Data de publicação: 8/5/12

Um campeonato sem disputa

O Mundial de Endurance começou a todo o vapor, mas só de
um lado do ringue, com a Audi correndo quase sozinha

por Marcio Kohara

A Seis Horas de Spa-Francorchamps, disputada no último fim de semana na lendária pista belga, foi a segunda etapa do incipiente Campeonato Mundial de Endurance da FIA (Federação Internacional do Automóvel). Foi a última prova antes da principal competição do ano, a 24 Horas de Le Mans, na França. E, confirmando o amplo favoritismo, a Audi venceu a etapa, deixando os concorrentes comendo poeira. Mas a etapa belga do Mundial não se passou sem surpresas — e a principal delas foi a marca alemã das quatro argolas ter vencido a corrida com o "carro errado".

Carro errado? Pois é. O fato é que a grande aposta dos alemães é seu novo representante, a quem se confia o sucesso futuro dos alemães em Le Mans, e que já estreou nesse fim de semana em Spa. O Audi R18 E-Tron Quattro, de propulsão híbrida, é o sucessor do campeão R18 TDi, vencedor da última edição do clássico de verão francês. Apesar de todo o auê em torno de sua estreia, porém, o carro novato — comandado pelo trio Andre Lotterer/Marcel Fassler/Benoit Treuluyer — não resistiu ao ataque do veterano modelo turbodiesel, agora rebatizado de R18 Ultra e comandado por Romain Dumas/Marc Gene/Loic Duval, que acabaram vencedores da corrida.

A decepção ficou por conta dos favoritos Dindo Capello/Allan McNish/Tom Kristensen que, apesar de serem os vencedores da etapa de abertura do campeonato e terem à disposição o outro R18 E-Tron, ficaram apenas com a quarta colocação, atrás do outro R18 turbodiesel. De toda forma, ter quatro carros nas quatro primeiras colocações — sem registro de abandonos — é um feito considerável em qualquer categoria.

Sem oponentes, por enquanto
O favoritismo alemão é considerado amplo até mesmo porque, no momento, a disputa praticamente inexiste. A expectativa que existia para essa primeira temporada do WEC (World Endurance Championship) residia muito em como seria a disputa entre Audi e Peugeot, que abrilhantou as últimas edições da 24 Horas de Le Mans e dos campeonatos de endurance disputados em torno da corrida francesa. É o caso do ILMC (International Le Mans Cup, realizado no ano passado e embrião do WEC) e das versões continentais, a Le Mans Series europeia e a ALMS norte-americana.

O problema é que os franceses resolveram deixar o campeonato logo no início do ano, pouco antes do pontapé inicial da temporada. O campeonato então sofreu um duro golpe e perdeu muito da graça que teria a briga entre os gigantes.

Para suprir a falta da Peugeot, a Toyota foi confirmada como equipe oficial que enfrentaria a Audi -- cumprindo uma cláusula contratual que exige pelo menos duas representações oficiais no campeonato. Mas, nas duas primeiras etapas do Mundial, os japoneses nem sequer conseguiram colocar na pista seu representante, o TS030 Hybrid. Na primeira etapa, a 12 Horas de Sebring, a ausência era programada, mas nesse fim de semana a falta foi causada por um forte acidente que acabou atrasando o cronograma dos japoneses. De toda forma, a Toyota terá tudo pronto para sua estreia justamente na joia da coroa do campeonato mundial, Le Mans.

Enquanto a estreia oficial dos nipônicos não acontece, as equipes privadas, como a Rebellion, a Pescarolo e a Strakka, vão tentando dificultar as coisas para a Audi. Mas, por enquanto, a missão dessas equipes é bem complicada. A princípio, parece mais lógico imaginar que a disputa não será pelo primeiro lugar, mas sim pelo quinto, entre os carros num patamar abaixo, já que os Audis são tão superiores que ficam em outro nível.

A Rebellion aposta num chassi da Lola com motorização Toyota, enquanto a Strakka aposta num chassis ARX com motorização Honda. A Pescarolo terá a disposição dois chassis — um projetado pela nipônica Dome, e o outro, um espólio do finado projeto da Aston Martin na Le Mans Series — impulsionados com motor Judd. Mas, claro, a aposta de uma vitória de qualquer um desses carros na 24 Horas de Le Mans deve pagar um retorno altíssimo, já que é altamente improvável. A prova francesa será disputada entre 16 e 17 de junho na tradicional pista situada no noroeste do país.

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Os franceses resolveram deixar o campeonato logo no início do ano. Com esse duro golpe, perdeu-se muito da graça que teria a briga entre os gigantes
 
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