Mas, por enquanto, a missão dessas
equipes é bem complicada. A princípio, parece mais lógico imaginar
que a disputa não será pelo primeiro lugar, mas sim pelo quinto,
entre os carros num patamar abaixo, já que os Audis são tão
superiores que ficam em outro nível.
A Rebellion aposta num chassi da Lola com motorização Toyota,
enquanto a Strakka aposta num chassis ARX com motorização Honda. A
Pescarolo terá a disposição dois chassis — um projetado pela
nipônica Dome, e o outro, um espólio do finado projeto da Aston
Martin na Le Mans Series — impulsionados com motor Judd. Mas, claro,
a aposta de uma vitória de qualquer um desses carros na 24 Horas de
Le Mans deve pagar um retorno altíssimo, já que é altamente
improvável. A prova francesa será disputada entre 16 e 17 de junho
na tradicional pista situada no noroeste do país.
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Os franceses
resolveram deixar o campeonato logo no início do ano. Com esse duro
golpe, perdeu-se muito da graça que teria a briga entre os gigantes |