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Rubens Barrichello iniciou nesta segunda-feira (30) a série de dois
dias de testes em um Fórmula Indy com um carro da KV Racing. O teste
está sendo realizado em Sebring, na Flórida, Estados Unidos, em
conjunto com outras equipes da categoria e serve para as equipes
tomarem pulso do novo chassi Dallara DW12, que começa a ser usado
este ano.
Assim, aumentam os rumores de que o piloto brasileiro de 39 anos de
idade estaria se mudando para a categoria norte-americana depois de
não conseguir manter sua vaga na Williams, de onde foi dispensado e
substituído pelo compatriota Bruno Senna. Como a única possibilidade
de disputar sua 20ª temporada na Fórmula 1 seria uma vaga na
Hispania — com todas as incertezas que a equipe espanhola ainda
apresenta —, Rubens parece estar avaliando novas perspectivas para
sua carreira.
Parece claro que uma opção interessante para o prosseguimento
da longa jornada do veterano brasileiro seria a Fórmula Indy. Claro,
a categoria não tem a amplitude global nem o status da F-1. Está
longe disso — e cada vez fica mais longe do patamar da categoria
europeia. Por outro lado, Rubens não ficaria inativo por uma
temporada, teria condições de ser competitivo, curtiria o país
de que tanto gosta — passa as férias por lá, chegando a ter uma
residência no país — e, havendo o acordo com a KV, trabalharia na
mesma equipe que o amigo de longa data Tony Kanaan. Ainda por cima,
chegaria à Indy em um momento que o favorece, já que ninguém conhece
os novos carros da Dallara, ou seja, partiria do zero com todo
mundo.
Claro que existem pendências a serem resolvidas, como a
conhecida promessa que Rubens fez aos familiares de que nunca
competiria em circuitos ovais. Ou mesmo a definição do grupo de
patrocinadores que bancaria a presença do ex-piloto da Fórmula 1 no
grid de largada da Indy. Mas esses não parecem ser motivos que
impediriam o brasileiro de participar da competição — e um grande
piloto na categoria teria sempre portas abertas para chegar e
pilotar um carro. Se participar da temporada da Indy e não
participar do ponto alto da temporada — a 500 Milhas de Indianápolis
— parece ser um contrassenso, por outro lado há de se respeitar a
escolha do piloto. |
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O legado
Assim, meio sem fazer alarde, Rubens deixa a Fórmula 1. E
praticamente fecha uma era na categoria e no automobilismo
brasileiro. Não é para menos: são 19 temporadas ininterruptas
competindo na principal categoria do esporte a motor mundial, e há
21 anos ele é presença constante nas pistas europeias, competindo na
Fórmula GM-Lotus, na F-3 inglesa e na F-3000 antes de alcançar a
Fórmula 1. Desde a estreia do brasileiro, no GP da África do Sul em
1993, muitos pilotos passaram pela categoria. E, daquele momento,
apenas um sobrevive na F-1 de hoje — Michael Schumacher, que saiu e
voltou.
Mesmo no automobilismo nacional, a saída de Rubens Barrichello é um
marco. Dos pilotos em atividade no exterior, ele é o último daqueles
que tiveram contato com o velho e longo traçado de Interlagos —
chegou a correr lá na Fórmula Ford em 1989, antes da reforma que
modificou a pista e permitiu a volta da Fórmula 1 para São Paulo. E,
claro, a atual entressafra (que parece que durará para sempre se não
forem tomadas atitudes na formação de pilotos) tem parte de sua
origem nessa falta de espaço para os jovens pilotos desfrutarem — e
aprenderem mais sobre — as máquinas.
Curiosamente, Rubens passa o bastão para o piloto brasileiro que
menos teve contato com as categorias de base locais antes de chegar
à Fórmula 1: Bruno Senna não tem nenhuma experiência correndo no
Brasil. Em 2009, acabou sendo preterido em favor de Rubens na vaga
da Brawn — naquela situação, a experiência de Rubens pagou seus
dividendos. Agora, na Williams, o fator de potencial de atração de
patrocinadores pesou a favor de Bruno.
A equipe acertou ou não em dispensar Rubens? Infelizmente para o
brasileiro, a situação econômica da equipe é precária e se houver a
possibilidade de atrair qualquer patrocinador, mesmo que a questão
técnica seja prejudicada, esse piloto com dinheiro será escolhido.
Talvez nem seja o caso de Bruno, que tem alguns predicados, mas tal
fator acaba entrando na mesa de discussões.
Pena, por outro lado, foi Rubens não ter aproveitado a oportunidade
de parar — e fazer uma festa em seu Interlagos natal — antes de ser
despejado pela Fórmula 1. Tentou a mesma estratégia da oportunidade
anterior e não se deu bem. Mas a perspectiva de partir para uma nova
aventura pode ser uma boa reviravolta na carreira do veterano
piloto. |
São 19 temporadas
ininterruptas competindo na principal categoria, e há 21 anos ele é
presença constante nas pistas europeias |