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Motos do Passado

Combinação
explosiva


Velozes e furiosas, mas com problemas de distribuição de torque, as motos turbo não tiveram o sucesso esperado


Texto: Fabrício Samahá
Fotos: divulgação

Modelos de automóveis com turbocompressor existiram às centenas, talvez milhares, desde que o Porsche 911 o introduziu -- pela primeira vez com sucesso --, em 1974. No entanto, para encontrar uma moto turbo de fábrica é preciso voltar 15 ou 20 anos, ao tempo da pioneira Honda CX 500 Turbo de 1982.

A CX era uma moto sofisticada e complexa. Com a meta de aliar o desempenho de um motor de 1.000 cm3 ao conjunto de uma 500, a Honda a desenvolveu no final dos anos 70 tendo o turbo em consideração todo o tempo. O resultado foi uma moto bem-acabada, de estética aclamada pela imprensa e muito potente para a cilindrada -- 82 cv.

Pouco depois de primeira turbo de fábrica, a CX 500, a Honda lançava a versão 650: estética arrojada e motor V2 com 87 cv de potência, mas o mesmo funcionamento arisco das concorrentes

O motor de dois cilindros em V, com virabrequim longitudinal, recebia refrigeração líquida, injeção eletrônica, quatro válvulas por cilindro e um turbocompressor IHI-Kawajima. Em baixas rotações era mais lenta que uma 500 de aspiração natural, mas em médios regimes, em torno de 6.000 rpm, o turbo passava a atuar bruscamente, podendo erguer a roda dianteira numa aceleração forte mesmo em terceira marcha.

A ciclística acompanhava sua modernidade: suspensão traseira monomola Pro-Link, dianteira com sistema antimergulho ajustável (TRAC), três grandes discos de freio. A transmissão era por árvore (cardã). Entretanto, era uma moto pesada (235 kg a seco) e de altíssimo consumo, esvaziando o tanque de 20 litros com rapidez. Por isso, apenas um ano depois, a Honda tomava o caminho habitual em busca de desempenho -- maior cilindrada -- e a substituía pela CX 650 T.

Com 177 cm3 adicionais, taxa de compressão mais alta e menor pressão de turbo, o V2 estava mais potente (87 cv), civilizado e econômico, pelo melhor torque em baixos regimes. Seus 9,15 m.kgf a 4.750 rpm superavam qualquer moto no planeta, a não ser a Kawasaki Z 1300 de seis cilindros.

Clique para ampliar a imagem O objetivo da Honda era atingido, ao menos em parte: o torque de 9,15 m.kgf da CX 650 T era o maior das motos de seu tempo, salvo pela Kawasaki Z 1300 de seis cilindros

O conjunto era o mesmo da versão 500, mas com o turbo presente desde as 4.500 rpm e capaz de chegar a 226 km/h, tendo passado pelos 100 apenas 3,6 s depois da arrancada. Sua fúria não era igualada nem mesmo por uma Suzuki GS 1100S Katana.

Concorrência   A primeira adversária da CX 500 T surgiu logo em 1982: a Yamaha XJ 650 Turbo, ou Seca 650 Turbo em mercados como o americano. De estilo mais tradicional, com ampla carenagem e um pára-brisa que não ficaria mal em uma Harley-Davidson policial, era uma moto bem diferente da Honda em termos técnicos. Continua

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Data de publicação deste artigo: 21/5/02

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